Lula deu uma entrevista à CNN internacional e defendeu o multilateralismo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar Donald Trump durante entrevista concedida à jornalista Christiane Amanpour, da CNN Internacional, nesta segunda-feira (21). Na conversa, realizada em Nova York, Lula afirmou que não concorda com a forma como o presidente dos Estados Unidos conduz sua política externa e voltou a descrevê-lo como um “imperador”. A entrevista ocorreu um dia antes do discurso do brasileiro na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas.
Ao explicar sua declaração, Lula afirmou que Trump adotaria uma lógica baseada na força econômica e política dos Estados Unidos. Segundo o presidente brasileiro, o norte-americano teria sido eleito para governar seu próprio país, mas não para impor decisões a outras nações. A fala retomou uma crítica que Lula já havia feito em outras ocasiões durante discussões sobre as relações entre Brasil e Estados Unidos.
Durante a entrevista, Lula também defendeu o fortalecimento do multilateralismo como caminho para as relações comerciais e diplomáticas entre os países. O presidente afirmou que considera necessário buscar maior equilíbrio no comércio internacional e evitar uma dinâmica baseada apenas no poder das nações mais fortes. Nesse contexto, ele criticou o que classificou como uma tendência ao unilateralismo na política adotada por Trump.
Lula defende multilateralismo nas relações internacionais
A defesa do multilateralismo foi um dos principais pontos abordados por Lula durante a entrevista à CNN Internacional. O presidente afirmou que o fortalecimento das relações entre diferentes países poderia contribuir para uma maior estabilidade nas negociações econômicas e diplomáticas. Para Lula, as decisões que afetam o comércio internacional deveriam ser discutidas levando em consideração os interesses de diferentes governos.
Lula também criticou a adoção de medidas comerciais unilaterais pelos Estados Unidos e relacionou o tema à política tarifária implementada pelo governo Trump. Segundo o presidente brasileiro, o comércio deveria ser equilibrado e não funcionar exclusivamente de acordo com a capacidade econômica ou militar de cada país. A declaração foi feita durante uma entrevista na qual as tarifas aplicadas sobre produtos brasileiros tiveram destaque.
Apesar das críticas, Lula afirmou que pretende continuar buscando uma negociação com o governo norte-americano. O presidente declarou que não deseja uma guerra tarifária com os Estados Unidos nem com outros países e destacou que considera o diálogo uma alternativa para solucionar divergências comerciais. Caso as negociações não avancem, ele mencionou a possibilidade de aplicação da Lei de Reciprocidade aprovada pelo Congresso Nacional.
Lula volta a chamar Trump de “imperador”
Questionado diretamente sobre a expressão utilizada anteriormente para definir Trump, Lula manteve a declaração durante a entrevista. O presidente afirmou novamente que Trump “age como um imperador” e explicou que sua crítica estava relacionada a uma forma de governar baseada na ideia de que o país mais forte poderia impor sua vontade aos demais. A afirmação foi feita em referência às decisões adotadas pelo governo norte-americano no comércio internacional.
Não foi a primeira vez que Lula utilizou a expressão ao se referir ao presidente dos Estados Unidos. Em julho de 2025, também em entrevista à CNN, o brasileiro havia dito que Trump não deveria se considerar “o imperador do mundo”, enquanto discutia as relações comerciais entre os dois países. Em junho de 2026, durante a cúpula do G7 na França, Lula voltou ao tema ao afirmar que o norte-americano continuava agindo como um imperador.
Além das críticas à política comercial, Lula afirmou que não pretende interferir em assuntos internos dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, disse que espera que o governo norte-americano também não interfira nas eleições brasileiras e relatou ter pedido isso diretamente a Trump. Segundo Lula, o presidente dos Estados Unidos teria indicado a interlocutores que não pretende interferir no processo eleitoral brasileiro.
Lula fala sobre tarifas e eleições brasileiras
A questão das tarifas impostas pelos Estados Unidos também foi abordada durante a entrevista. Lula afirmou que o Brasil continuará procurando novos parceiros comerciais enquanto mantém as negociações com Washington. Segundo ele, a aplicação da Lei de Reciprocidade não seria adotada enquanto houver possibilidade de avanço nas conversas entre os dois governos.
O presidente também afirmou que existem indícios de interferência nas eleições brasileiras por meio do uso de inteligência artificial, mas não detalhou durante a entrevista quais seriam os casos mencionados. Sobre o processo eleitoral, Lula destacou a utilização do sistema eletrônico de votação no Brasil e afirmou que considera importante preservar a condução nacional das eleições. A declaração foi apresentada no contexto de sua defesa de que governos estrangeiros não devem interferir no processo eleitoral brasileiro.
Lula chegou a Nova York no domingo (20) para participar da Assembleia Geral da ONU e tinha previsto para esta terça-feira (22) o tradicional discurso de abertura feito pelo presidente brasileiro. A entrevista à CNN Internacional ocorreu nesse contexto, com temas de política externa, comércio, tarifas e relações entre Brasil e Estados Unidos sendo tratados pelo presidente. As declarações sobre Trump e o multilateralismo foram dadas na véspera do pronunciamento brasileiro na organização internacional.
A entrevista também colocou em evidência a posição de Lula sobre o relacionamento comercial com os Estados Unidos e sobre a necessidade de ampliar as relações com outros parceiros internacionais. Ao defender o multilateralismo, o presidente afirmou que o Brasil deve continuar negociando sem abandonar a busca por equilíbrio nas relações comerciais. Ao mesmo tempo, manteve suas críticas às medidas adotadas por Trump e reiterou sua defesa de negociações para solucionar as divergências.
No encontro com Christiane Amanpour, Lula ainda vinculou sua posição sobre política externa à defesa da soberania brasileira e à não interferência estrangeira nas eleições. O presidente afirmou que deseja manter o diálogo com os Estados Unidos, mas ressaltou que decisões sobre o Brasil devem ser tomadas pelos brasileiros. A entrevista ocorreu em um momento de negociações comerciais entre os dois países e às vésperas do discurso de Lula na Assembleia Geral da ONU.





