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Pesquisa BTG/Nexus mostrou que em um 2º turno, Lula empataria com Flávio e até Caiado

Lula aparece novamente na liderança da corrida presidencial no primeiro turno, mas a nova pesquisa BTG/Nexus apresenta um cenário muito mais preocupante para o presidente caso a eleição precise ser decidida em uma segunda votação. O levantamento divulgado nesta segunda-feira, 31 de agosto, mostrou Lula com 39% das intenções de voto, contra 33% de Flávio Bolsonaro, enquanto Augusto Cury avançou para 11% e assumiu a terceira posição. O dado mais importante, entretanto, está nas simulações de segundo turno, nas quais Lula aparece tecnicamente empatado com Flávio Bolsonaro e Ronaldo Caiado.

A diferença entre os dois primeiros colocados no primeiro turno ainda coloca Lula em uma posição numericamente favorável. No entanto, essa vantagem não se repete quando a disputa é reduzida a dois candidatos, situação em que os votos dos demais concorrentes podem ser redistribuídos e alterar completamente o equilíbrio eleitoral. Por isso, se Lula não conseguir vencer já no primeiro turno, a campanha petista poderá enfrentar uma etapa muito mais difícil, principalmente diante da capacidade de seus adversários de reunir eleitores que hoje estão espalhados entre diferentes candidaturas.

O crescimento de Augusto Cury também ajuda a explicar a fragmentação do eleitorado neste momento da eleição. O candidato do Avante saltou de 2% para 11% na pesquisa BTG/Nexus, enquanto Flávio Bolsonaro recuou quatro pontos e Lula oscilou negativamente em relação ao levantamento anterior. Dessa forma, a liderança de Lula permanece, mas a pesquisa revela que uma parcela relevante do eleitorado ainda está aberta a outras opções, o que pode tornar o segundo turno bastante diferente do primeiro.

Lula lidera o primeiro turno, mas perde vantagem no segundo

No cenário de primeiro turno sem Pablo Marçal, Lula alcançou 39%, enquanto Flávio Bolsonaro ficou com 33% e Augusto Cury chegou a 11%. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais, e o levantamento foi realizado por telefone com 2.005 eleitores entre 28 e 30 de agosto, com registro no Tribunal Superior Eleitoral. Assim, embora Lula tenha vantagem de seis pontos sobre Flávio nesse cenário, a diferença ainda está muito distante de representar uma eleição resolvida.

A situação muda de maneira significativa quando os eleitores precisam escolher apenas entre Lula e Flávio Bolsonaro. Nesse confronto, Lula aparece com 46%, enquanto Flávio registra 45%, resultado considerado empate técnico diante da margem de erro da pesquisa. Portanto, uma vantagem de seis pontos no primeiro turno se transforma em apenas um ponto no segundo, mostrando como o cenário poderá ser apertado caso os dois avancem para a etapa decisiva.

O mesmo problema aparece em uma eventual disputa entre Lula e Ronaldo Caiado. A pesquisa aponta 45% para Lula e 44% para Caiado, novamente dentro da margem de erro, o que coloca os dois em situação de empate técnico. Dessa maneira, o presidente não teria uma vantagem estatisticamente segura contra dois nomes que poderiam chegar ao segundo turno carregando parte dos votos de candidatos eliminados na primeira etapa.

Segundo turno pode ser muito mais difícil para Lula

A principal dificuldade para Lula está justamente na possibilidade de seus adversários reunirem os votos que hoje estão distribuídos entre diferentes candidaturas. No primeiro turno, Cury, Caiado, Renan Santos, Zema e outros nomes disputam o mesmo eleitorado e acabam dividindo uma parcela significativa das intenções de voto. No segundo turno, entretanto, essa fragmentação desaparece, e o eleitor passa a escolher entre apenas dois candidatos, criando condições para uma concentração maior do voto oposicionista.

O avanço de Cury torna essa dinâmica ainda mais relevante porque o candidato passou a ocupar uma fatia expressiva do eleitorado que não estava concentrada nos dois principais nomes da disputa. Segundo a pesquisa BTG/Nexus, Cury chegou a 11%, nove pontos acima do levantamento anterior, enquanto também apresentou crescimento entre eleitores que não se identificam com a polarização tradicional. Se essa parcela do eleitorado continuar crescendo, ela poderá ter papel importante na definição de quem terá condições de chegar ao segundo turno e, depois, para onde irão seus votos.

Outro elemento que deve ser considerado é a rejeição dos principais candidatos. A pesquisa mostra Flávio Bolsonaro com 50% de rejeição e Lula com 49%, indicando que ambos possuem níveis elevados de resistência entre os eleitores. Em uma disputa de segundo turno, portanto, não basta conquistar os votos de quem já apoia determinado candidato, porque também será necessário atrair eleitores de outras candidaturas e convencer uma parcela daqueles que rejeitam os dois polos da disputa.

Lula precisará evitar o segundo turno para manter vantagem

Os números não permitem afirmar que Lula perderia uma eventual segunda votação, mas mostram claramente que o presidente teria uma disputa muito mais equilibrada caso não conseguisse vencer no primeiro turno. A liderança atual é importante, porém a diferença entre Lula e seus principais adversários praticamente desaparece nas simulações de segundo turno apresentadas pela BTG/Nexus. Por isso, a campanha petista terá um incentivo evidente para ampliar sua vantagem na primeira etapa e tentar transformar a liderança atual em uma vitória definitiva.

A pesquisa também indica que a eleição ainda está sujeita a mudanças importantes nas próximas semanas. O crescimento de Cury, a queda de Flávio e a estabilidade de Lula mostram que o eleitorado não está completamente consolidado, enquanto os empates no segundo turno revelam que a transferência dos votos dos candidatos eliminados poderá ser decisiva. Se Lula não vencer no primeiro turno, portanto, terá pela frente uma disputa muito mais difícil, na qual Flávio Bolsonaro ou Ronaldo Caiado poderão começar a segunda etapa praticamente em igualdade de condições.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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