PF aponta que o senador Flávio Bolsonaro não foi apenas citado em comunicações de algumas pessoas

A Polícia Federal apontou o senador Flávio Bolsonaro como interlocutor direto de Daniel Vorcaro nas tratativas relacionadas ao financiamento do filme “Dark Horse”. A informação consta em uma representação encaminhada pela corporação ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, no âmbito das investigações sobre o Banco Master. Segundo a PF, os registros analisados mostram que o senador participou de cobranças de pagamentos, reuniões e conversas sobre o andamento das gravações.
De acordo com a CNN Brasil, os documentos foram tornados públicos após a retirada do sigilo determinada no âmbito do STF. A representação da PF afirma que Flávio não aparece somente como uma pessoa mencionada em conversas de terceiros, mas teria mantido contatos diretamente com Vorcaro. As informações reunidas pelos investigadores incluem mensagens trocadas entre os dois e registros de possíveis encontros presenciais.
Os investigadores também identificaram comunicações anteriores entre Vorcaro e outras pessoas envolvidas no projeto cinematográfico. Em dezembro de 2024, uma reunião entre o ex-banqueiro e Flávio teria sido agendada para tratar do chamado “filme do presidente”, com a possibilidade de participação do deputado Mário Frias. A partir de 2025, os documentos passaram a registrar novas tratativas relacionadas aos pagamentos e à produção de “Dark Horse”.
PF detalha contatos de Flávio com Vorcaro
Segundo a representação, em agosto de 2025 surgiram registros que indicariam uma interlocução direta entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Um dos documentos aponta para um possível encontro presencial entre os dois em 20 de agosto daquele ano, após mensagens trocadas para combinar a reunião. O contato entre o senador e o ex-banqueiro teria continuado nas semanas seguintes.
Em setembro de 2025, Flávio enviou uma mensagem de áudio a Vorcaro cobrando pagamentos relacionados ao filme. Conforme a PF, o senador demonstrava preocupação com compromissos financeiros envolvendo o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh, nomes ligados à produção. Vorcaro teria respondido pedindo desculpas e afirmando que tentaria solucionar a situação apresentada pelo parlamentar.
As comunicações prosseguiram no mês seguinte, quando Flávio teria informado que as gravações estavam no terceiro dia e que a produção enfrentava dificuldades financeiras. O senador também teria pedido que Vorcaro avisasse caso não conseguisse realizar o aporte necessário, para que fosse buscada outra alternativa. Na mesma ocasião, segundo a PF, houve referência a um jantar com o ator principal e o diretor do filme.
Financiamento de Dark Horse entra na investigação
A PF também analisa os valores destinados ao financiamento de “Dark Horse” e a forma como os recursos foram movimentados. Documentos divulgados no caso indicam que pelo menos US$ 10,6 milhões, equivalentes a cerca de R$ 61 milhões, foram transferidos entre fevereiro e maio de 2025 para financiar o projeto. A apuração busca esclarecer a origem, o destino e a utilização dos recursos relacionados à produção.
Outro conjunto de documentos aponta que Eduardo Bolsonaro teria participado da gestão dos recursos destinados ao filme nos Estados Unidos. Segundo a PF, mensagens atribuídas a Eduardo continham orientações sobre maneiras de administrar o dinheiro relacionado ao projeto fora do Brasil. A investigação também examina se parte desses recursos teria sido utilizada para despesas do deputado no exterior.
A investigação considera ainda registros de contatos entre Flávio e Vorcaro próximos à prisão do ex-banqueiro. Em 16 de novembro de 2025, o senador teria tentado falar com Vorcaro por telefone e, posteriormente, enviado uma mensagem ao empresário. No dia seguinte, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal quando tentava embarcar em um jato particular com destino a Dubai.
Investigação sobre Flávio segue no Supremo
Os documentos que apontam Flávio como interlocutor direto foram produzidos dentro do inquérito que apura possíveis irregularidades relacionadas ao Banco Master e ao financiamento de “Dark Horse”. A investigação considera suspeitas envolvendo corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, sem que a apuração represente uma conclusão definitiva sobre a responsabilidade do senador. Flávio nega irregularidades relacionadas ao financiamento do filme.
Com a retirada do sigilo, novas informações sobre as comunicações entre Flávio, Vorcaro e outras pessoas ligadas ao projeto passaram a integrar o conjunto de documentos públicos do caso. A PF pretende confrontar mensagens, encontros e registros financeiros para esclarecer como foram negociados e utilizados os recursos destinados à produção. As apurações permanecem em andamento no Supremo Tribunal Federal.





