Escritório de Viviane, esposa de Alexandre de Moraes, divulgou uma nota sobre o vídeo polêmico

O escritório Barci de Moraes, da advogada Viviane Barci de Moraes, afirmou neste domingo, 20 de setembro, que a contratação de serviços de táxi aéreo segue critérios operacionais e não envolve vínculos pessoais com proprietários de aeronaves ou operadores específicos. A manifestação ocorreu depois da divulgação de um vídeo em que Viviane aparece ao lado do marido, o ministro Alexandre de Moraes, desembarcando de um jatinho ligado ao empresário Daniel Vorcaro. Segundo o escritório, a escolha das aeronaves utilizadas cabe às empresas de aviação civil contratadas.
Em nota, o escritório informou que utiliza serviços de táxi aéreo de diferentes empresas, entre elas a Prime Aviation, responsável pelos serviços utilizados em determinadas ocasiões. A banca afirmou ainda que, nos voos realizados em aeronaves da Prime Aviation com integrantes do escritório, Daniel Vorcaro ou qualquer outra pessoa externa à equipe não estavam presentes. Em alguns desses deslocamentos, segundo a manifestação, Viviane foi acompanhada por Alexandre de Moraes.
A declaração foi divulgada depois que novas imagens mostraram o casal desembarcando de uma aeronave no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. O vídeo se refere a uma viagem realizada em agosto de 2025 e passou a ser relacionado às informações já divulgadas sobre a utilização de aeronaves vinculadas à estrutura empresarial de Vorcaro. O caso também aparece no contexto das investigações que envolvem o empresário, o Banco Master e contratos mantidos pelo escritório de Viviane.
Escritório explica contratação de aeronaves
De acordo com a nota divulgada pelo escritório, a contratação do táxi aéreo não é feita diretamente com base na relação pessoal com o proprietário de uma aeronave. A banca afirma que são consideradas questões operacionais e que a definição sobre quais aviões serão utilizados cabe às próprias empresas de aviação civil responsáveis pelo serviço. A Prime Aviation é citada especificamente como uma das empresas contratadas pelo escritório.
A manifestação também procura esclarecer a presença de Alexandre de Moraes em alguns dos voos realizados por integrantes do escritório. Segundo a banca, o ministro acompanhou Viviane em determinadas viagens, mas não havia participação de Daniel Vorcaro ou de outras pessoas externas ao escritório nesses deslocamentos. O escritório, portanto, apresenta a contratação como uma relação comercial com empresas de aviação, e não como um acordo pessoal com o empresário.
O escritório acrescentou que não possui contrato de prestação de serviços advocatícios com a Prime Aviation. A banca também afirmou que não realizou qualquer aquisição de cotas da empresa de aviação, afastando, segundo sua própria manifestação, a existência de participação societária na companhia. Essas informações foram apresentadas na nota divulgada após a repercussão das imagens do desembarque.
Vídeo reacendeu discussão sobre viagens de Moraes
A divulgação das imagens também trouxe novamente uma declaração feita pelo gabinete de Alexandre de Moraes em abril de 2026. Naquele momento, diante de questionamentos sobre possíveis viagens do ministro em aeronaves de Daniel Vorcaro, o gabinete afirmou que Moraes “jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro ou em sua companhia e de Fabiano Zettel”. O vídeo divulgado agora passou a ser comparado com essa manifestação anterior por mostrar Moraes desembarcando de uma aeronave apontada nas reportagens como ligada a Vorcaro.
O escritório de Viviane, entretanto, sustenta que a contratação ocorreu por meio de empresas especializadas em aviação civil. Na versão apresentada pela banca, o fato de uma aeronave utilizada em determinado voo estar relacionada a um proprietário ou grupo empresarial não significa que o serviço tenha sido contratado diretamente dessa pessoa. A nota também afirma que Vorcaro não estava presente nos voos realizados pela Prime Aviation com integrantes do escritório.
A questão ganhou relevância dentro das investigações sobre as relações empresariais de Daniel Vorcaro, que incluem contratos com o escritório de Viviane Barci. Um desses contratos, firmado com o Banco Master em janeiro de 2024, previa serviços jurídicos por 36 meses e pagamentos mensais de R$ 3 milhões líquidos, com valor bruto de R$ 3,64 milhões por parcela. Segundo informações tornadas públicas pelo STF, foram pagas 22 parcelas, totalizando R$ 80,2 milhões, até a liquidação extrajudicial do banco.
Relações com Vorcaro são analisadas em investigação
As investigações também identificaram registros relacionados à comunicação entre Daniel Vorcaro e pessoas próximas a Alexandre de Moraes. Segundo reportagem do Metrópoles, mensagens extraídas do celular do empresário apresentam referências a possíveis interações com o ministro, enquanto documentos da Polícia Federal também mencionam encontros e possível utilização de bens vinculados ao empresário. Essas informações integram uma investigação em andamento e não estabelecem, por si só, irregularidade por parte do ministro ou de sua esposa.
Outro ponto relacionado ao caso envolve um contrato de R$ 50 milhões firmado em maio de 2025 entre o escritório de Viviane e uma empresa ligada ao patrimônio de Vorcaro. O documento previa a possibilidade de pagamento de honorários por meio de bens imóveis, móveis ou serviços, além de pagamentos financeiros, conforme cláusulas divulgadas pelo Metrópoles. A negociação também passou a ser mencionada nas reportagens que tratam das relações comerciais entre as partes.
Em meio à repercussão das imagens, o escritório Barci de Moraes reafirmou que contrata serviços de táxi aéreo de diferentes empresas e que não possui contrato de prestação de serviços advocatícios com a Prime Aviation. A banca também declarou não ter adquirido cotas da empresa e reiterou que a escolha das aeronaves utilizadas cabe às companhias de aviação contratadas. O caso permanece inserido nas investigações e discussões públicas sobre os negócios de Daniel Vorcaro e as relações comerciais envolvendo o escritório de Viviane Barci.





