Embate entre Moraes e Mendonça deixou o PT em alerta máximo e se tornou a grande preocupação de Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva estaria acompanhando com preocupação o embate entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, que ganhou novas proporções nos últimos dias. Segundo reportagem da revista Veja, publicada neste sábado, 5 de setembro, o presidente estaria especialmente atento aos possíveis efeitos políticos e eleitorais da crise envolvendo integrantes do Supremo Tribunal Federal. Entre os pontos que mais preocupam Lula estaria a associação de sua imagem à de Moraes em um momento de forte desgaste público envolvendo o ministro.
De acordo com a publicação, pesquisas internas do Palácio do Planalto indicariam que a proximidade entre Lula e Alexandre de Moraes teria potencial para provocar perda de votos nas eleições de 2026. A reportagem afirmou que essa avaliação estaria influenciando a maneira como o presidente passou a se manifestar sobre a crise no STF. O levantamento mencionado pela Veja, contudo, não teve seus números detalhados publicamente na reportagem.
A preocupação teria ganhado peso depois que André Mendonça tornou públicas informações relacionadas às mensagens trocadas entre Moraes e o empresário Daniel Vorcaro, no contexto das investigações envolvendo o Banco Master. Segundo a Veja, Lula também demonstrou preocupação com a possibilidade de o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, ser atingido pelo conflito entre os ministros. O cenário teria sido discutido pelo presidente em conversas recentes com o presidente do STF, Edson Fachin, e com o ministro Gilmar Mendes.
Lula tenta se distanciar de Alexandre de Moraes em meio à crise
A associação entre Lula e Moraes passou a receber atenção especial porque os dois mantiveram proximidade institucional nos últimos anos, especialmente depois dos ataques de 8 de janeiro de 2023. Conforme a reportagem da Veja, integrantes do governo avaliam que essa relação poderia ser explorada politicamente durante a campanha eleitoral. Por isso, a postura pública adotada pelo presidente passou a evitar uma defesa nominal do ministro diante das controvérsias recentes.
Na quinta-feira, 3 de setembro, Lula publicou um vídeo nas redes sociais no qual defendeu que todas as pessoas envolvidas nas investigações fossem submetidas à apuração, sem blindagem. Embora tenha feito referência ao escândalo envolvendo o Banco Master e defendido a continuidade das investigações, o presidente não citou Moraes nominalmente. A manifestação foi interpretada pela própria reportagem como parte de uma estratégia para não vincular diretamente o presidente ao ministro durante a crise.
A movimentação também ocorreu enquanto o conflito entre Moraes e Mendonça avançava dentro do próprio Supremo. Moraes havia pedido uma investigação contra Mendonça, enquanto Fachin determinou que o caso fosse tratado separadamente do Inquérito das Fake News e deu prazo para manifestações dos envolvidos. Dessa forma, o episódio passou a ser conduzido sob a presidência de Fachin, em uma tentativa de estabelecer um procedimento institucional para analisar as acusações.
Crise no STF amplia preocupação no Palácio do Planalto
Outro ponto destacado pela Veja foi a situação de Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, citado nas acusações e avaliações relacionadas ao conflito entre os ministros. Segundo o relato publicado pela revista, Mendonça teria questionado a proximidade de Rodrigues com Lula e levantado a possibilidade de afastamento do chefe da corporação. Essas informações foram apresentadas pela reportagem como parte das razões pelas quais o presidente estaria preocupado com a possibilidade de a crise alcançar diretamente o Palácio do Planalto.
A publicação também relatou que parte dos ministros do STF estaria insatisfeita com a relação institucional de Rodrigues com o presidente da República. Segundo a reportagem, integrantes da Corte considerariam que o acesso direto do diretor-geral da PF ao presidente poderia alimentar suspeitas sobre a utilização política da corporação. O conteúdo atribuído ao relatório de inteligência divulgado por Moraes registrou que Mendonça teria manifestado desconfiança em relação à proximidade entre Rodrigues e Lula.
Nesse cenário, a crise passou a envolver simultaneamente o Supremo, a Polícia Federal e o governo federal, criando uma situação de forte sensibilidade institucional. A avaliação publicada pela Veja é de que Lula estaria tentando administrar os efeitos políticos do episódio sem assumir uma posição de defesa pessoal de Moraes. Paralelamente, o presidente teria buscado interlocução com diferentes integrantes do STF para acompanhar os desdobramentos e evitar que o conflito avançasse para áreas diretamente ligadas ao Executivo.
Proximidade com Moraes entra no cálculo eleitoral de Lula
A questão eleitoral aparece como um dos principais elementos da análise publicada pela Veja, especialmente diante da proximidade das eleições de 2026. Segundo a reportagem, pesquisas internas citadas por interlocutores do governo apontariam que a associação entre Lula e Moraes poderia representar um fator de perda de votos para o presidente. Trata-se de uma informação atribuída pela revista às pesquisas internas do Planalto, sem divulgação pública dos levantamentos ou de seus números detalhados.
Com a crise ainda em andamento, Lula passou a adotar um discurso centrado na defesa das investigações e na ideia de que nenhuma pessoa deveria receber tratamento privilegiado. A estratégia permite ao presidente falar sobre o caso sem declarar apoio específico a um dos ministros envolvidos no conflito. Os próximos movimentos de Lula deverão ocorrer em um ambiente no qual as repercussões institucionais do embate entre Moraes e Mendonça continuam sendo acompanhadas também sob a perspectiva eleitoral.





