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Por que Nunes Marques avalia rever impedimento no caso Banco Master

Nunes Marques sinaliza votar em processos do caso Master após eleições

Nunes Marques sinaliza votar em processos relacionados ao Banco Master depois das eleições de 2026, segundo relatos de interlocutores do ministro Kassio Nunes Marques, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF) e atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A possibilidade representa uma mudança em relação à sessão extraordinária realizada em 15 de setembro, quando o magistrado se declarou impedido de participar da análise de um relatório da Polícia Federal envolvendo supostos diálogos relacionados ao ministro Alexandre de Moraes e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. De acordo com pessoas próximas ao ministro ouvidas pela imprensa, Nunes Marques considera que sua decisão de não votar naquele momento foi motivada especificamente pelo período eleitoral, já que também ocupa a presidência da Justiça Eleitoral. Assim, caso as discussões sejam retomadas depois de outubro, ele avalia que as circunstâncias que justificaram seu afastamento poderão não estar mais presentes. Entretanto, nenhuma posição definitiva sobre seu voto no mérito foi anunciada publicamente.

Nunes Marques sinaliza votar em processos depois do período eleitoral

Na sessão do dia 15, Nunes Marques explicou que não se sentia confortável em participar de uma decisão com potencial de repercussão sobre o cenário eleitoral enquanto presidia o TSE. O magistrado argumentou que a Corte Eleitoral deve permanecer distante das preferências partidárias e que seu papel institucional exigia cautela diante de um julgamento capaz de ser explorado durante a campanha. Por isso, declarou-se impedido naquela análise específica. Nos bastidores, porém, o ministro passou a sustentar que o afastamento teria caráter circunstancial e poderia ser revisto depois das eleições. Segundo a Folha de S.Paulo, ele considera que outras questões relativas ao Master deverão ser avaliadas individualmente. O Supremo registra oficialmente que, naquela sessão, Nunes Marques não participou do julgamento justamente devido aos possíveis efeitos eleitorais da decisão. Portanto, sua eventual volta aos processos dependerá do momento em que os casos forem retomados e da avaliação jurídica feita pelo próprio ministro.

Julgamento sobre Alexandre de Moraes continua suspenso no Supremo

A discussão que levou Nunes Marques a declarar impedimento envolve a Petição 16.662, originada de relatório elaborado pela Polícia Federal com informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro. O procedimento analisa se existem elementos que justifiquem novas providências relacionadas às menções ao ministro Alexandre de Moraes. Entretanto, o STF ainda não examinou o mérito da questão. Durante a sessão extraordinária, surgiu uma proposta para reunir esse procedimento com a Petição 16.704, que trata de alegações sobre a condução das investigações do Banco Master pelo ministro André Mendonça. Flávio Dino pediu vista e suspendeu a análise antes de uma decisão definitiva. Além disso, o STF informa que as duas petições estão atualmente sob a relatoria do presidente da Corte, Edson Fachin, enquanto permanece pendente a definição sobre eventual julgamento conjunto e redistribuição dos feitos. Dessa maneira, tanto a situação de Moraes quanto questões envolvendo Mendonça continuam abertas e deverão voltar ao Plenário posteriormente.

Mensagens envolvendo Nunes Marques também passaram a ser analisadas

Ao mesmo tempo, o próprio Nunes Marques passou a ser citado em informações retiradas do aparelho de Vorcaro. Mensagens divulgadas pela imprensa mencionaram pedidos de hospedagens, viagens, eventos e pessoas identificadas pelos interlocutores como integrantes da chamada “Turma do KN”, expressão que, segundo as reportagens, faria referência ao ministro. Documentos também revelaram um contrato de advocacia com honorários de êxito que poderiam chegar a R$ 427 milhões, firmado pelo Banco Master com o escritório Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos, da advogada Camilla Ramos. Conversas obtidas pela investigação registraram referências a decisões judiciais e pedidos atribuídos ao entorno de Nunes Marques. Entretanto, o ministro contesta qualquer associação irregular. Ele afirma que nunca votou para beneficiar diretamente o Banco Master, que jamais manteve conversa com Daniel Vorcaro e que processos nos quais participou discutiam teses jurídicas mais amplas, aplicáveis a diferentes empresas. Assim, mensagens e referências permanecem elementos sujeitos a apuração e não equivalem, por si só, à comprovação de irregularidade.

Filho de Nunes Marques também foi citado em diálogos apreendidos pela PF

Outra frente que ampliou a repercussão foi a divulgação de conversas que mencionavam Kevin Marques, filho do ministro e advogado. Segundo informações extraídas do celular de Vorcaro, um antigo diretor jurídico do Banco Master mencionava pagamentos realizados por meio da empresa Consult Inteligência Tributária. A assessoria de Kevin Marques afirmou que ele nunca prestou serviços ao Banco Master nem recebeu dinheiro diretamente de Daniel Vorcaro. Segundo a manifestação divulgada, o advogado recebeu R$ 281,6 mil da Consult pela prestação de serviços especializados na área tributária administrativa e essa atividade não teria qualquer relação com o Supremo. Nunes Marques também usou a sessão do dia 15 para defender sua independência e afirmou que seu filho não foi remunerado pelo Master. O ministro acrescentou que sua própria atuação anterior demonstraria, em sua avaliação, ausência de favorecimento, citando inclusive votos relacionados à manutenção de prisões no âmbito das investigações. Portanto, as versões apresentadas pelo magistrado e pelo filho também fazem parte do conjunto de informações que precisa ser considerado na análise do episódio.

Caso Master atravessa impasse processual dentro do STF

Enquanto isso, o andamento do caso Master permanece marcado por uma disputa processual dentro do Supremo. Fachin determinou que procedimentos relacionados às investigações fossem encaminhados à Presidência e assumiu a relatoria da Petição 16.662. Posteriormente, na sessão de 15 de setembro, parte dos ministros defendeu manter os processos separados e sob sua relatoria, enquanto outra corrente propôs reunir as petições e realizar uma nova distribuição. Até o pedido de vista de Dino, Fachin, Cármen Lúcia, Luiz Fux e André Mendonça haviam se manifestado contra a questão de ordem que previa a reunião dos casos, enquanto Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin votaram a favor. Como a discussão foi interrompida, nenhum resultado definitivo foi proclamado. Além disso, uma sessão que analisaria especificamente a conduta de Mendonça, prevista inicialmente para 23 de setembro, foi retirada do calendário até que os critérios processuais sejam definidos. Consequentemente, uma eventual participação futura de Nunes Marques poderá ocorrer em um cenário jurídico diferente daquele existente quando ele declarou impedimento.

Nunes Marques sinaliza votar em processos, mas posição final ainda depende da retomada

Por fim, Nunes Marques sinaliza votar em procedimentos relacionados ao caso Master depois das eleições, mas essa intenção ainda não representa anúncio de voto favorável ou contrário a qualquer ministro. Reportagens apontam que o magistrado entende seu impedimento anterior como potencialmente temporário, relacionado sobretudo à responsabilidade de presidir o TSE durante uma disputa eleitoral marcada pela exploração política da crise no Supremo. Quando os processos forem retomados, caberá ao próprio Nunes Marques avaliar se continuará impedido em cada procedimento e, caso participe, decidir sobre as questões jurídicas submetidas ao Plenário. Também permanece pendente a definição sobre a relatoria e sobre a tramitação conjunta ou separada das petições envolvendo Moraes e Mendonça. Portanto, embora a sinalização feita a interlocutores indique a possibilidade de retorno aos julgamentos após outubro, não é possível antecipar sua posição sobre o mérito. O cenário deverá depender das decisões processuais do STF, da retomada da análise suspensa por Flávio Dino e dos elementos que ainda poderão ser apresentados nas investigações sobre o Banco Master.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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