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Augusto Cury está crescendo nas pesquisas e os adversários se mostram preocupados

André Janones reagiu ao crescimento de Augusto Cury nas pesquisas presidenciais e fez um alerta aos apoiadores de Lula e Flávio Bolsonaro nas redes sociais. Depois de Cury saltar de 2% para 11% das intenções de voto na pesquisa BTG/Nexus, o deputado pediu que os militantes parem de citar, criticar e atacar o candidato do Avante. Para Janones, a exposição negativa pode acabar produzindo exatamente o efeito contrário ao desejado, aumentando a curiosidade do eleitor e fazendo com que os algoritmos entreguem ainda mais conteúdos sobre Cury.

A declaração ocorreu depois de uma semana de forte crescimento do escritor na disputa presidencial de 2026. Com nove pontos percentuais a mais em relação ao levantamento anterior, Cury passou a ocupar a terceira colocação, atrás apenas de Lula e Flávio Bolsonaro. O resultado chamou atenção porque o candidato ainda era pouco conhecido nacionalmente e, em um intervalo bastante curto, passou a disputar uma parcela relevante do eleitorado que não está concentrada nos dois principais nomes da eleição.

Janones argumentou que as redes sociais não fazem necessariamente uma distinção entre uma publicação favorável ou negativa quando identificam que determinado personagem está recebendo muita atenção. Na avaliação dele, quanto mais os adversários mencionarem Cury, maior poderá ser a distribuição de conteúdos relacionados ao candidato. Por isso, o deputado defendeu que os grupos políticos deixem de transformar o candidato do Avante em um dos principais assuntos da campanha.

André Janones vê risco em ataques contra Augusto Cury

A estratégia defendida por Janones está relacionada ao funcionamento dos algoritmos das plataformas digitais. Segundo o deputado, uma publicação que critique Cury ainda pode contribuir para que o nome do candidato seja identificado como um assunto relevante e, consequentemente, receba maior distribuição entre usuários interessados em política. Dessa forma, uma campanha de críticas poderia acabar funcionando como uma espécie de publicidade involuntária para um candidato que cresceu rapidamente nas pesquisas.

Para sustentar seu argumento, Janones citou a trajetória de Jair Bolsonaro durante a eleição presidencial de 2018. Na interpretação apresentada pelo deputado, setores da esquerda contribuíram para aumentar o conhecimento sobre Bolsonaro ao falar repetidamente sobre ele, inclusive por meio de críticas e ataques. Janones afirmou que algo semelhante poderia estar começando a acontecer com Cury, embora sejam situações eleitorais diferentes e não seja possível estabelecer uma relação automática entre os dois casos.

O deputado também questionou a origem da exposição que Cury passou a receber nas redes sociais. Sem apresentar evidências, Janones levantou a hipótese de que páginas de fofoca poderiam estar sendo utilizadas por uma eventual agência contratada para ampliar a divulgação do candidato. Ele próprio reconheceu, porém, que esse tipo de estratégia pode produzir um resultado inesperado, pois a repetição do nome de Cury poderia levar eleitores a pesquisar quem é o candidato e conhecer suas propostas.

Augusto Cury salta para 11% e muda cenário eleitoral

A preocupação de Janones ganhou força justamente porque Cury apresentou um crescimento muito expressivo na pesquisa BTG/Nexus. O candidato passou de 2% para 11% das intenções de voto entre os levantamentos realizados em 24 e 31 de agosto, uma evolução de nove pontos percentuais. Com isso, Cury tornou-se o principal nome da chamada terceira via no cenário analisado e passou a aparecer em uma faixa de votação que o colocou mais próximo dos dois líderes.

Enquanto Cury avançou, Lula passou de 41% para 39% e Flávio Bolsonaro caiu de 37% para 33%. Ronaldo Caiado permaneceu com 5%, Renan Santos ficou em 3% e Romeu Zema recuou de 3% para 1%, mostrando que a pesquisa também registrou mudanças entre os demais concorrentes. A liderança de Lula foi mantida, mas sua vantagem sobre Flávio aumentou de quatro para seis pontos porque o candidato do PL perdeu mais pontos no intervalo.

O crescimento de Cury também apareceu na pesquisa espontânea, na qual os entrevistados não recebem uma lista com os nomes dos candidatos. Nesse recorte, o candidato passou de menos de 1% para 8%, um avanço ainda mais significativo porque demonstra que seu nome começou a ser lembrado por uma parcela maior dos eleitores sem que fosse apresentado previamente. O resultado reforçou a percepção de que a candidatura ganhou visibilidade em um período muito curto.

Janones quer evitar que Cury vire protagonista da eleição

Ao pedir que os apoiadores de Lula parem de falar de Cury, Janones também deixou clara sua prioridade eleitoral ao afirmar que, na visão dele, o principal adversário continua sendo Flávio Bolsonaro. A orientação mostra que o deputado considera arriscado permitir que Cury conquiste ainda mais espaço no debate público justamente quando a disputa entre Lula e Flávio concentra grande parte da atenção nacional. Para essa estratégia, reduzir a exposição do candidato do Avante seria uma maneira de evitar que ele se consolide como uma alternativa competitiva no campo político que hoje está dividido entre diferentes candidaturas.

O alerta de Janones revela, portanto, uma mudança importante provocada pelo crescimento de Augusto Cury na eleição de 2026. Ainda não é possível afirmar que os 11% representem uma tendência consolidada, mas o salto registrado em apenas uma semana já foi suficiente para obrigar adversários a discutir como reagir ao fenômeno. Se Cury continuar crescendo, ignorá-lo poderá se tornar uma estratégia difícil de sustentar, mas atacá-lo repetidamente também poderá ampliar sua exposição, exatamente como Janones advertiu aos apoiadores de Lula e Flávio.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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