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Em meio à crise no STF, AGU se mostra preocupada com suposto movimento da PF

O advogado-geral da União, Jorge Messias, passou a avaliar que existe um movimento dentro da cúpula da Polícia Federal com potencial para desgastar sua imagem em meio à crise que envolve ministros do Supremo Tribunal Federal. A avaliação, segundo informações da jornalista Tainá Falcão, da CNN Brasil, foi compartilhada por aliados de Messias nos bastidores do governo nesta sexta-feira (4). O entendimento ganhou força após a divulgação de relatórios de inteligência produzidos pela PF sobre o ministro André Mendonça.

Um dos documentos mencionou Messias ao abordar o apoio dado por Mendonça à sua indicação para o Supremo, apresentando essa relação como possível elemento de uma estratégia para alterar a correlação de forças dentro da Corte. A partir disso, interlocutores do advogado-geral passaram a questionar a forma como o nome dele foi inserido no contexto das investigações e dos conflitos envolvendo Mendonça. Para esse grupo, a exposição ocorre justamente em um momento de forte tensão entre integrantes do Judiciário, da PF e do governo federal.

Nos bastidores da Advocacia-Geral da União, a interpretação apresentada é que as críticas direcionadas ao órgão poderiam funcionar como uma espécie de distração diante do desgaste provocado pela crise no Supremo. A PF havia solicitado que a AGU contestasse decisões de Mendonça consideradas pela corporação como interferência na autonomia das investigações. Messias, entretanto, avaliou que entrar em confronto judicial com o ministro poderia produzir efeitos políticos indesejados para o governo Lula.

AGU vê pressão da PF sobre Jorge Messias

A tensão começou a ganhar espaço depois que a Polícia Federal procurou a AGU para tentar reverter decisões tomadas por André Mendonça em investigações conduzidas pela corporação. Entre os pontos envolvidos estavam determinações relacionadas ao acesso aos dados brutos dos procedimentos, medida que provocou atritos entre investigadores e o gabinete do ministro. A resistência da AGU em adotar a estratégia defendida pela PF acabou se transformando em um dos elementos centrais da disputa institucional.

De acordo com a avaliação de integrantes do governo, um embate direto entre Messias e Mendonça não atenderia ao objetivo pretendido pela Polícia Federal. O receio era de que a Advocacia-Geral da União acabasse colocando o governo Lula no centro de uma crise que já envolvia diferentes instituições da República. Por isso, a orientação adotada foi evitar que a AGU assumisse uma posição que pudesse ampliar ainda mais a tensão.

Outro questionamento levantado por interlocutores de Messias envolve a escolha da AGU como instrumento para contestar eventuais irregularidades atribuídas à condução das investigações. Na visão desses aliados, a Procuradoria-Geral da República deveria ser acionada caso houvesse suspeitas de interferência indevida, já que cabe ao Ministério Público exercer o controle externo da atividade policial. Dessa forma, a resistência da AGU foi apresentada como uma decisão institucional, e não necessariamente como resultado de uma relação política entre Messias e Mendonça.

Relatórios da PF aumentaram a tensão no STF

A divulgação dos relatórios utilizados por Alexandre de Moraes para embasar questionamentos contra Mendonça aumentou a pressão sobre diferentes atores envolvidos na crise. Um desses documentos levantou a hipótese de que Messias teria deixado de recorrer de determinadas decisões por manter uma relação política com Mendonça, que teria apoiado sua indicação ao Supremo. A própria natureza dessa afirmação, contudo, precisa ser considerada dentro do contexto de um relatório de inteligência e não como comprovação definitiva de uma irregularidade.

O episódio ocorre depois de semanas de atritos entre a Polícia Federal e o gabinete de Mendonça, principalmente em torno das investigações relacionadas aos casos do INSS e do Banco Master. A AGU havia resistido à pressão para recorrer judicialmente contra medidas determinadas pelo ministro e preferiu buscar uma solução institucional para reduzir a tensão. Em agosto, Messias chegou a articular uma reunião entre integrantes do governo e Mendonça para tentar preservar a relação entre a PF e o gabinete do magistrado.

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, posteriormente procurou Mendonça, mas, segundo integrantes do governo, o conflito já havia alcançado um nível elevado. Apesar das divergências envolvendo a atuação da corporação, Rodrigues continuou contando com a confiança do presidente Lula e de integrantes do governo. O caso, portanto, passou a reunir questões jurídicas, institucionais e políticas em uma crise que envolve diretamente o funcionamento do STF.

Jorge Messias fica no centro da disputa institucional

Para os aliados de Messias, a exposição do advogado-geral em documentos relacionados à crise deve ser analisada com cautela, principalmente porque as conclusões apresentadas pela PF são interpretações de inteligência. A avaliação predominante nesse grupo é que o nome do chefe da AGU acabou sendo colocado no centro de uma disputa que originalmente envolvia os investigadores e André Mendonça. O temor é que a controvérsia seja utilizada para pressionar o governo a assumir uma posição mais agressiva contra o ministro do STF.

A crise envolvendo Messias, Mendonça e a Polícia Federal mostra como as disputas institucionais passaram a se entrelaçar em um momento de elevada tensão no Supremo Tribunal Federal. Enquanto a PF questiona decisões do ministro, a AGU tenta preservar sua posição institucional e evitar que o governo seja arrastado para o conflito. O desfecho dessa disputa poderá influenciar tanto a relação entre as instituições quanto os próximos capítulos da crise que envolve o STF.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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