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Gilmar Mendes quer mudar o regime e impedir a Polícia Federal nos gabinetes dos ministros

A proposta apresentada pelo ministro Gilmar Mendes para impedir a presença de delegados da Polícia Federal nos gabinetes do Supremo Tribunal Federal passou a provocar novos questionamentos em Brasília. A medida, segundo o colunista Elijonas Maia, da CNN Brasil, contraria uma decisão adotada recentemente pelo Ministério da Justiça sobre a permanência de servidores da corporação cedidos a outros órgãos. O tema ganhou ainda mais repercussão em meio à crise que envolve integrantes do STF e a Polícia Federal.

De acordo com a apuração de Elijonas Maia, Gilmar Mendes formalizou uma proposta para alterar as regras internas da Corte e impedir que delegados da PF atuem nos gabinetes dos ministros. A iniciativa recebeu apoio do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, que declarou à CNN ter dado “total apoio” à sugestão apresentada pelo decano do Supremo. A mudança, no entanto, entra em choque com a avaliação feita pelo Ministério da Justiça sobre a importância desses profissionais para determinadas atividades dentro do tribunal.

O impasse ocorre justamente quando a atuação de delegados cedidos ao STF passou a ser considerada estratégica em investigações de grande repercussão. Cinco servidores da Polícia Federal que trabalhavam na Corte foram preservados de uma convocação feita pelo Ministério da Justiça em julho, justamente porque a pasta avaliou que o trabalho desenvolvido nos gabinetes era necessário. A decisão havia sido tomada em um momento no qual diferentes órgãos federais receberam determinações para devolver servidores cedidos à PF.

Proposta de Gilmar sobre delegados divide órgãos federais

Em julho, o Ministério da Justiça determinou a convocação de 52 servidores da Polícia Federal que estavam cedidos a outras instituições. A medida alcançou diferentes órgãos, incluindo o Superior Tribunal de Justiça, a Advocacia-Geral da União, a Defensoria Pública da União, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras e unidades da Justiça Federal. No caso do STF, contudo, os cinco delegados que atuavam como assessores de ministros foram inicialmente mantidos, pois o trabalho deles foi considerado necessário em razão dos inquéritos relatados pelos magistrados.

A situação ficou ainda mais delicada diante das investigações relacionadas ao caso Master e às fraudes envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social. O ministro André Mendonça é relator dos dois casos e conta com delegados da PF em seu gabinete, o que fez surgir dúvidas sobre os possíveis impactos de uma eventual retirada desses profissionais. Depois de ser pressionado sobre a situação, o ministro da Justiça decidiu não convocar os delegados que trabalhavam diretamente com Mendonça e passou a avaliar a situação individualmente.

Segundo Elijonas Maia, a decisão do Ministério da Justiça também precisa ser analisada dentro do contexto mais amplo da relação entre a Polícia Federal e o Supremo. Atualmente, há delegados da PF nos gabinetes de ministros como André Mendonça, Alexandre de Moraes e Luiz Fux, desempenhando funções de assessoramento e apoio técnico. A proposta de Gilmar Mendes, portanto, poderá modificar uma prática que vinha sendo utilizada dentro da Corte e que recebeu tratamento específico por parte do governo federal.

Proposta de Gilmar sobre delegados ocorre em meio à crise no STF

A iniciativa de Gilmar Mendes surgiu em um período de forte tensão dentro do Supremo, especialmente após a divulgação de informações relacionadas ao caso Master. A crise envolveu diretamente os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, além de provocar questionamentos sobre procedimentos adotados pela Polícia Federal durante a produção de documentos utilizados na disputa interna da Corte. Nesse ambiente, a discussão sobre a presença de delegados nos gabinetes passou a ter um peso institucional muito maior.

Para Gilmar, a permanência de integrantes de forças policiais dentro dos gabinetes dos ministros deve ser revista por meio de uma mudança no regimento interno do Supremo. A proposta prevê restrições à atuação de policiais e militares em funções comissionadas, com exceção das atividades relacionadas à segurança dos ministros e das instalações da Corte. Caso seja aprovada, a regra também poderá atingir profissionais que atualmente exercem funções de assessoramento nos gabinetes.

A sugestão também provocou reação entre delegados da Polícia Federal, que contestaram a ideia de que a presença desses profissionais represente um problema institucional. Entidades da categoria argumentaram que os delegados cedidos ao STF prestam apoio técnico aos ministros e possuem experiência específica em investigações complexas. Para os críticos da proposta, a discussão sobre esses servidores não deveria ser utilizada para deslocar o foco da crise que atualmente atinge o Supremo e envolve diferentes autoridades.

Ministério da Justiça mantém posição diferente da proposta

O contraste entre a proposta apresentada por Gilmar Mendes e a posição adotada pelo Ministério da Justiça coloca em evidência uma divergência sobre o papel dos delegados da PF dentro do Supremo. Enquanto a iniciativa do ministro busca impedir que esses profissionais permaneçam nos gabinetes, a pasta comandada pelo ministro da Justiça havia concluído que determinados servidores deveriam continuar cedidos devido à natureza do trabalho realizado. A diferença de entendimento poderá gerar novos debates sobre a autonomia administrativa do STF e a relação institucional com a Polícia Federal.

A informação foi publicada neste domingo, 6 de setembro de 2026, pelo jornalista Elijonas Maia, em seu blog na CNN Brasil, e ocorre em um momento no qual a atuação da Polícia Federal dentro do Supremo está sob intensa atenção. A proposta ainda deverá passar pelas instâncias responsáveis pela análise do regimento interno da Corte antes de uma eventual decisão definitiva. O desfecho poderá definir não apenas o futuro dos delegados atualmente cedidos ao STF, mas também os limites da colaboração entre a Polícia Federal e o tribunal.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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