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Lula, Trump e guerras dominam a ONU: veja o que está em jogo em Nova York

Discursos de Lula e Trump, guerras e IA: o que esperar da Assembleia da ONU

Discursos de Lula e Trump, guerras em diferentes regiões, inteligência artificial, crise do multilateralismo e negociações diplomáticas de alto nível colocam Nova York no centro da política mundial nesta semana. O Debate Geral da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas começou nesta terça-feira (22) e seguirá até 28 de setembro, reunindo representantes dos 193 Estados-membros da organização. O tema escolhido para a sessão é “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”, refletindo justamente as dificuldades enfrentadas pelo sistema internacional em um período marcado por conflitos, desigualdade, mudanças climáticas e avanço acelerado da tecnologia. Quase 130 chefes de Estado e de governo são esperados presencialmente durante a Semana de Alto Nível. Além disso, a edição de 2026 possui um significado adicional: será a última Assembleia Geral de António Guterres como secretário-geral antes do término de seu segundo mandato, em dezembro.

Discursos de Lula e Trump abrem debate em momento de tensão global

Como ocorre tradicionalmente desde 1955, o Brasil abre a sequência de pronunciamentos nacionais, com Luiz Inácio Lula da Silva ocupando a tribuna antes do representante dos Estados Unidos, neste ano Donald Trump. Assim, Discursos de Lula e Trump estarão entre os primeiros grandes momentos políticos da Assembleia. Embora os dois presidentes apresentem prioridades diferentes, ambos falam diante de um cenário dominado pelas guerras e por questionamentos sobre a capacidade das instituições internacionais de mediar crises. No caso americano, a guerra envolvendo o Irã deve ocupar espaço importante na agenda de Trump, que também programou reuniões com líderes do Golfo. Paralelamente, Lula chega à tribuna defendendo temas tradicionais da diplomacia brasileira, como multilateralismo, soberania e busca por soluções negociadas para conflitos. A programação oficial estabelece cerca de 15 minutos para cada país, embora esse limite nem sempre seja rigorosamente respeitado.

Ucrânia, Irã e Groenlândia transformam corredores da ONU em espaço de negociação

Entretanto, uma parte relevante da diplomacia acontece fora do púlpito. Donald Trump deverá encontrar o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky em Nova York, com a situação da guerra contra a Rússia, ataques à infraestrutura energética e sistemas de defesa aérea entre os temas previstos. Sergey Lavrov, chanceler russo, também deve conversar com o secretário de Estado americano, Marco Rubio. Ao mesmo tempo, Washington acompanha possíveis contatos relacionados ao Irã, enquanto o presidente Masoud Pezeshkian participa presencialmente da Assembleia apesar das fortes tensões entre seu país e os Estados Unidos. Outro acordo de grande repercussão envolve Groenlândia, Dinamarca e Washington: Trump deve assinar nesta terça-feira um pacto que amplia significativamente a presença militar americana na ilha ártica, embora o governo dinamarquês afirme que sua soberania continuará preservada. Dessa maneira, encontros paralelos podem produzir consequências práticas tão importantes quanto os próprios discursos oficiais.

Assembleia reúne líderes, mas ausências e restrições também chamam atenção

A lista de participantes também expõe as divisões atuais da comunidade internacional. O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, não recebeu visto dos Estados Unidos para comparecer presencialmente e deverá discursar remotamente depois que a Assembleia Geral autorizou sua participação por vídeo. A decisão foi aprovada por 152 votos favoráveis, três contrários e quatro abstenções. Já a principal delegação iraniana recebeu autorização para viajar, incluindo Pezeshkian e o chanceler Abbas Araqchi, embora tenha sido submetida a restrições de circulação e outras limitações impostas pelo governo americano. Além disso, a presença de diferentes lideranças será observada tanto pelo conteúdo dos pronunciamentos quanto pelas reações dentro do plenário, onde protestos diplomáticos, ausências deliberadas e abandonos de delegações já ocorreram em edições anteriores. O encontro reúne, portanto, aliados e adversários em um dos poucos espaços internacionais onde praticamente todos os governos podem apresentar publicamente suas posições.

Inteligência artificial ganha espaço enquanto Guterres prepara despedida

Além das guerras, a inteligência artificial se tornou um dos temas centrais desta Assembleia. A presidência da 81ª sessão incluiu explicitamente IA, big data e plataformas digitais entre suas prioridades, defendendo mecanismos de governança capazes de aproveitar benefícios tecnológicos sem ampliar desigualdades, vigilância, discriminação e desinformação. Para António Guterres, a questão também ganhou importância especial durante os últimos anos de mandato. A Semana de Alto Nível inclui debates relacionados à governança digital e à inteligência artificial, enquanto o Conselho de Segurança e diferentes governos promovem discussões próprias sobre os impactos da tecnologia. Ao mesmo tempo, começa a ganhar força a disputa para escolher quem comandará a organização a partir de janeiro de 2027. Em votação informal realizada no Conselho de Segurança, a ex-vice-presidente da Costa Rica Rebeca Grynspan apareceu com uma vantagem estreita sobre outros candidatos, mas a escolha ainda depende especialmente da negociação entre os cinco membros permanentes com poder de veto.

Crise financeira e críticas aumentam pressão por reformas na ONU

Enquanto líderes discutem guerras e novas tecnologias, a própria sobrevivência institucional da ONU permanece sob pressão. No início de 2026, Guterres chegou a alertar para o risco de uma grave crise financeira devido ao atraso no pagamento das contribuições obrigatórias de vários países, particularmente dos Estados Unidos. Na semana anterior à Assembleia, porém, Washington pagou US$ 725 milhões ao orçamento regular e outros US$ 102 milhões relacionados a operações de paz, reduzindo parte de sua dívida e evitando problemas relacionados ao direito de voto. Ainda assim, o governo americano continuava devendo mais de US$ 1,3 bilhão ao orçamento regular. Além disso, Trump permanece um crítico frequente do funcionamento das Nações Unidas e defende mudanças profundas na instituição. Portanto, a Assembleia de 2026 ocorre em um paradoxo: enquanto a ONU continua sendo o principal fórum capaz de reunir praticamente todos os governos do planeta, sua capacidade financeira e sua influência política são cada vez mais questionadas.

Discursos de Lula e Trump mostram por que a ONU ainda concentra atenção mundial

Por fim, Discursos de Lula e Trump serão apenas uma parte de uma semana em que diferentes crises convergem para o mesmo espaço. Ucrânia, Rússia, Irã, Oriente Médio, inteligência artificial, clima, financiamento internacional e reforma das instituições estarão presentes simultaneamente nas reuniões em Nova York. Além disso, a saída de Guterres acrescenta uma discussão sobre o futuro da própria organização e sobre quem terá a tarefa de conduzi-la em um cenário internacional mais fragmentado. Apesar das críticas e das limitações demonstradas diante de conflitos recentes, a Assembleia Geral continua possuindo uma característica difícil de reproduzir em qualquer outro fórum: governos adversários, grandes potências e pequenos países dividem o mesmo ambiente diplomático e podem apresentar formalmente suas posições. Assim, a grande questão desta semana não será apenas o que cada líder dirá no famoso púlpito da Assembleia, mas se as conversas paralelas conseguirão transformar discursos em negociações concretas capazes de reduzir tensões e reconstruir parte da confiança que o próprio tema da 81ª sessão reconhece estar fragilizada.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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