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Em depoimento ao STF, Daniel Vorcaro falou sobre ameaças feitas aos adversários

Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, apresentou uma nova versão para mensagens utilizadas pela Polícia Federal nas investigações que apuram sua relação com ameaças, obtenção de informações sigilosas e uma suposta estrutura de segurança paralela. Em depoimento prestado a auxiliares do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, o empresário afirmou que algumas mensagens nas quais determinava agressões ou ameaças foram escritas em momentos de irritação e não resultaram em ações concretas. A declaração, revelada nesta quinta-feira, 3 de setembro de 2026, acrescentou um novo elemento ao caso e colocou em discussão o significado das conversas encontradas nos aparelhos do banqueiro.

O depoimento ocorreu no contexto de uma investigação mais ampla sobre o Banco Master e sobre a atuação de pessoas próximas a Vorcaro, incluindo Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário. Segundo os elementos apresentados pela Polícia Federal, esse grupo teria sido utilizado para levantar informações e realizar ameaças contra pessoas que representavam algum tipo de problema ou oposição aos interesses do empresário. Vorcaro, entretanto, negou ser chefe de uma organização criminosa e sustentou que as mensagens mais agressivas foram manifestações de raiva feitas durante períodos de grande tensão.

A situação ganhou peso porque algumas das mensagens citadas na investigação possuem conteúdo bastante explícito e envolvem pessoas identificáveis, entre elas o jornalista Lauro Jardim, de O Globo, e uma funcionária ligada à atriz Monique Alfradique. Em um dos diálogos, Vorcaro teria pedido que Jardim fosse agredido durante um assalto simulado, enquanto em outra conversa utilizou linguagem extremamente agressiva ao comentar uma suposta ameaça atribuída à empregada da atriz. Agora, o empresário afirma que nenhuma dessas ações chegou a ser executada e que suas mensagens devem ser compreendidas dentro de um contexto de desabafo e nervosismo.

Vorcaro diz que ameaças foram feitas em momentos de irritação

Ao ser questionado por seus próprios advogados sobre as acusações de que teria comandado uma espécie de “máfia” armada, Vorcaro procurou reduzir o peso das mensagens apresentadas pela Polícia Federal. Segundo ele, foram selecionadas apenas algumas conversas entre centenas de milhares de mensagens existentes em seus aparelhos, o que, em sua avaliação, poderia produzir uma interpretação distorcida sobre seu comportamento. O ex-banqueiro afirmou que havia escrito as mensagens quando estava nervoso e que posteriormente teria determinado que as iniciativas fossem abandonadas.

A explicação, contudo, precisa ser confrontada com o conteúdo integral das conversas e com outros elementos reunidos pelos investigadores, já que uma mensagem pode ser analisada não apenas pelo que foi escrito, mas também pelo contexto, pela sequência dos diálogos e pelas eventuais providências tomadas depois. No caso de Vorcaro, a Polícia Federal investiga justamente se as conversas representavam apenas manifestações de irritação ou se faziam parte de uma estrutura organizada destinada a intimidar adversários. Até o momento, portanto, a negativa apresentada pelo empresário não elimina as dúvidas levantadas pela investigação, que deverão ser avaliadas pelas autoridades responsáveis.

Além das supostas ameaças, Vorcaro admitiu durante o depoimento ter procurado pessoas para conseguir informações sigilosas relacionadas a investigações conduzidas por órgãos públicos. O empresário classificou essa prática como um erro, mas afirmou que a busca por informações ocorreu em um ambiente no qual acreditava estar sendo atacado e pressionado. Dessa maneira, uma das questões centrais passou a ser entender até que ponto essas consultas eram realizadas por iniciativa pessoal, quais informações foram obtidas e se houve utilização desses dados para interferir em investigações ou intimidar terceiros.

As mensagens e a investigação sobre o grupo de segurança

A Polícia Federal passou a investigar com maior atenção as relações de Vorcaro com pessoas que poderiam atuar na proteção de seus interesses depois que mensagens e outros dados foram encontrados em aparelhos apreendidos durante as apurações. Entre os nomes mencionados está Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário, apontado nas investigações como integrante de uma estrutura que teria reunido até policiais. A suspeita é de que essa rede pudesse ser utilizada tanto para ameaças quanto para obtenção de informações reservadas, hipótese que é negada por Vorcaro.

Um dos episódios mais sensíveis envolve o jornalista Lauro Jardim, citado diretamente em uma conversa na qual teria sido sugerida uma agressão disfarçada de assalto. O conteúdo chamou atenção justamente porque não se trataria apenas de uma crítica verbal, mas de uma orientação que, em tese, poderia resultar em violência física contra uma pessoa determinada. Vorcaro, porém, afirma que jamais colocou esse tipo de ação em prática e declarou que nunca se envolveu diretamente com crimes, armas ou agressões contra terceiros.

Enquanto isso, as declarações de Vorcaro foram apresentadas em um momento particularmente delicado das investigações sobre o Banco Master, que também envolvem possíveis relações do empresário com políticos, autoridades e integrantes de diferentes instituições. Em outro depoimento, o ex-banqueiro afirmou que se aproximou de políticos por uma questão de “proteção” e disse possuir informações que poderiam fundamentar uma eventual delação envolvendo integrantes do governo. Paralelamente, ele negou ter cometido crimes financeiros relacionados à venda do Banco Master ao Banco Regional de Brasília, operação que também está sob investigação.

O que pode acontecer após as declarações de Vorcaro

Apesar da gravidade das mensagens apresentadas pela investigação, é necessário diferenciar uma ameaça registrada em conversa de uma agressão efetivamente praticada, principalmente quando o próprio autor afirma que não houve execução das ordens. Juridicamente, entretanto, o simples fato de uma ação não ter sido concretizada não significa automaticamente que determinada conduta seja irrelevante, razão pela qual o contexto, a intenção e as circunstâncias precisam ser examinados pelas autoridades. Por isso, as declarações de Vorcaro deverão ser confrontadas com provas independentes, registros de comunicação, depoimentos e demais elementos obtidos durante a investigação.

Outro ponto importante está relacionado ao pedido de arquivamento apresentado pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, sobre o relato feito por Vorcaro a respeito de supostas ameaças e maus-tratos sofridos durante sua prisão. Segundo a PGR, não teriam sido apresentados elementos concretos suficientes para justificar uma investigação formal sobre essas acusações, enquanto a defesa sustenta que o empresário sofreu pressões e intimidações. O episódio mostra que o caso permanece cercado por versões conflitantes e que tanto as acusações feitas contra Vorcaro quanto as denúncias apresentadas por ele precisam ser submetidas a uma análise baseada em provas, e não apenas em declarações.

Caso Banco Master amplia pressão sobre Vorcaro

As novas declarações de Daniel Vorcaro, portanto, não encerram as dúvidas sobre as mensagens de ameaças e sobre a suposta estrutura utilizada para obter informações ou pressionar adversários. Ao afirmar que estava nervoso quando escreveu os diálogos, o empresário apresentou uma justificativa para o conteúdo das conversas, mas ainda será necessário esclarecer se houve qualquer consequência prática decorrente das ordens mencionadas e qual era exatamente a relação dele com as pessoas citadas nas investigações. A partir disso, caberá às autoridades estabelecer se os diálogos representam apenas manifestações de irritação ou se revelam comportamentos que possam ter relevância criminal.

O caso também se tornou parte de uma investigação muito maior, na qual estão sendo examinadas as relações empresariais, políticas e pessoais mantidas por Vorcaro antes da crise do Banco Master. Assim, enquanto o ex-banqueiro tenta explicar as mensagens como desabafos feitos em momentos de nervosismo, a Polícia Federal e o Ministério Público continuam analisando o conjunto de evidências para determinar responsabilidades e eventuais crimes. Até que essas apurações sejam concluídas, a versão apresentada por Vorcaro deve ser tratada como uma manifestação de defesa, enquanto as suspeitas levantadas pelos investigadores permanecem dependentes de comprovação.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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