Últimas Notícias

Augusto Cury falou sobre como pretende montar seu governo, caso seja eleito para a Presidência

O candidato à Presidência da República Augusto Cury, do Avante, afirmou nesta segunda-feira (7) que não pretende fazer um “balcão de negócios” em um eventual governo. A declaração foi dada durante uma sabatina da Jovem Pan, na qual o presidenciável também afirmou que pretende enfrentar Luiz Inácio Lula da Silva em um eventual segundo turno das eleições de 2026. Cury declarou que considera ser o “pesadelo” do atual presidente e disse que pretende “aposentar Lula” da política nacional.

Durante a entrevista, Cury defendeu uma relação diferente com o Congresso Nacional, baseada no diálogo e na negociação de propostas. O candidato afirmou que não pretende distribuir cargos em troca de apoio político e disse que a escolha de integrantes de uma eventual equipe de governo seria baseada em competência e especialidade. Segundo ele, sua intenção é montar um “time de ouro” para administrar o país, sem transformar ministérios e órgãos públicos em espaços destinados a partidos.

A fala ocorreu em meio à tentativa de Cury de se apresentar como uma alternativa aos principais polos da disputa presidencial. O candidato tem procurado ocupar um espaço próprio na eleição, defendendo uma postura de diálogo e criticando a polarização política que marcou os últimos anos. Ao mesmo tempo, ele passou a adotar um discurso mais direto contra Lula ao projetar um possível confronto entre os dois no segundo turno.

Cury diz que não fará balcão de negócios

Ao falar sobre a relação com o Congresso, Cury afirmou que não recorreria a um sistema de distribuição de cargos para conseguir apoio parlamentar. O candidato reconheceu o peso do Legislativo na condução do governo e disse que pretende conversar abertamente com deputados e senadores para convencer os parlamentares sobre suas propostas. Para ele, o diálogo seria o principal instrumento para construir uma base política sem recorrer ao loteamento de posições.

Cury também afirmou que já mantém conversas com diferentes lideranças políticas, mas ressaltou que isso não significa que essas pessoas tenham sido convidadas para ocupar cargos em seu eventual governo. Entre os nomes citados por ele estão Marcos Pereira, Renata Abreu, Aécio Neves e Paulinho da Força, além dos governadores Ronaldo Caiado, Ratinho Júnior e Eduardo Leite. O presidenciável explicou que os contatos fazem parte de uma tentativa de ampliar o diálogo político e conhecer diferentes posições antes de uma eventual composição administrativa.

A proposta de formar uma equipe sem levar em conta exclusivamente a filiação partidária é uma das bandeiras utilizadas por Cury para tentar se diferenciar dos adversários. O candidato afirmou que não pretende construir uma carreira política tradicional e que sua prioridade seria escolher profissionais considerados preparados para cada área do governo. Dessa maneira, Cury tenta associar sua candidatura à ideia de renovação administrativa e de redução das negociações envolvendo cargos públicos.

Cury mira Lula em eventual segundo turno

Ao tratar diretamente da disputa presidencial, Cury afirmou que Lula teria preferência por enfrentar Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno. Na avaliação do candidato do Avante, porém, o cenário seria diferente caso ele próprio chegasse à segunda etapa da eleição. Cury disse que seria o “pesadelo” de Lula e afirmou que pretende “aposentar” o atual presidente da disputa política.

A declaração reforçou uma estratégia que Cury já vinha apresentando nos últimos dias. Na sexta-feira (4), ele havia afirmado que já tinha escolhido Lula como seu adversário em um eventual segundo turno e disse acreditar que ainda existia margem para crescer na corrida eleitoral. O candidato tenta, portanto, transformar o avanço nas pesquisas em uma narrativa de competitividade diante dos nomes que hoje ocupam posições de maior destaque na disputa.

Cury também apresentou propostas econômicas durante a sabatina, entre elas a promessa de financiar pelo menos 10 milhões de microempresas em um período de oito a dez anos. O candidato afirmou ainda que pretende dividir o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES, já na primeira semana de um eventual governo. A proposta foi apresentada como parte de uma estratégia voltada ao empreendedorismo e à ampliação do acesso de pequenos negócios a recursos financeiros.

Cury tenta ganhar espaço na corrida presidencial

A ofensiva de Cury ocorre em uma eleição marcada pela disputa entre diferentes projetos e pela tentativa de candidatos de conquistar eleitores que não se identificam com os grupos políticos tradicionais. O presidenciável do Avante busca se apresentar como uma alternativa ao confronto direto entre Lula e nomes ligados ao bolsonarismo, defendendo uma candidatura centrada no diálogo e na gestão. Sua declaração sobre “aposentar Lula”, contudo, mostra que a campanha também pretende explorar um confronto direto com o petista caso essa possibilidade se concretize.

Com a campanha presidencial avançando, Cury deverá buscar ampliar sua exposição e transformar suas propostas econômicas e administrativas em votos. A rejeição ao chamado “balcão de negócios”, a defesa de uma equipe escolhida por critérios técnicos e o discurso de enfrentamento a Lula passaram a compor uma mensagem central de sua candidatura. O desafio será converter essa estratégia em crescimento eleitoral suficiente para colocá-lo entre os nomes com condições reais de chegar ao segundo turno.

Mostrar mais

Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *