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Quem pagou o voo de Flávio? Advogado contesta ligação com Vorcaro

Advogado diz ter bancado voo de Flávio e nega relação com Vorcaro

A viagem que levou o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) da Flórida para Brasília, em janeiro de 2025, ganhou uma nova versão nesta quinta-feira (24). O advogado e empresário Willer Tomaz afirmou que foi o responsável por solicitar e custear integralmente o voo e negou qualquer participação de Daniel Vorcaro na viagem. A manifestação ocorreu após reportagens apontarem que o jato utilizado pelo político e sua família estava ligado, na época, a uma empresa que tinha Vorcaro entre os sócios. Portanto, embora a aeronave esteja no centro da controvérsia, existe uma diferença importante entre a propriedade formal do avião, a participação societária e quem efetivamente teria pago determinado trecho.

Advogado diz ter bancado voo de Flávio: o que afirma Willer Tomaz

Segundo a versão apresentada por Willer Tomaz, o voo realizado em 19 de janeiro de 2025 foi organizado a partir da utilização das horas correspondentes à sua participação na aeronave. O advogado afirma que possuía uma das três cotas da sociedade Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A. desde 2023 e que, por isso, teria solicitado a viagem e arcado com os custos do deslocamento. Além disso, Tomaz sustenta que os demais passageiros embarcaram como seus convidados, sem pagamento ou contrapartida. Entre eles estavam Flávio Bolsonaro, sua esposa, Fernanda Bolsonaro, e as duas filhas do casal. A afirmação, entretanto, corresponde à versão apresentada pelo próprio advogado e não representa, por si só, uma conclusão independente sobre a origem dos recursos utilizados no voo.

A estrutura de propriedade do jato

A controvérsia se tornou mais complexa porque o avião não estava registrado simplesmente no nome de uma pessoa física. O Legacy 650, de prefixo PP-NLR, tinha sua propriedade formal concentrada na Fraction 024, empresa criada para administrar a participação compartilhada na aeronave. Uma das cotas estava vinculada a Willer Tomaz por meio da Alcazar Holdings, enquanto outra estava relacionada à Prime You. A terceira participação estava associada ao empresário Laércio Cosentino, fundador da TOTVS. Conforme relatório da Polícia Federal citado nas reportagens, cada fração de 33,33% foi avaliada em aproximadamente US$ 5,5 milhões em maio de 2025. Assim, o ponto central não é apenas identificar quem era o proprietário formal do jato, mas compreender quais empresas participavam da estrutura e quem tinha direito à utilização da aeronave em cada período.

Advogado nega ligação com Daniel Vorcaro

É justamente nesse ponto que a declaração de Tomaz procura estabelecer uma separação entre o voo e Daniel Vorcaro. O advogado afirma que não conhece o empresário, que nunca manteve negócios com ele e que não tinha conhecimento de que a Prime You havia adquirido uma participação na aeronave. Segundo sua versão, a transferência de uma das cotas para a empresa ocorreu sem sua anuência e somente teria sido descoberta por ele em abril de 2026. Depois disso, Tomaz afirma ter rompido o contrato e iniciado uma disputa judicial com a Prime You. A empresa, por sua vez, havia tido Vorcaro entre seus sócios de 2021 até setembro de 2025. Dessa forma, a ligação empresarial existia na estrutura societária, mas Tomaz contesta que ela tenha qualquer relação com o pagamento ou com a organização daquele voo específico.

O mesmo avião usado posteriormente por Alexandre de Moraes

Outro elemento que aumentou a repercussão do caso foi o fato de o mesmo Legacy 650 ter sido utilizado, meses depois, pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e por sua esposa, Viviane Barci de Moraes. A viagem ocorreu em agosto de 2025 e já havia sido objeto de reportagens anteriores. Segundo informações divulgadas à época, o casal havia contratado serviços de táxi aéreo e não teria viajado acompanhado de Vorcaro. Agora, a coincidência entre os passageiros de diferentes períodos voltou ao debate político porque Flávio Bolsonaro confirmou ter utilizado o avião em janeiro de 2025 e reagiu nas redes sociais mencionando justamente o fato de a aeronave também ter sido usada posteriormente por Moraes. O episódio, portanto, passou a ser analisado dentro de um contexto mais amplo de relações empresariais e políticas envolvendo diferentes personagens.

Advogado diz ter bancado voo de Flávio em meio a outras investigações

A manifestação de Willer Tomaz também ocorre em um momento de maior atenção sobre sua atuação empresarial e suas relações políticas. O advogado é alvo de investigação da Polícia Federal no contexto da Operação Sem Desconto, que apura suspeitas relacionadas a fraudes envolvendo benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). É importante, contudo, separar a existência de uma investigação de qualquer conclusão sobre responsabilidade criminal. Além disso, Tomaz já havia sido envolvido em outro episódio judicial de grande repercussão anos antes: em 2017, ele foi preso preventivamente no contexto de uma investigação derivada da Lava Jato. Posteriormente, a prisão foi substituída por medidas cautelares pelo STF. O histórico ajuda a explicar por que o nome do advogado voltou a receber atenção, mas não estabelece, por si só, qualquer irregularidade no voo de 2025.

Por fim, a principal questão colocada agora é factual: quem organizou e efetivamente custeou a viagem de janeiro de 2025? Willer Tomaz afirma que a resposta é ele próprio e rejeita qualquer participação direta ou indireta de Daniel Vorcaro. Ao mesmo tempo, reportagens apontaram que, na estrutura societária existente naquele período, uma das três participações da aeronave estava vinculada à Prime You, empresa que tinha Vorcaro como sócio. Flávio Bolsonaro, por sua vez, confirmou a viagem e afirmou que considerava o avião pertencente ao advogado. Até o momento, as informações disponíveis não permitem transformar a disputa entre essas versões em uma conclusão sobre eventual irregularidade. O que está documentado é a existência da viagem, a estrutura compartilhada da aeronave, a participação empresarial da Prime You e a declaração de Tomaz de que o trecho foi pago por ele. A partir daí, eventuais responsabilidades deverão ser estabelecidas pelas autoridades competentes com base em documentos, contratos e registros financeiros.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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