Vice de Flávio descarta “surpresas” e afirma que Dark Horse está superado

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) tenta deixar para trás um dos episódios que mais geraram questionamentos em torno da candidatura. Nesta segunda-feira (31), o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), escolhido para ocupar a posição de vice na chapa, afirmou que o desgaste provocado pelas informações sobre repasses de Daniel Vorcaro para o filme Dark Horse já foi superado. Em declaração durante evento promovido pelo BTG Pactual, em São Paulo, Gaspar disse ainda não acreditar que novas informações relacionadas ao candidato venham a alterar o cenário eleitoral. A avaliação reforça uma estratégia adotada pelo próprio Flávio nas últimas semanas: transmitir aos aliados e ao eleitorado a mensagem de que o assunto está encerrado e não representa mais um obstáculo para a campanha.
O posicionamento, porém, ocorre em meio a uma investigação que ainda está em andamento e que havia provocado preocupação entre integrantes do grupo político de Flávio. Em julho, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de um inquérito solicitado pela Polícia Federal e respaldado por manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). A apuração envolve aproximadamente R$ 61 milhões destinados por Vorcaro a um fundo localizado no Texas e relacionado a pessoas próximas de Eduardo Bolsonaro. O objetivo é esclarecer a origem, a movimentação e a destinação dos recursos, além de verificar se o dinheiro foi empregado integralmente na produção do longa-metragem sobre Jair Bolsonaro. A existência da investigação fez crescer, nos bastidores, a expectativa sobre possíveis novos elementos durante o período eleitoral.
Ao comentar o assunto, Alfredo Gaspar adotou tom de confiança e afirmou que não espera novas revelações capazes de atingir o candidato. Segundo ele, o episódio inicialmente provocou desconfiança, mas as explicações apresentadas posteriormente teriam sido suficientes para reduzir os questionamentos. O deputado também afirmou que, após acompanhar Flávio mais de perto durante o último mês, percebeu no candidato uma preocupação com a necessidade de evitar situações inesperadas durante a disputa presidencial. A declaração acompanha a linha defendida pelo próprio Flávio, que recentemente classificou o caso como uma “página virada” e sustentou que a prestação de contas referente à cinebiografia de seu pai já havia sido apresentada. Para a campanha, a prioridade agora é impedir que o tema volte a ocupar espaço central no debate eleitoral.
A versão apresentada por Gaspar também segue a explicação dada anteriormente por Flávio sobre sua relação com Vorcaro. De acordo com o deputado, o candidato buscava recursos para viabilizar o filme e chegou ao banqueiro por meio de indicações de terceiros. Gaspar afirmou ainda que, durante o período em que Jair Bolsonaro esteve na Presidência, Flávio não conhecia Vorcaro e não teria promovido medidas ou iniciativas em benefício do empresário. Entretanto, documentos, mensagens e áudios tornados públicos mostram que Flávio procurou financiamento para Dark Horse por intermédio de outras pessoas e manteve contato com Vorcaro desde 2024. Os registros também indicam que houve conversas sobre parcelas destinadas à produção e encontros posteriores entre os dois, inclusive no fim de 2025. Flávio declarou que a reunião teve como finalidade tratar de pendências relacionadas ao financiamento do projeto.
Os questionamentos não ficaram restritos aos recursos destinados ao filme. Outro episódio envolveu pagamentos recebidos pelo escritório de advocacia de Flávio, no valor de R$ 500 mil, feitos por uma empresa ligada a uma consultoria que recebeu R$ 57,9 milhões do Banco Master entre 2024 e 2025. Também foram emitidas duas notas fiscais, somando R$ 1 milhão, diretamente para a consultoria, mas os documentos acabaram cancelados. Flávio afirmou que realizou serviços jurídicos para a empresa responsável pela contratação e negou qualquer ligação entre os pagamentos recebidos e recursos do banco de Vorcaro. As informações, somadas à investigação sobre o financiamento do filme, mantiveram o tema no radar político e explicam a cautela demonstrada por aliados ao longo dos últimos meses.
Mesmo diante desse histórico, Flávio Bolsonaro procura apresentar a candidatura como preparada para seguir adiante sem novos sobressaltos relacionados ao caso. Nos bastidores, aliados chegaram a temer que a investigação autorizada pelo STF pudesse produzir informações adicionais durante a campanha, aumentando a pressão sobre o candidato. Agora, a equipe tenta reduzir esse ambiente de incerteza e concentrar a atenção nas próximas etapas da disputa presidencial. Alfredo Gaspar, por sua vez, reforçou que acredita nas explicações apresentadas e que não espera novas situações envolvendo o cabeça da chapa. A aposta da campanha é transformar um assunto que já provocou desgaste em um capítulo superado, enquanto a investigação segue seu curso e o eleitorado acompanha os próximos movimentos da corrida eleitoral.





