Lula lamenta adiamento da votação do fim da 6×1 no Senado: “Uma pena”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manifestou nesta sexta-feira (4) sua insatisfação com o adiamento da votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da jornada de trabalho no modelo 6×1. A proposta, aprovada nesta semana pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, não deverá ser analisada pelo plenário antes do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro. A decisão colocou novamente o debate sobre a jornada de trabalho no centro das discussões políticas e trabalhistas do país, especialmente entre trabalhadores que defendem mudanças na organização da rotina profissional.
Durante entrevista à rádio Progresso, de Juazeiro do Norte, no Ceará, Lula afirmou que não compreende as razões que levaram ao adiamento. O presidente disse esperar que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), cumpra o compromisso de levar a proposta ao plenário depois do primeiro turno. “Não sei quais as razões que o presidente do Senado teve pra fazer isso”, declarou Lula. Segundo o chefe do Executivo, a expectativa agora é de que a matéria avance assim que terminar a primeira etapa do processo eleitoral. A manifestação reforça a importância que o governo atribui ao tema e mantém a redução da jornada entre as pautas de maior destaque defendidas pelo presidente.
A PEC que trata da escala 6×1 estabelece uma mudança nas regras relacionadas à jornada semanal e ganhou espaço no debate nacional por propor uma nova relação entre tempo de trabalho e descanso. Atualmente, o modelo permite que o trabalhador cumpra seis dias consecutivos de atividade antes de ter um dia de folga, realidade presente em diferentes setores da economia. A discussão envolve interesses de trabalhadores, empresas e parlamentares, que avaliam possíveis impactos sobre produtividade, custos, geração de empregos e qualidade de vida. Por se tratar de uma alteração constitucional, a proposta ainda precisa passar por etapas de análise e votação antes de qualquer mudança efetiva nas regras.
O adiamento também ocorre em um momento de intensa movimentação no Congresso Nacional. Além da PEC relacionada à jornada de trabalho, a PEC da Segurança Pública permanece aguardando apreciação pelo plenário do Senado. As duas propostas estão entre os assuntos considerados prioritários pelo governo. Apesar de lamentar a postergação da votação da escala 6×1, Lula destacou que outras matérias consideradas relevantes avançaram durante a semana de esforço concentrado no Legislativo. Entre elas está a medida provisória que altera a tributação sobre compras internacionais de pequeno valor, além de iniciativas voltadas à instalação de data centers e à criação de uma política nacional para minerais considerados críticos e estratégicos.
A declaração de Lula ocorreu durante uma agenda no Ceará, onde o presidente participa de compromissos institucionais e atividades relacionadas ao período eleitoral. O debate sobre a escala 6×1, porém, ultrapassa o ambiente político e alcança diretamente milhões de trabalhadores e empregadores que acompanham as possíveis mudanças. Para os defensores da proposta, a revisão da jornada pode representar uma oportunidade de ampliar o período de descanso e equilibrar melhor as responsabilidades profissionais e pessoais. Já setores empresariais acompanham a tramitação atentos aos efeitos que uma eventual alteração constitucional poderá produzir sobre diferentes atividades econômicas.
Diante do adiamento, a próxima data decisiva para a proposta será após o primeiro turno das eleições. Davi Alcolumbre afirmou que a PEC será levada ao plenário depois da votação de 4 de outubro, dando uma sinalização sobre o calendário esperado para a análise. O compromisso foi apresentado após o senador Paulo Paim (PT-RS), um dos parlamentares que há anos defendem a redução da jornada, pedir que o tema seja apreciado ainda nesta legislatura. Com isso, a discussão sobre o fim da escala 6×1 permanece em aberto e deve ganhar ainda mais espaço nas próximas semanas, enquanto trabalhadores, empresas e parlamentares aguardam os próximos passos de uma proposta que pode alterar significativamente a organização das jornadas no Brasil.





