Flávio diz que operação Dark Horse é tentativa de golpe

O senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) reagiu à operação da Polícia Federal realizada nesta quinta-feira (10), que investiga a destinação de emendas parlamentares relacionadas à produção do filme *Dark Horse*, obra sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Durante uma transmissão nas redes sociais, o parlamentar classificou a ação como “fajuta” e afirmou que sua defesa pretende apresentar um pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que sejam analisadas as condutas do ministro Flávio Dino.
Segundo Flávio Bolsonaro, a atuação da Polícia Federal teria relação com o cenário eleitoral e representaria uma tentativa de interferência no processo político. O senador declarou que considera necessário investigar uma possível articulação entre integrantes do STF e da própria corporação. As afirmações foram feitas durante sua tradicional transmissão semanal, na qual comentou os principais acontecimentos políticos do dia.
Um dos pontos levantados pelo presidenciável envolve a permanência de Andrei Rodrigues no cargo de diretor-geral da Polícia Federal. Na avaliação de Flávio, a decisão de reintegrá-lo ao comando da instituição, tomada por Flávio Dino depois de uma determinação do ministro André Mendonça, precisa ser analisada. O senador classificou o episódio como uma decisão que, em sua avaliação, não teria respaldo jurídico.
Durante a transmissão, Flávio também relacionou a operação ao período eleitoral. Ele afirmou que faltam poucos dias para a votação e questionou a motivação da investigação neste momento. O parlamentar sustentou que não há irregularidades relacionadas ao filme *Dark Horse* e reiterou sua versão de que a produção teria sido realizada com recursos privados.
“Não tem nada de errado com o filme do Bolsonaro”, afirmou o senador. Segundo ele, a produção teria seguido os procedimentos previstos e não teria recebido recursos públicos de maneira irregular. Flávio também mencionou a produtora Karina Gama, dizendo que ela estaria enfrentando pressão em razão das investigações. O parlamentar não apresentou, durante a transmissão, elementos que comprovassem suas alegações.
A operação da Polícia Federal alcançou 29 pessoas ligadas ao projeto cinematográfico. A investigação busca esclarecer se recursos provenientes de emendas parlamentares foram direcionados de maneira irregular para a produção do filme que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro. A autorização para a ação partiu do ministro Flávio Dino, no âmbito de um procedimento que tramita no STF.
O caso chegou ao Supremo após uma representação apresentada pela deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP). A partir da apuração, autoridades passaram a analisar a destinação dos recursos e a eventual relação entre valores públicos e a realização do longa-metragem. As suspeitas ainda estão sendo investigadas e, até o momento, não representam uma conclusão definitiva sobre a responsabilidade dos envolvidos.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, nega qualquer irregularidade e afirma que a produção cinematográfica recebeu investimento privado. O senador também criticou integrantes do STF e disse considerar que alguns ministros estariam mais preocupados com interesses próprios do que com a preservação das instituições democráticas. As declarações ampliaram o debate político em torno da investigação.
Outro assunto abordado pelo presidenciável foi a atuação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Flávio afirmou ter ficado insatisfeito com a reunião de Alcolumbre com o ministro Alexandre de Moraes, do STF. Para o senador, encontros entre autoridades do Legislativo e do Judiciário precisam ser observados dentro do atual contexto político e institucional.
A reação de Flávio Bolsonaro coloca novamente o filme *Dark Horse* no centro das discussões políticas e jurídicas. A produção, que aborda a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, passou a ser analisada pelas autoridades após questionamentos sobre a origem e a destinação de recursos relacionados ao projeto.
Enquanto a investigação avança, o senador mantém a defesa de que não houve uso irregular de dinheiro público no financiamento do filme. A Polícia Federal deverá reunir informações e documentos para esclarecer a movimentação dos recursos e verificar a existência ou não de irregularidades. Até que as apurações sejam concluídas, as suspeitas permanecem sob análise das autoridades competentes.
O episódio ocorre em um momento de intensa movimentação política, aumentando a repercussão das declarações do presidenciável. A estratégia de Flávio Bolsonaro é contestar publicamente a investigação, apresentar sua versão dos fatos e buscar, por meio de sua defesa, que o STF avalie a atuação dos responsáveis pela condução do caso.
Com a apuração ainda em andamento, os próximos passos deverão concentrar-se na análise dos documentos, na origem dos recursos e nas relações entre as pessoas envolvidas na produção de *Dark Horse*. O resultado dessas diligências poderá esclarecer se houve alguma irregularidade na utilização das emendas parlamentares ou se os recursos empregados no projeto tiveram origem exclusivamente privada, como sustenta Flávio Bolsonaro.





