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Lula diz que cinco ministros do STF têm ligação com caso Master

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou nesta sexta-feira, 18, em entrevista à Super Rádio Tupi, no Rio de Janeiro, que cinco ministros do Supremo Tribunal Federal mantêm vínculos diretos ou indiretos com o caso envolvendo o Banco Master. Sem nomear os magistrados, o presidente frisou que a questão deve ser esclarecida antes de qualquer alteração estrutural no Poder Judiciário. “Precisamos resolver este problema primeiro. Ali estão cinco ministros ligados, de uma forma ou de outra, ao que está sendo investigado”, afirmou.

O presidente citou nominalmente as situações envolvendo Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. “Ninguém defende o contrato firmado entre o escritório da esposa de Moraes e o banco. Da mesma forma, não há quem justifique o acordo atribuído a Toffoli com a mesma instituição”, observou. Lula acrescentou ainda que o exercício de cargo na mais alta Corte do país não deve servir para enriquecimento pessoal. “Quem chega à Suprema Corte não pode almejar ficar rico”, disse, reforçando que nem todos os elementos do caso foram tornados públicos.

Embora o presidente tenha mencionado cinco nomes, não os apresentou. Documentos e apurações até o momento trazem à tona seis ministros em diferentes contextos. Alexandre de Moraes aparece em mensagens trocadas com o ex-dono do banco, Daniel Vorcaro, além de contrato com o escritório de sua esposa. O ministro nega qualquer irregularidade. Dias Toffoli deixou a relatoria do processo em fevereiro e se declarou impedido de julgar Moraes, após serem levantadas ligações entre familiares e pessoas próximas ao banqueiro.

André Mendonça assumiu a relatoria e confirmou encontro com Vorcaro em março de 2025, que diz ter sido sobre processo de precatórios. Luiz Fux foi citado em mensagens envolvendo seu filho, o advogado Rodrigo Fux, e nega relação pessoal com o banqueiro. Kassio Nunes Marques apareceu em menções a pagamentos ao filho, Kevin Marques, que afirma ter recebido R$ 281,6 mil por serviços de consultoria sem vínculo com a Corte. Mais recentemente, Gilmar Mendes foi mencionado por aproximação feita por seu ex-cunhado, que teria recebido valores mensais de empresa ligada a Vorcaro; o ministro confirma o encontro, diz desconhecer os negócios e votou contra os interesses do banco.

Lula atribuiu parte da responsabilidade pelo cenário ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ao lembrar que Vorcaro consolidou sua posição como banqueiro durante aquele mandato. O presidente reiterou que ainda há informações restritas a autoridades e veículos de comunicação que não chegaram ao conhecimento público. “Nem tudo foi divulgado”, assinalou, defendendo que os dados sejam compartilhados de forma igualitária, para que a sociedade tenha acesso aos mesmos elementos disponíveis aos envolvidos.

A exigência de transparência plena ganha força em período eleitoral, em que a confiança nas instituições influencia diretamente a percepção do eleitor. O que se espera é que cada ministro citado tenha oportunidade de apresentar sua versão, com provas e esclarecimentos, e que as apurações avancem com isenção e celeridade. A reforma do Judiciário, defendida por diferentes setores, depende justamente de que a credibilidade seja restabelecida. Os próximos dias trarão novos desdobramentos, e a população acompanha na expectativa de que as regras sejam cumpridas igualmente para todos.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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