Aliados de Lula acreditam ser de fundamental importância a aproximação dele com Augusto Cury

A equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a avaliar uma aproximação com Augusto Cury diante da possibilidade de o candidato do Avante ganhar espaço na disputa presidencial de 2026. O movimento ocorre em um cenário no qual o segundo turno começa a ser tratado como uma etapa decisiva para a formação de alianças entre candidaturas que estarão fora da disputa final. Além disso, o desempenho de Simone Tebet nas eleições anteriores passou a ser considerado como referência para compreender o comportamento de eleitores que podem se tornar decisivos em uma eventual disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Cury, escritor e médico, foi oficialmente confirmado como candidato à Presidência pelo Avante pelo Tribunal Superior Eleitoral. A candidatura passou a receber maior atenção depois que pesquisas registraram crescimento do nome do presidenciável, que aparece em diferentes levantamentos com percentuais superiores aos apresentados nas primeiras rodadas. Na pesquisa BTG/Nexus mais recente, Cury chegou a 11% no primeiro turno, enquanto Lula marcou 37% e Flávio Bolsonaro, 31%.
O cenário tornou o candidato do Avante um personagem relevante nas articulações que podem ocorrer entre o primeiro e o segundo turno. Embora ainda esteja distante dos dois principais nomes em boa parte das pesquisas, Cury passou a ser observado como possível concentrador de votos de um eleitorado que não se identifica diretamente com Lula ou com o grupo político ligado ao bolsonarismo. Ao mesmo tempo, levantamentos recentes mostram que a disputa presidencial permanece apertada e que os votos dos demais candidatos podem assumir peso elevado na definição do resultado final.
Equipe de Lula mira eleitorado de Augusto Cury
A tentativa de aproximação com Augusto Cury ocorre principalmente porque uma candidatura competitiva no primeiro turno pode criar um novo grupo de eleitores para ser disputado posteriormente. A estratégia, portanto, não significa necessariamente uma aliança formal neste momento, mas representa uma tentativa de estabelecer canais de diálogo antes que as negociações do segundo turno sejam iniciadas oficialmente. Nesse contexto, o grupo de Lula procura entender quais condições poderiam facilitar uma futura convergência com o eleitorado de Cury.
A situação também é acompanhada a partir das posições que Cury vem apresentando durante a campanha. Recentemente, o candidato declarou que poderia apoiar Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno contra Lula, mas condicionou essa possibilidade a uma explicação sobre o financiamento do filme Dark Horse e ao compromisso de execução de seu plano de governo. A declaração mostrou que Cury pretende estabelecer condições próprias para qualquer eventual apoio e que sua posição não está automaticamente vinculada ao campo bolsonarista.
O interesse da equipe de Lula também pode ser compreendido diante da evolução do desempenho de Cury nas pesquisas. No levantamento Nexus/BTG divulgado em setembro, Lula apareceu com 45% contra 46% de Flávio em uma simulação de segundo turno, enquanto Cury registrou crescimento expressivo no primeiro turno. Em outra pesquisa, da Meio/Ideia, Lula marcou 46% contra 40,9% de Cury em um eventual confronto direto, mostrando que o escritor ainda teria espaço para crescer antes de uma eventual segunda rodada.
Efeito Tebet entra no cálculo eleitoral de Lula
A referência a Simone Tebet está relacionada ao comportamento de eleitores que, em uma eleição polarizada, podem migrar para um dos candidatos que avançarem ao segundo turno. Em 2022, a então candidata do MDB terminou a primeira etapa da eleição com uma votação inferior à de Lula e Jair Bolsonaro, mas sua posição passou a ser observada com atenção depois da definição da segunda rodada. Por isso, o grupo político de Lula considera importante manter diálogo com setores que não necessariamente fazem parte da base tradicional do PT.
A experiência de Tebet também demonstra como candidaturas de centro podem adquirir importância mesmo quando não chegam ao segundo turno. Na eleição presidencial anterior, ela terminou a primeira etapa em terceiro lugar e posteriormente declarou apoio a Lula, tornando-se uma das figuras incorporadas ao governo petista depois da vitória. Agora, o cálculo eleitoral considera que um candidato como Cury pode exercer papel semelhante na formação de um bloco de apoio caso fique fora da disputa final.
O contexto de 2026, porém, apresenta diferenças importantes em relação à eleição anterior. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro e, caso seja necessário, o segundo turno ocorrerá em 25 de outubro, enquanto o TSE confirmou 12 candidaturas presidenciais para a disputa. Dessa forma, os partidos já passaram a observar não apenas o desempenho dos líderes, mas também a capacidade dos candidatos intermediários de transferir votos e estabelecer condições políticas para uma eventual segunda rodada.
Pesquisas aumentam importância de Cury na disputa
Os levantamentos mais recentes ajudam a explicar por que Augusto Cury passou a ser considerado nas estratégias das principais campanhas. No Datafolha divulgado em 11 de setembro, Cury apareceu com 3% na pesquisa espontânea, enquanto Lula foi citado por 33% e Flávio Bolsonaro por 25%, mostrando que o eleitorado ainda apresenta alto grau de concentração nos principais concorrentes. Ao mesmo tempo, pesquisas estimuladas registraram crescimento do candidato do Avante em comparação com levantamentos anteriores.
Outro aspecto acompanhado pelas campanhas é a capacidade de Cury atrair eleitores fora dos polos tradicionais da disputa. A pesquisa BTG/Nexus mostrou crescimento de nove pontos percentuais para o candidato em relação ao levantamento anterior, alcançando 11% no primeiro turno. Com isso, embora Lula e Flávio permaneçam como os principais nomes, o desempenho de Cury passou a ser considerado relevante para os cálculos sobre o segundo turno e para as negociações políticas que poderão ocorrer após a primeira votação.
A aproximação buscada pela equipe de Lula, portanto, está inserida em uma estratégia mais ampla de preparação para diferentes cenários eleitorais. Caso Cury permaneça competitivo até outubro, sua posição e a orientação de seus eleitores poderão ser disputadas por Lula e Flávio Bolsonaro em uma eventual segunda rodada. Enquanto isso, as campanhas deverão acompanhar novas pesquisas, conversas políticas e declarações públicas para avaliar quais alianças poderão ser construídas depois da definição dos dois candidatos que avançarem.





