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Ministro da Fazenda, Dario Durigan, criticou as tarifas impostas pelos Estados Unidos

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros representam uma interferência no processo eleitoral de 2026. Em entrevista à CNN Brasil, ele declarou que as medidas adotadas pelo governo de Donald Trump poderiam contribuir para a formação de um sentimento negativo em relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A declaração foi dada em meio às negociações entre Brasil e Estados Unidos sobre as sobretaxas aplicadas às exportações brasileiras.

Segundo Durigan, a aplicação das tarifas não seria justificada pela relação comercial entre os dois países. O ministro argumentou que o Brasil compra produtos e serviços dos Estados Unidos em diferentes setores e destacou que há segmentos nos quais os norte-americanos registram vantagem na balança comercial com o Brasil. Dessa forma, na avaliação apresentada por Durigan, a estrutura das relações econômicas entre os dois países não explicaria a adoção das medidas tarifárias.

A entrevista ocorreu nos bastidores do Fórum CEO Brasil 2026, realizado em Mata de São João, na Bahia. Na ocasião, Durigan também afirmou que o governo brasileiro continua interessado em negociar uma solução para o impasse comercial. Ao mesmo tempo, o ministro relacionou a resolução definitiva da questão ao período posterior às eleições brasileiras, previstas para outubro de 2026.

Durigan relaciona tarifas dos EUA ao cenário eleitoral

Ao comentar as medidas norte-americanas, Durigan afirmou que elas poderiam produzir efeitos políticos durante a campanha eleitoral brasileira. Segundo o ministro, a adoção das tarifas poderia contribuir para uma percepção negativa sobre o governo Lula justamente durante o período em que os eleitores estarão definindo seus votos. A interpretação apresentada por ele, portanto, relaciona uma decisão comercial do governo dos Estados Unidos ao ambiente político brasileiro de 2026.

Durigan também questionou a lógica econômica utilizada para justificar a imposição das tarifas contra o Brasil. Ele afirmou que o país mantém uma relação comercial na qual os Estados Unidos possuem vantagens em determinados segmentos, incluindo áreas ligadas a produtos farmacêuticos, serviços de tecnologia e computação em nuvem. Por isso, segundo o ministro, a aplicação de novas barreiras comerciais não corresponderia à dinâmica observada no comércio bilateral.

O ministro ainda afirmou que o impacto das tarifas deveria ser considerado dentro da realidade econômica dos dois países. Em sua avaliação, a medida poderia pesar sobre empresas e consumidores brasileiros, especialmente porque produtos e serviços importados dos Estados Unidos precisam ser pagos em dólares. Durigan também argumentou que a diferença de renda entre as populações dos dois países deveria ser considerada na discussão sobre os efeitos das medidas comerciais.

Governo brasileiro mantém negociações com os Estados Unidos

O impasse tarifário entre Brasil e Estados Unidos se intensificou ao longo de 2026, depois que Washington anunciou novas sobretaxas sobre produtos brasileiros. Em julho, o governo norte-americano oficializou uma tarifa adicional de 25% sobre uma série de mercadorias brasileiras, medida que se somou às tarifas já existentes para os produtos afetados. A decisão foi tomada após uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR.

De acordo com informações divulgadas anteriormente pela CNN Brasil, a investigação americana envolveu temas como comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, propriedade intelectual, acesso do etanol americano ao mercado brasileiro e políticas relacionadas ao desmatamento. O governo dos Estados Unidos apresentou esses pontos como parte dos argumentos para justificar a adoção de medidas comerciais contra o Brasil. Entretanto, a lista de produtos atingidos também recebeu exceções para determinadas mercadorias consideradas relevantes para a economia americana.

Enquanto isso, o governo brasileiro manteve contatos com autoridades americanas na tentativa de reduzir as tarifas ou encontrar alternativas para os setores afetados. Segundo informações divulgadas em julho, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, havia contabilizado mais de 30 reuniões e contatos entre autoridades brasileiras e norte-americanas desde março de 2025. Além disso, Brasil e Estados Unidos retomaram o diálogo sobre as medidas tarifárias em 31 de agosto, com o compromisso de avançar nas discussões.

Discussão sobre tarifas deve continuar após as eleições

Durigan afirmou que, depois das eleições, a questão tarifária deverá voltar a ser tratada principalmente sob a perspectiva econômica. Segundo o ministro, a gravidade do impacto comercial exigirá que Brasil e Estados Unidos encontrem uma solução para o impasse independentemente do resultado do processo eleitoral. Dessa maneira, o governo brasileiro trabalha com a expectativa de que as negociações possam avançar em um momento posterior à votação.

A discussão, entretanto, permanece ligada ao cenário político brasileiro porque as tarifas passaram a ser mencionadas por diferentes grupos durante a campanha de 2026. Análises publicadas anteriormente pela CNN Brasil já haviam apontado que o tarifaço entrou no debate eleitoral e passou a ser utilizado politicamente por setores de diferentes posições. Nesse contexto, as declarações de Durigan acrescentaram a avaliação do governo federal de que as medidas americanas também possuem efeitos sobre o ambiente eleitoral.

Assim, o debate sobre as tarifas dos Estados Unidos passou a envolver simultaneamente comércio exterior, relações diplomáticas e campanha eleitoral. De um lado, o governo brasileiro busca negociar a redução das medidas e questiona sua justificativa econômica; de outro, Washington mantém suas próprias justificativas para as barreiras comerciais. A questão deverá permanecer em discussão até que uma solução seja alcançada nas negociações entre os dois países.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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