Lula cobra Fachin para evitar que crise do caso Master ‘atrapalhe’ a eleição

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou nesta quarta-feira, 16, do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, que assegure que os desdobramentos do Caso Banco Master não interfiram no processo eleitoral. A declaração foi dada durante entrevista ao programa Desce a Letra Show, no YouTube, um dia após sessão tensa na Corte que terminou sem resolução. Às vésperas da votação, com a disputa acirrada contra o candidato Flávio Bolsonaro (PL), o petista defendeu investigação criteriosa, mas também criticou a exposição contínua de acusações sem conclusão.
“A responsabilidade de Fachin é garantir que nada perturbe a eleição”, afirmou Lula. O julgamento interrompido na terça-feira, 15, tratava de pedidos de investigação envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, ambos ligados a mensagens e relações com o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. O ministro Flávio Dino pediu vista dos autos, o que, conforme o regimento, pode adiar a decisão por até 90 dias. O impasse ocorre a pouco mais de duas semanas do primeiro turno, em cenário onde as pesquisas mostram aproximação entre os principais candidatos.
Levantamento mais recente do instituto Quaest indica que, pela primeira vez, Flávio Bolsonaro aparece com vantagem numérica em simulação de segundo turno: 42% contra 40% de Lula. No primeiro turno, o presidente mantém 36%, enquanto o adversário subiu para 31%. Nesse contexto, qualquer desdobramento institucional ganha peso político. Lula avaliou que a situação atual não é positiva para a imagem do Supremo: “Aquele senhor Vorcaro envolveu muita gente. Agora é preciso descobrir quem fez o quê. Tudo isso precisa vir à luz para que o país possa recomeçar limpo”, declarou.
O presidente classificou o ex-banqueiro como alguém que agiu de forma contrária à ordem legal e defendeu que cada pessoa citada seja investigada com igualdade. “Ninguém está acima da lei. Mas também não faz bem ao país viver num ambiente em que acusações aparecem a cada dia sem que se chegue a uma conclusão”, observou. Para ele, o que chamou de “denuncismo” prejudica a confiança da população nas instituições, ao manter nomes expostos sem que haja prova ou esclarecimento definitivo sobre os fatos.
Lula também criticou o tom da sessão transmitida ao vivo, na qual ministros trocaram observações públicas e expuseram divisões internas da Corte. “Assisti a parte do debate e não me pareceu adequado. A sociedade merece ser tratada com mais respeito. Fiquei indignado, porque o Brasil não precisa ver seus magistrados em embates dessa forma”, disse. A avaliação reflete preocupação com o impacto da exposição sobre a credibilidade do Poder Judiciário junto ao eleitorado.
Diante do cenário, o presidente voltou a defender a necessidade de ampla reforma no funcionamento do Judiciário. “Vou propor essa discussão se for reeleito. Não é possível deixar de debater como o Poder Judiciário se organiza”, anunciou, sem detalhar pontos específicos ou cronograma. A declaração insere a questão institucional na própria campanha, ao apresentar como proposta de governo a revisão de regras que, segundo ele, precisam acompanhar as mudanças da sociedade. O país acompanha, nas próximas semanas, tanto os desfechos eleitorais quanto os rumos das instituições.





