Flávio reage à foto de Gonet e Vorcaro: “Rindo da cara do povo sofrido”

O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) criticou neste sábado, 19, a divulgação de uma imagem que mostra o procurador-geral da República, Paulo Gonet, ao lado do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, em evento realizado em Londres. Em publicação na rede social X, o postulante classificou a cena como representativa de um distanciamento entre autoridades e a realidade da população. “Enquanto milhões de brasileiros enfrentam dificuldades, pessoas próximas ao governo aparecem em eventos rindo da cara do povo”, escreveu, ao associar a foto ao cenário de desgaste institucional em curso.
A fotografia foi obtida pela Polícia Federal no celular de Vorcaro e divulgada pelo jornal O Globo, com confirmação da CNN Brasil. Nela, Gonet aparece sorrindo, com um charuto nas mãos, rodeado por copos de bebidas, ao lado de Vorcaro e de outras duas pessoas. A imagem teria sido encaminhada ao banqueiro pelo advogado Ciro Soares. A Procuradoria-Geral da República (PGR) reconheceu a veracidade do registro e informou que o encontro ocorreu em abril de 2024, durante evento com a presença de diversas autoridades.
A postagem de Flávio Bolsonaro reúne a fotografia com um trecho do depoimento prestado por Gonet na sessão do Supremo Tribunal Federal da última terça-feira, 15. Na ocasião, o procurador-geral afirmou que não mantém nem manteve relação de proximidade com Vorcaro. “O único encontro que tivemos aconteceu em meio a um evento com várias autoridades, de forma breve e sem qualquer tratamento de assunto específico”, declarou, classificando o contato como “banal e rápido”.
Logo após essa manifestação, Gonet encaminhou ofício ao Conselho Superior do Ministério Público Federal, reafirmando estar plenamente apto a atuar nos procedimentos ligados ao caso Banco Master. No documento, sustentou que não há elemento que justifique a abertura de investigação sobre sua conduta. O colegiado tem reunião marcada para 25 de setembro, quando poderá avaliar a pertinência de instaurar ou não procedimento disciplinar a respeito do tema.
A questão levanta debate sobre a linha entre participação em eventos oficiais e a necessidade de clareza e distanciamento quando há investigações em curso. Para parte da opinião pública, a imagem contrasta com a declaração de desvinculo apresentada na Corte. Outros observadores lembram que a presença em eventos internacionais com múltiplas autoridades é rotina para ocupantes de cargos de relevo, sem que isso implique necessariamente vínculo pessoal ou compromisso com qualquer pessoa presente.
A sociedade acompanha esses desdobramentos buscando compreender os fatos com isenção. A confiança nas instituições depende de transparência, de coerência entre o que se declara e o que se observa, e de imparcialidade na condução de cada investigação. Cabe ao Conselho Superior do MPF avaliar os elementos disponíveis com a devida cautela, garantindo que cada cidadão perceba que as regras aplicam-se de forma igual a todos. Os próximos dias trarão novos esclarecimentos e, espera-se, respostas que fortaleçam a credibilidade das autoridades.





