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Com Flávio passando Lula nas pesquisas, integrantes do governo querem o presidente bem longe de Alexandre de Moraes

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a avaliar uma estratégia para reduzir a associação do Palácio do Planalto com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A movimentação ocorre em meio ao avanço da disputa eleitoral e à divulgação de uma nova pesquisa Quaest, que colocou Flávio Bolsonaro numericamente à frente de Lula em uma simulação de segundo turno. O levantamento apontou 42% para Flávio e 40% para Lula, embora os dois permaneçam tecnicamente empatados dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

Integrantes do governo passaram a tratar Moraes como uma espécie de “criptonita” para o presidente, em referência ao potencial de desgaste político provocado pela associação entre os dois. Nesse cenário, auxiliares da campanha avaliam que o julgamento previsto para esta terça-feira, 15 de setembro, poderá abrir uma oportunidade para Lula assumir uma posição pública sobre as investigações envolvendo o ministro e Daniel Vorcaro. A intenção seria evitar que o presidente permaneça em silêncio diante do debate no Supremo.

A estratégia discutida dentro do governo prevê que Lula manifeste apoio à apuração dos fatos relacionados às mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro. A avaliação é de que uma defesa pública da investigação poderia ajudar o presidente a se apresentar de maneira mais distante das controvérsias que atingem o ministro. O movimento ocorre justamente quando a pesquisa eleitoral passou a registrar uma vantagem numérica de Flávio sobre Lula em um eventual segundo turno, embora dentro do empate técnico.

Julgamento no STF ganha importância para a estratégia do governo

A sessão do STF marcada para terça-feira deverá analisar o conteúdo relacionado às mensagens entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. Segundo a estratégia atribuída a integrantes do governo, o resultado da sessão poderá ser utilizado por Lula para reforçar a defesa de que eventuais irregularidades devem ser investigadas independentemente de quem esteja envolvido. A possibilidade de o julgamento avançar mesmo diante de um eventual pedido de vista também é considerada nas avaliações internas.

Integrantes do governo trabalham com a hipótese de que ministros do Supremo antecipem seus posicionamentos durante a sessão. Nesse cenário, mesmo que um pedido de vista provoque a interrupção da análise, manifestações de ministros poderiam indicar uma maioria favorável à apuração dos fatos envolvendo Moraes e o ex-banqueiro. A avaliação, portanto, considera não apenas o resultado formal do julgamento, mas também os sinais públicos apresentados pelos integrantes da Corte.

A movimentação ocorre em um momento de maior pressão política em torno do STF e de seus ministros. A nova pesquisa Quaest mostrou que Lula continua liderando o primeiro turno, com 36%, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 31%, mas a distância caiu para cinco pontos, a menor diferença registrada entre os dois na série histórica de primeiro turno do instituto. No segundo turno, Flávio chegou a 42%, contra 40% de Lula, em empate técnico devido à margem de erro.

Lula já havia falado sobre eventual responsabilização de Moraes

Na semana anterior, Lula havia feito uma de suas primeiras manifestações públicas citando diretamente Alexandre de Moraes no contexto do caso envolvendo o Banco Master. O presidente afirmou que, caso o ministro fosse considerado culpado, deveria responder pelos atos, mas também ressaltou que o mesmo princípio deveria valer para qualquer integrante do Supremo. Na ocasião, Lula mencionou os ministros André Mendonça e Edson Fachin ao defender que não deveria haver tratamento diferente entre os integrantes da Corte.

A declaração anterior, porém, foi considerada dentro do governo como pouco incisiva diante da dimensão que o caso passou a assumir. A nova estratégia busca justamente ampliar a distância política entre Lula e Moraes, especialmente diante da possibilidade de o julgamento produzir novos desdobramentos. A expectativa é de que uma manifestação mais clara sobre a necessidade de investigação permita ao presidente estabelecer uma posição própria sobre o episódio.

O cenário eleitoral aumentou a importância desse posicionamento para o governo. A pesquisa Quaest foi realizada entre 10 e 13 de setembro com 2.004 eleitores, tem margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%, segundo os dados divulgados nesta segunda-feira. Apesar da vantagem numérica de Flávio no segundo turno, a pesquisa mantém Lula e o senador em situação de empate técnico.

Governo tenta reduzir impacto político da crise no STF

A avaliação dos auxiliares de Lula é que o julgamento envolvendo Moraes poderá funcionar como um momento para o presidente demonstrar que não pretende proteger integrantes do STF diante de eventuais acusações. A estratégia também busca evitar que o tema seja explorado eleitoralmente como uma aproximação entre o governo e o ministro. Com a disputa presidencial mais apertada na pesquisa, qualquer manifestação de Lula sobre o assunto passa a ser observada também sob o ponto de vista eleitoral.

O objetivo, segundo a estratégia atribuída ao governo, não seria antecipar uma conclusão sobre a responsabilidade de Moraes, mas defender que os fatos sejam devidamente examinados. A possibilidade de ministros apresentarem seus votos antes de uma eventual interrupção da sessão é considerada um dos fatores que podem influenciar a repercussão política do julgamento. O posicionamento de Lula após a sessão, portanto, poderá depender do que for apresentado e debatido pelos ministros do Supremo.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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