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Alcolumbre já deu sinal de que, caso senadores forcem saída de Moraes, impeachment de Mendonça será analisado

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), sinalizou a parlamentares que um eventual avanço de um pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), poderia ser acompanhado pela análise de uma medida semelhante contra André Mendonça. A possibilidade foi descrita nos bastidores do Congresso como um “impeachment cruzado”, em meio ao aumento da pressão política sobre o Supremo. A informação foi divulgada pelo jornalista Armando Holanda, do Correio Braziliense, em reportagem publicada em 5 de setembro de 2026.

Segundo a apuração do Correio Braziliense, Alcolumbre teria transmitido a parlamentares que, caso a pressão para que o Senado analisasse um processo contra Moraes se tornasse insustentável, também poderia permitir o andamento de um pedido envolvendo Mendonça. A sinalização teria sido recebida por integrantes do Centrão como uma forma de conter a escalada da disputa e evitar que apenas um ministro da Corte fosse colocado sob pressão política. Até o momento, porém, não havia decisão formal do presidente do Senado para abrir ou pautar qualquer dos processos.

A discussão ocorre em um momento de forte tensão entre integrantes do STF e de crescente cobrança de parlamentares para que pedidos de impeachment sejam analisados pelo Senado. Pela legislação e pelas regras institucionais da Casa, cabe ao presidente do Senado decidir sobre o andamento de representações dessa natureza contra ministros do Supremo. Dessa forma, a posição de Alcolumbre ganhou relevância justamente porque qualquer eventual avanço dependeria de uma decisão da presidência da Casa.

Impeachment cruzado colocaria Moraes e Mendonça no centro da disputa

A expressão “impeachment cruzado” passou a ser utilizada para descrever a possibilidade de que um movimento contra Moraes fosse acompanhado por uma iniciativa semelhante contra Mendonça. Na prática, a estratégia mencionada por parlamentares seria colocar os dois ministros sob análise política, caso a pressão sobre o Senado alcançasse um nível considerado difícil de administrar. A informação, contudo, não significa que Alcolumbre tenha decidido instaurar os procedimentos ou que os dois ministros estejam formalmente submetidos a processos de impeachment.

O cenário ganhou novos contornos depois de Moraes encaminhar ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, elementos relacionados à atuação de Mendonça. No despacho citado nas reportagens, Moraes apontou, segundo sua própria avaliação, possíveis indícios que poderiam configurar crime de responsabilidade e defendeu que os fatos fossem submetidos à análise institucional. As alegações fazem parte de uma disputa institucional entre os ministros e não representam uma conclusão definitiva sobre eventual responsabilidade de Mendonça.

A possibilidade de uma reação contra Mendonça também chamou atenção porque o ministro foi indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, enquanto Moraes se tornou um dos principais alvos de críticas de setores da oposição. Nesse contexto, a hipótese apresentada por Alcolumbre teria sido interpretada por parlamentares como uma forma de estabelecer que uma eventual ofensiva contra um integrante da Corte poderia gerar consequência semelhante para outro. O presidente do Senado, contudo, não anunciou publicamente uma decisão de abrir os dois processos.

Pressão contra Moraes aumenta no Senado

A pressão pela análise de um pedido de impeachment contra Moraes continuou sendo manifestada por diferentes senadores. Entre os parlamentares que defenderam a abertura de um processo está Carlos Viana (PSD-MG), enquanto Alessandro Vieira (MDB-SE) protocolou uma representação por suposto crime de responsabilidade, segundo a reportagem do Correio Braziliense. A existência desses pedidos, entretanto, não significa que tenham sido aceitos ou transformados automaticamente em processos de impeachment.

A representação apresentada por Alessandro Vieira envolve questionamentos relacionados a possíveis conflitos de interesse envolvendo Moraes, sua mulher, Viviane Barci de Moraes, e o banqueiro Daniel Vorcaro. Senadores de diferentes grupos políticos aparecem entre os apoiadores da iniciativa, segundo a reportagem, mostrando que a discussão ultrapassou uma única corrente partidária. Ainda assim, a tramitação depende da análise política e regimental do Senado, sob responsabilidade de sua presidência.

Do outro lado da disputa, a eventual inclusão de Mendonça em uma análise semelhante acrescentaria uma nova dimensão à crise envolvendo o Supremo. A estratégia descrita por parlamentares como “impeachment cruzado” poderia fazer com que qualquer movimento contra um ministro fosse acompanhado pela discussão sobre outro integrante da Corte. Por isso, a sinalização atribuída a Alcolumbre passou a ser interpretada nos bastidores como uma tentativa de evitar que o Senado fosse levado a agir contra apenas um dos ministros.

Alcolumbre ainda não decidiu abrir os processos

Apesar da repercussão da informação, é importante destacar que a sinalização relatada pelo Correio Braziliense não equivale a uma decisão oficial de Alcolumbre. A reportagem informa que o movimento teria sido apresentado como uma possibilidade caso a pressão para analisar o impeachment de Moraes se tornasse insustentável. Portanto, os dois pedidos permaneciam sujeitos às decisões políticas e regimentais do Senado.

O chamado “impeachment cruzado” ocorre, portanto, em meio a uma disputa institucional que envolve o Supremo, o Senado e diferentes grupos parlamentares. A informação publicada por Armando Holanda, do Correio Braziliense, mostra que a possibilidade de analisar simultaneamente pedidos contra Moraes e Mendonça passou a fazer parte das conversas políticas no Congresso. Até que exista uma decisão formal da presidência do Senado, contudo, trata-se de uma sinalização atribuída a Alcolumbre e não da abertura efetiva de processos contra os ministros.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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