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Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário. faleceu na carceragem da Polícia Federal

Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário, tornou-se uma das figuras centrais das investigações envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o caso Banco Master. Ex-policial militar, ele foi apontado pelos investigadores como responsável pela coordenação de um grupo de segurança particular que, segundo as apurações, teria ultrapassado atividades convencionais de proteção para executar ações de vigilância, coleta de informações e intimidação. O caso ganhou novos contornos em setembro de 2026, depois que documentos e mensagens relacionados à investigação voltaram a revelar detalhes sobre a atuação atribuída ao grupo.

A morte de Sicário ocorreu em março, poucas horas depois de sua prisão pela Polícia Federal em Belo Horizonte, durante uma nova etapa da Operação Compliance Zero. Após ser levado para a carceragem da corporação, ele atentou contra a própria vida e foi encontrado pelos policiais, sendo posteriormente atendido por equipes médicas e encaminhado ao Hospital João XXIII. A morte encefálica foi confirmada em 6 de março, dois dias depois do episódio registrado dentro da unidade da PF.

Desde então, as circunstâncias da morte passaram a ser examinadas também no âmbito de órgãos do Legislativo e do Judiciário, enquanto a investigação principal continuou avançando. Em abril, segundo informações divulgadas posteriormente pela Polícia Federal, a apuração interna concluiu que não havia indícios de intervenção externa no episódio, conclusão que passou a ser confrontada com documentos, imagens de segurança e outros elementos reunidos no processo. Mais recentemente, materiais analisados no caso indicaram que as câmeras disponíveis registraram a área onde ocorreu o ato, embora existissem pontos sem cobertura em outros locais da carceragem.

Quem era Sicário e qual era sua função no grupo de Vorcaro

Luiz Phillipi Mourão era descrito nas investigações como um operador de confiança ligado diretamente à estrutura de Daniel Vorcaro. Conforme documentos relacionados à Operação Compliance Zero, ele teria coordenado o grupo denominado “A Turma”, apontado como uma estrutura voltada à vigilância e à obtenção de informações sobre pessoas consideradas adversárias ou de interesse do banqueiro. Assim, a função atribuída a Sicário não estaria restrita à segurança física, mas envolveria também atividades de monitoramento e ações destinadas a proteger interesses particulares do grupo investigado.

Segundo elementos apresentados no processo, integrantes dessa estrutura teriam buscado informações sigilosas em diferentes sistemas e acompanhado pessoas consideradas críticas aos interesses de Vorcaro. Também são investigadas ações de intimidação, ameaças e tentativas de interferência no ambiente digital, enquanto valores teriam sido destinados ao financiamento dessas atividades. As acusações ainda fazem parte de investigações e, portanto, devem ser diferenciadas de fatos definitivamente reconhecidos por decisão judicial.

Entre os episódios que ganharam destaque estão mensagens atribuídas a Vorcaro e encontradas pela Polícia Federal, nas quais aparecem pedidos relacionados a pessoas próximas ou consideradas adversárias. Em um dos casos, documentos divulgados em junho apontaram que o ex-banqueiro teria solicitado a Sicário uma ação contra uma funcionária ligada à atriz Monique Alfradique, depois de alegar que estava sendo ameaçado por ela. A atriz afirmou, por meio de sua assessoria, desconhecer qualquer ameaça relacionada ao episódio, enquanto a defesa de Vorcaro não havia se manifestado sobre aquela publicação.

Sicário, Vorcaro e os novos elementos da investigação

Outro episódio que ampliou a atenção sobre a atuação de Sicário envolveu certificados internacionais de vacinação contra febre amarela. Mensagens obtidas pela investigação indicaram que Vorcaro teria encaminhado dados pessoais da atriz Monique Alfradique para Mourão e solicitado certificados com datas retroativas, enquanto a assessoria da atriz declarou que as vacinas haviam sido aplicadas regularmente e que ela possuía os comprovantes oficiais. Dessa forma, o caso passou a ser investigado também sob a perspectiva da possível falsificação ou adulteração de registros, sem que isso represente imputação de participação à atriz.

A investigação sobre o grupo também alcançou supostas consultas indevidas a sistemas e bases de dados, além do monitoramento de pessoas consideradas críticas ao banqueiro. Conforme elementos citados em documentos encaminhados ao Legislativo, Mourão teria exercido papel operacional relevante na obtenção dessas informações e na coordenação de ações atribuídas à chamada “A Turma”. Paralelamente, outros grupos e pessoas passaram a ser investigados por suspeitas relacionadas a ataques digitais, ameaças e proteção dos interesses ligados ao antigo conglomerado financeiro.

A morte de Sicário, por sua vez, também provocou questionamentos institucionais sobre as condições de custódia na sede da Polícia Federal em Minas Gerais. A Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara aprovou requerimento para uma visita técnica às instalações onde ocorreu o episódio, enquanto outro requerimento solicitou informações ao governo federal sobre a morte e sua relação com as investigações. No Senado, a CPI do Crime Organizado também aprovou pedido para receber documentos encaminhados pela Polícia Federal ao Supremo Tribunal Federal sobre o óbito.

O que as investigações apontam sobre a morte de Sicário

Os documentos mais recentes acrescentaram elementos à reconstrução dos momentos que antecederam a morte de Luiz Phillipi Mourão. Segundo reportagem baseada nos autos, imagens de câmeras de segurança, laudos toxicológicos e análises de celulares foram incorporados ao processo, sendo apontado que 166 registros de vídeo ajudaram a examinar a dinâmica do episódio. De acordo com essa documentação, Mourão teria tentado contato com a mãe e a irmã antes do ato e, posteriormente, foi localizado por um agente da Polícia Federal.

Apesar das dúvidas levantadas inicialmente e das solicitações feitas por parlamentares, a versão apresentada pela Polícia Federal permanece baseada na conclusão de que não houve participação externa na morte. Ao mesmo tempo, o caso continua inserido em uma investigação mais ampla, na qual são examinadas as atividades atribuídas ao grupo que teria sido coordenado por Sicário e suas conexões com Daniel Vorcaro. Portanto, novos documentos poderão continuar sendo analisados enquanto as apurações relacionadas ao caso Banco Master permanecem em andamento.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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