Zema diz que Gonet deveria renunciar após foto fumando charuto com Vorcaro

O ex-governador de Minas Gerais e candidato à Presidência pelo Novo, Romeu Zema, declarou neste sábado, 19, que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, deveria deixar o cargo diante da imagem que o mostra ao lado do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. A manifestação ocorreu durante agenda de campanha em Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte. Zema afirmou nunca ter mantido qualquer tipo de aproximação com o banqueiro e comparou com o tratamento recebido por ele em instâncias superiores: “Se tivesse o mínimo de dignidade, o procurador-geral já teria apresentado seu pedido de afastamento”, assinalou.
A fotografia foi obtida pela Polícia Federal no celular de Vorcaro e divulgada pelo jornal O Globo, com confirmação de autenticidade pela própria Procuradoria-Geral da República. O registro foi feito em evento em Londres, no Reino Unido, em 2024, e encaminhado ao banqueiro pelo advogado Ciro Soares. Na imagem, Gonet aparece com um charuto nas mãos, ao lado de Vorcaro e de mais duas pessoas, todos rodeados por copos de bebidas. O conteúdo contrasta com a declaração prestada pelo procurador-geral na sessão do Supremo Tribunal Federal da última terça-feira, 15.
Na ocasião, Gonet afirmou não ter mantido relação de proximidade com o banqueiro. “O único encontro que tivemos foi breve, protocolar e sem qualquer tratamento de assunto específico”, declarou, classificando o contato como “banal”. A revelação da imagem, porém, reacendeu questionamentos sobre a transparência e a imparcialidade exigidas do titular da PGR, que tem papel central nas apurações em curso envolvendo o sistema financeiro e autoridades de diferentes Poderes.
Zema avaliou que a crise de confiança que atinge a Corte nos últimos dias não tem precedentes na história republicana. Lembrou que Gonet foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, assim como o ministro Flávio Dino, que pediu vista do processo e suspendeu o julgamento sobre a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e Vorcaro. “Tudo o que se vê hoje é consequência direta das escolhas feitas pelo Palácio do Planalto”, sustentou, ao ligar as nomeações à dinâmica dos trabalhos no Supremo.
O candidato do Novo estendeu as críticas ao próprio presidente, classificando a gestão federal como marcada por desvios e favorecimentos. Sem detalhar elementos específicos, associou as indicações a cargos-chave à preservação de interesses. “A população percebe que cada nome levado a posto decisório responde a critérios nem sempre voltados ao bem comum”, observou. As declarações aprofundam o tom de confronto que tem caracterizado a campanha presidencial, com cada postulante apontando caminhos distintos para a condução das instituições.
A sociedade acompanha esses desdobramentos buscando clareza sobre cada vínculo e cada encontro mencionado. A confiança nas instituições repousa sobre a certeza de que todos são iguais perante a lei e de que as autoridades agem com isenção. Cabe às instâncias competentes avaliar os fatos com objetividade e celeridade, apresentando à população respostas que reforcem a credibilidade do Estado. O eleitor terá em breve a oportunidade de escolher quem conduzirá o país, e cada revelação contribui para a formação de opinião sobre o que precisa ser transformado.





