Ministro Flávio Dino dá sinais de que há mais polêmica pela frente envolvendo André Mendonça

A crise entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou mais um capítulo após novas informações sobre o embate envolvendo Flávio Dino e André Mendonça. Segundo reportagem de Luciana Lima, do PlatôBR, interlocutores de Dino afirmam que o ministro levantou suspeitas sobre os motivos que teriam levado Mendonça a afastar integrantes do comando da Polícia Federal. A avaliação atribuída a Dino é de que a medida poderia ter interrompido investigações em andamento relacionadas a aliados do bolsonarismo.
O episódio está relacionado à investigação sobre a destinação de emendas parlamentares que teria conexão com a produção do filme “Dark Horse”, obra sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Flávio Dino autorizou em 3 de setembro a operação da Polícia Federal realizada posteriormente no caso, que teve entre os alvos o deputado Mário Frias e a produtora Karina Gama. A Operação Make Up cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em diferentes estados para apurar suspeitas envolvendo recursos públicos.
De acordo com o PlatôBR, pessoas próximas a Dino afirmam que o ministro teria levado suas desconfianças ao presidente do STF, Edson Fachin. Na conversa, a interpretação atribuída a Dino foi de que Mendonça teria tomado conhecimento da operação antes de determinar o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Mendonça, por sua vez, apresentou outra justificativa para a decisão e afirmou que havia problemas relacionados à produção de documentos e ao vazamento de informações.
Operação sobre o filme entrou no centro da disputa
A operação autorizada por Dino passou a ocupar posição central no conflito entre os ministros porque ocorreu praticamente no mesmo período em que Mendonça determinou mudanças na cúpula da Polícia Federal. A investigação apura a possível utilização irregular de emendas parlamentares destinadas a organizações que teriam ligação com a produção de “Dark Horse”. Segundo a PF, são examinadas movimentações financeiras e possíveis desvios de recursos públicos, enquanto os investigados contestam as suspeitas.
A autorização judicial foi concedida por Dino no dia 3 de setembro, e os mandados foram cumpridos em 10 de setembro. A operação teve como alvos Mário Frias e Karina Gama, além de empresas e organizações relacionadas à apuração. O deputado nega irregularidades, enquanto a investigação ainda busca esclarecer a origem e a destinação dos valores analisados pela Polícia Federal.
No relato publicado pelo PlatôBR, interlocutores de Dino sustentam que o afastamento de Andrei Rodrigues teria provocado uma interrupção nas atividades da PF relacionadas ao caso. Essa interpretação, entretanto, é contestada pelo gabinete de Mendonça, que classificou a informação como sem fundamento e afirmou que ela não teria respaldo na realidade. Assim, a disputa passou a envolver não apenas decisões judiciais diferentes, mas também versões conflitantes sobre os motivos que levaram às medidas adotadas.
Dino indica que investigação pode avançar para outros alvos
Outro ponto destacado na reportagem é a afirmação atribuída a Dino de que a operação realizada contra Mário Frias não representaria o principal movimento dentro da investigação. Segundo interlocutores do ministro, ele teria informado a Fachin que outras medidas consideradas mais relevantes poderiam ser realizadas posteriormente. A possibilidade mencionada envolve investigações que poderiam alcançar pessoas consideradas mais graduadas no caso.
A informação aparece em meio a uma investigação que já revelou diferentes linhas de apuração sobre o destino de recursos públicos. A Polícia Federal analisa, entre outros pontos, movimentações financeiras relacionadas às entidades que receberam emendas e possíveis conexões com empresas ligadas à produção do filme. O avanço das diligências poderá depender dos elementos encontrados durante a análise do material recolhido na operação.
Enquanto isso, a crise envolvendo os ministros produziu decisões sucessivas sobre o comando da Polícia Federal. Mendonça havia afastado Andrei Rodrigues e Leandro Almada, Dino determinou posteriormente a reintegração dos dois, e Fachin suspendeu as decisões conflitantes para assumir o encaminhamento da disputa. Com isso, a Presidência do STF passou a concentrar a condução da controvérsia envolvendo os dirigentes da corporação.
Fachin tenta controlar conflito entre ministros do STF
A intervenção de Fachin ocorreu depois que decisões de Mendonça e Dino produziram efeitos opostos em um intervalo curto. O presidente do Supremo determinou a suspensão das duas medidas relacionadas aos dirigentes da PF e estabeleceu prazo para que Andrei Rodrigues apresentasse informações à Corte. A medida foi adotada diante do conflito entre as decisões e da necessidade de centralizar o tratamento da questão.
O episódio agora se soma a outras disputas que colocaram diferentes ministros do STF em lados distintos durante a crise. Ao mesmo tempo, uma sessão extraordinária foi marcada para 15 de setembro para tratar de questões relacionadas ao relatório da Polícia Federal que envolve Alexandre de Moraes e o empresário Daniel Vorcaro. Nesse cenário, novas decisões sobre investigações e procedimentos poderão ser discutidas pelo tribunal.





