Flávio Bolsonaro disse que Lula está desesperado e tentando comprar o voto dos pobres

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro realizou um ato de campanha em Joinville, no norte de Santa Catarina, neste sábado, 19 de setembro, em uma agenda marcada por críticas ao governo Luiz Inácio Lula da Silva e pela apresentação de propostas para um eventual mandato. O evento ocorreu no Centro de Convenções e Exposições Expoville e reuniu aliados políticos, candidatos e apoiadores da candidatura do PL. Além disso, a escolha da cidade ocorreu em um estado no qual Jair Bolsonaro obteve ampla vantagem sobre Lula no segundo turno das eleições de 2022.
Durante o discurso, Flávio Bolsonaro concentrou parte das críticas no reajuste de 15,04% anunciado pelo governo para o Bolsa Família, que elevou o benefício mínimo de R$ 600 para R$ 691. O candidato classificou a medida como uma tentativa de conquistar votos entre os eleitores de menor renda e questionou por que o aumento não teria sido realizado anteriormente. Entretanto, apesar das críticas, Flávio afirmou que pretende manter o novo valor caso seja eleito presidente em 2026.
A passagem de Flávio por Joinville também foi utilizada para reforçar sua aproximação com lideranças políticas de Santa Catarina. Ao lado dele estiveram o governador Jorginho Mello, candidato à reeleição, Adriano Silva, candidato a vice-governador, além dos candidatos ao Senado Carlos Bolsonaro e Carol De Toni. Dessa maneira, o ato presidencial também serviu como espaço de mobilização para as candidaturas estaduais e para a formação de uma base política alinhada ao projeto apresentado pelo senador.
Flávio Bolsonaro em Joinville coloca Bolsa Família no centro do discurso
Ao abordar o Bolsa Família, Flávio Bolsonaro afirmou que o reajuste anunciado pelo governo Lula ocorreu a pouco mais de duas semanas do primeiro turno das eleições. Segundo o candidato, a correção poderia ter sido feita em anos anteriores, já que o programa havia sido reformulado em 2023 e a inflação acumulada desde então foi utilizada pelo governo como justificativa para o novo valor. A medida anunciada pelo Executivo passou a valer a partir de outubro, justamente no período posterior ao primeiro turno.
Mesmo questionando a oportunidade do reajuste, Flávio declarou que não pretende revogá-lo caso assuma a Presidência. O candidato disse ainda que pretende ampliar o benefício e citou como referência medidas adotadas durante o governo de seu pai, Jair Bolsonaro, ao defender uma política de transferência de renda associada à busca por emprego e estabilidade financeira. Portanto, sua posição apresentada no evento combinou a crítica ao momento do anúncio com o compromisso de preservar o novo valor caso seja eleito.
Além da discussão sobre o programa social, Flávio apresentou propostas econômicas durante o ato em Joinville. Entre elas, foram mencionadas a redução de impostos, a diminuição da burocracia, medidas de incentivo ao empreendedorismo e um programa chamado “Minha Primeira Empresa”, previsto em seu plano de governo. Na área de segurança pública, o candidato também defendeu que facções como o PCC e o Comando Vermelho sejam classificadas como organizações terroristas.
Flávio Bolsonaro destaca Santa Catarina e alianças políticas
Outro ponto destacado por Flávio Bolsonaro em Joinville foi a relação que pretende estabelecer com Santa Catarina caso seja eleito. O candidato afirmou que pretende utilizar características do estado como referência para sua administração e defendeu a realização de concessões e parcerias entre os governos federal e estadual. A proposta foi apresentada ao lado de Jorginho Mello, que disputa novamente o governo catarinense pelo PL.
Flávio também fez uma avaliação sobre o desenvolvimento de Santa Catarina e associou o desempenho de Joinville ao fato de a cidade não ter sido administrada pelo PT. A declaração foi feita durante o mesmo evento em que o candidato defendeu uma aproximação maior entre Brasília e o governo catarinense. Segundo informações divulgadas sobre o encontro, obras e investimentos que dependem de recursos ou participação federal também foram mencionados como parte da discussão entre as lideranças políticas presentes.
A agenda em Joinville ganhou ainda mais relevância porque Flávio Bolsonaro cumpriu compromissos em Santa Catarina no mesmo dia em que Lula realizou um ato de campanha em Florianópolis. Assim, os dois principais candidatos ligados aos grupos políticos que disputam a Presidência estiveram no mesmo estado, embora em cidades diferentes, durante a reta final do primeiro turno. Joinville também apresenta um histórico eleitoral favorável ao grupo político de Jair Bolsonaro, que recebeu mais de 76% dos votos válidos no município no segundo turno de 2022.
Campanha de Flávio Bolsonaro avança para outras regiões de Santa Catarina
Depois do compromisso em Joinville, Flávio Bolsonaro tinha prevista uma segunda agenda em Chapecó, no oeste catarinense, ainda no sábado. O evento estava programado para ocorrer no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, dando continuidade à estratégia de percorrer cidades do estado durante um mesmo dia. Em Chapecó, Jair Bolsonaro também havia obtido maioria dos votos no segundo turno de 2022, com aproximadamente 62% dos votos válidos.
Na reta final da campanha, o candidato do PL passou a combinar críticas ao governo federal com propostas econômicas, sociais e de segurança pública. Ao mesmo tempo, a participação de aliados como Jorginho Mello, Carlos Bolsonaro e Carol De Toni demonstrou a integração entre a disputa presidencial e as eleições estaduais e para o Senado em Santa Catarina. Com o primeiro turno marcado para 4 de outubro, os discursos realizados nos atos de campanha passaram a concentrar propostas para o próximo governo e críticas aos adversários.





