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AP Exata mostrou qual ministro do STF vem sendo mais rejeitado nas redes, se é Mendonça ou Moraes

A rejeição a Mendonça nas redes sociais aumentou de forma expressiva nas últimas semanas, em meio à crise que passou a envolver diferentes ministros do Supremo Tribunal Federal e as investigações relacionadas ao chamado Caso Master. Dados da consultoria AP Exata mostram que a percepção sobre o ministro André Mendonça sofreu uma mudança importante desde o início de setembro, período em que o magistrado passou a ocupar posição central na condução de processos relacionados ao caso. Ao mesmo tempo, as menções a Alexandre de Moraes continuaram registrando maioria negativa, embora também tenha sido identificada uma elevação nas manifestações positivas sobre o ministro.

O levantamento considerou manifestações publicadas no Instagram e no X, permitindo observar como a discussão sobre os ministros se desenvolveu no ambiente digital durante a crise. Em 4 de setembro, as menções negativas a Mendonça representavam 32% do total analisado, enquanto as positivas correspondiam a 26%, mas, até 16 de setembro, o percentual negativo havia avançado para 59%. Assim, uma diferença que inicialmente era relativamente pequena passou a ser ampliada conforme novas decisões, manifestações públicas e episódios envolvendo o Supremo foram divulgados.

A mudança ocorreu em um período de forte exposição do ministro André Mendonça, que ganhou destaque depois de retirar o sigilo de documentos produzidos pela Polícia Federal relacionados às mensagens envolvendo Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Posteriormente, a atuação de Mendonça também passou a ser questionada por integrantes da própria Corte, enquanto o ministro apresentava seus argumentos sobre a condução das investigações e o acesso aos elementos reunidos no processo. Dessa maneira, a discussão deixou de ficar concentrada apenas em Moraes e passou a envolver diretamente o relator do Caso Master.

Rejeição a Mendonça cresce enquanto Moraes permanece no centro da crise

A evolução dos números mostra que a rejeição a Mendonça ocorreu paralelamente à continuidade de uma percepção predominantemente negativa sobre Alexandre de Moraes nas redes sociais. Segundo a AP Exata, as menções negativas a Moraes passaram de 77,5% para 74% no período analisado, enquanto as manifestações positivas cresceram de 3% para 11%. Portanto, embora tenha havido uma redução da proporção negativa, o ministro continuou concentrando uma parcela majoritária das manifestações desfavoráveis.

No caso de Mendonça, entretanto, o movimento apresentou características diferentes, porque o crescimento das críticas veio acompanhado da manutenção de aproximadamente 30% de manifestações positivas. O resultado indica uma discussão mais polarizada em torno do relator do Caso Master, especialmente porque sua atuação passou a ser interpretada de maneiras distintas por grupos políticos e usuários das redes sociais. Além disso, a atuação do ministro foi inserida no debate eleitoral de 2026, circunstância que ampliou a exposição política das decisões judiciais tomadas durante o período.

A escalada das manifestações ocorreu depois que documentos da Polícia Federal envolvendo Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes tiveram o sigilo retirado por Mendonça em 1º de setembro. O material trouxe registros de contatos entre o ex-banqueiro e o ministro do STF, além de informações sobre relações profissionais e pagamentos relacionados ao escritório da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes. Posteriormente, Moraes apresentou sua defesa e contestou a interpretação atribuída às mensagens, enquanto o embate entre os ministros passou a ser discutido também dentro do plenário do Supremo.

Caso Master amplia disputa entre ministros do Supremo

A crise ganhou novas dimensões nas semanas seguintes, principalmente porque o Supremo passou a analisar pedidos relacionados à atuação de Alexandre de Moraes e André Mendonça em momentos próximos. O presidente da Corte, Edson Fachin, havia marcado para setembro as sessões destinadas a tratar dos dois casos, deixando os processos dentro do calendário anterior ao primeiro turno das eleições de 2026. Entretanto, o andamento dos julgamentos acabou sendo afetado por pedidos de vista e por divergências entre os próprios ministros.

Em 15 de setembro, uma sessão marcada para discutir a situação de Moraes terminou sem uma conclusão definitiva depois de o ministro Flávio Dino pedir vista do processo. Antes da suspensão, houve divergências entre integrantes do Supremo sobre a condução dos trabalhos e sobre a possibilidade de análise conjunta de questões envolvendo Moraes e Mendonça. Consequentemente, o episódio aumentou a percepção pública de que a crise havia ultrapassado os limites de um processo específico e alcançado a dinâmica interna da Corte.

Além disso, a própria quantidade de decisões e manifestações oficiais relacionadas ao Caso Master demonstra o grau de movimentação provocado pela disputa. Um levantamento da CNN Brasil identificou pelo menos 44 despachos ou ofícios relacionados ao caso desde 1º de setembro, com participação especialmente relevante de Edson Fachin e André Mendonça. Paralelamente, pedidos de acesso a informações, questionamentos sobre sigilos e discussões envolvendo documentos da Polícia Federal passaram a ocupar espaço significativo na agenda do Supremo.

Redes sociais refletem disputa por interpretações sobre Moraes e Mendonça

Os dados da AP Exata devem ser interpretados como um retrato das manifestações nas redes sociais, e não como uma pesquisa de opinião tradicional sobre toda a população brasileira. Ainda assim, a evolução dos percentuais permite identificar como a repercussão digital dos acontecimentos se modificou à medida que novas informações e decisões foram divulgadas. Nesse contexto, a rejeição a Mendonça ganhou força ao mesmo tempo em que a imagem de Moraes continuou sendo alvo de elevado volume de manifestações negativas.

A análise também mostra como a crise do Supremo passou a reunir diferentes interpretações políticas e institucionais. Segundo avaliação apresentada à CNN Brasil pelo diretor de Inteligência da Quaest, Guilherme Russo, o Caso Master passou a envolver personagens associados a diferentes campos políticos, o que teria tornado a compreensão do episódio mais difícil para parte do público. Assim, enquanto Moraes continuou sendo o principal alvo de críticas nas redes, Mendonça passou a receber uma parcela crescente de manifestações negativas conforme sua participação no caso ganhou maior visibilidade.

Por fim, o cenário registrado até 16 de setembro demonstra que a repercussão digital acompanhou a escalada institucional do conflito, mas não permite, isoladamente, concluir como a população brasileira como um todo avalia os ministros. As decisões do Supremo, os documentos produzidos pela Polícia Federal, as manifestações dos próprios magistrados e o debate político continuarão influenciando a percepção pública sobre o episódio. Dessa forma, a evolução das menções nas redes oferece apenas uma das dimensões para compreender uma crise que envolve o funcionamento do Judiciário, investigações sobre o Banco Master e disputas institucionais no período que antecede as eleições de 2026.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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