Karina Gama, produtora de Dark Horse, aceitou dar uma entrevista exclusiva à CNN

A produtora Karina Ferreira da Gama, responsável pelo filme Dark Horse, afirmou em entrevista à CNN Brasil que recebeu propostas para colaborar com uma eventual delação premiada. Segundo ela, diferentes pessoas teriam oferecido auxílio jurídico e afirmado possuir contatos capazes de ajudá-la durante as investigações que atingiram a produção. Karina disse que não pretende seguir esse caminho e declarou que não será uma nova versão do tenente-coronel Mauro Cid.
O nome da produtora passou a aparecer no centro das investigações após a Operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal em 10 de setembro para apurar suspeitas envolvendo desvios de emendas parlamentares. Existem ainda dois procedimentos no Supremo Tribunal Federal relacionados ao filme, sendo um deles ligado à apuração de emendas e outro voltado a repasses atribuídos a Daniel Vorcaro após pedidos relacionados ao senador Flávio Bolsonaro. Karina, porém, afirma que sua participação estava restrita à execução do projeto cinematográfico.
Durante a entrevista, a produtora também negou ter participado da administração do fundo responsável pelos recursos de Dark Horse. Ela afirmou que não tinha como função verificar a origem do dinheiro utilizado pelo fundo e que recebeu a contratação para produzir o longa depois que o projeto e o orçamento foram aprovados. A versão apresentada por Karina é de que sua responsabilidade era operacional, enquanto decisões sobre os recursos ficavam fora de sua atribuição.
Karina nega ligação direta com Vorcaro
Karina afirmou que não recebeu dinheiro diretamente de Daniel Vorcaro e negou que a produtora tenha mantido qualquer relação comercial com empresas ligadas ao banqueiro. De acordo com seu relato, os recursos que chegaram ao fundo não eram administrados por ela e a identificação do investidor seria uma questão que não cabia à empresa contratada para realizar o filme. Ela também disse ter tomado conhecimento pela imprensa de informações sobre a origem de determinados recursos.
A produtora explicou que o projeto teve alterações no orçamento ao longo da produção, especialmente porque o custo definitivo só poderia ser conhecido depois da definição de elementos como elenco, locações, equipamentos e quantidade de filmagens. Segundo Karina, o orçamento inicial era uma estimativa e precisou ser ajustado conforme o trabalho avançava. Ela afirmou ainda que o fundo realizou procedimentos de verificação sobre a produtora e seus responsáveis antes da aprovação do projeto.
De acordo com Karina, as dificuldades financeiras começaram a ficar evidentes no final de 2025, quando a equipe já estava envolvida em uma produção planejada para 40 dias de filmagens. Para conseguir concluir o trabalho, diversas etapas teriam sido reduzidas ou simplificadas, conforme os recursos disponíveis diminuíam. A produtora declarou que o custo total chegou a US$ 13,3 milhões e afirmou que, segundo ela, o dinheiro utilizado era privado.
Produtora relata ameaças e ofertas de delação
Além das questões relacionadas ao financiamento do filme, Karina relatou ter enfrentado conflitos com pessoas de seu círculo profissional e pessoal. Ela citou um ex-marido e um ex-fornecedor ao falar sobre episódios que, segundo sua versão, acabaram relacionados às denúncias que posteriormente chegaram às autoridades. A produtora afirmou ainda que teria recebido ameaças e que um ex-fornecedor teria exigido R$ 2,5 milhões para não prejudicar um projeto envolvendo conexão de internet.
Karina contou também que um advogado teria se colocado à disposição para ajudá-la caso decidisse apresentar uma delação premiada. Segundo a produtora, esse profissional teria mencionado possuir bom relacionamento no Supremo Tribunal Federal e oferecido auxílio para uma eventual negociação. Posteriormente, um pastor que seria seu amigo também teria entrado em contato, afirmando conhecer pessoas interessadas em ajudá-la e mencionando novamente a possibilidade de uma colaboração.
A produtora disse que essas abordagens contribuíram para a sensação de pressão durante o período de investigação. Segundo Karina, existe uma expectativa para que ela apresente determinada versão dos acontecimentos, enquanto ela sustenta que não possui informações capazes de incriminar outras pessoas. Ela afirmou que sua atuação foi voltada à produção de Dark Horse e que não participou da captação dos recursos utilizados no projeto.
Karina diz que não será um novo Mauro Cid
Ao ser questionada sobre a possibilidade de assumir um papel semelhante ao de Mauro Cid, Karina rejeitou a comparação. A produtora afirmou que não participou de situações que poderiam permitir que ela incriminasse outras pessoas e sustentou que sua relação com o projeto esteve concentrada na produção cinematográfica. Para ela, a expectativa de que apresente informações contra terceiros não corresponde ao que diz ter vivido durante a realização do filme.
A produtora também afirmou que se sente perseguida por razões políticas e financeiras e relacionou essa situação ao fato de Dark Horse ser uma produção sobre Jair Bolsonaro. Segundo Karina, sua situação teria sido agravada por ameaças e por tentativas de pressioná-la durante o avanço das investigações. Ela declarou que pretende colaborar com as autoridades, mas desde que sejam respeitados os procedimentos previstos em lei.
Outro ponto abordado na entrevista foi a trajetória política da própria Karina. Ela afirmou que já votou em Luiz Inácio Lula da Silva e que mudou sua posição depois do atentado contra Jair Bolsonaro durante a campanha eleitoral de 2018, quando passou a pesquisar mais sobre a trajetória do então candidato. A produtora também declarou considerar que Dark Horse sofre censura e questionou se uma produção semelhante sobre Lula enfrentaria as mesmas dificuldades.
Filme Dark Horse enfrenta incertezas sobre lançamento
Karina afirmou que Dark Horse tinha uma previsão de lançamento, mas que a equipe atualmente não consegue avançar normalmente com os trabalhos. A produção é uma cinebiografia de Jair Bolsonaro e passou a ser envolvida nas investigações que atingiram pessoas e estruturas relacionadas ao financiamento do projeto. Segundo a produtora, as dificuldades enfrentadas atualmente impedem que o cronograma original seja mantido.
A produtora também negou que o filme tenha recebido recursos de emendas parlamentares e afirmou que nunca foi elaborado um projeto público para financiar a produção. Sobre sua própria situação, Karina declarou que pretende prestar esclarecimentos às autoridades quando for formalmente solicitada e reiterou que não participou da gestão do fundo responsável pelo financiamento. As declarações fazem parte de sua versão apresentada em entrevista exclusiva à CNN Brasil e ainda estão inseridas no contexto das investigações em andamento.





