Vereador do PL entrou com duas representações no MPSP protestando contrato de publicidade

Um vereador de Santos apresentou duas representações ao Ministério Público de São Paulo para questionar um contrato de publicidade de R$ 9,4 milhões firmado pela Prefeitura de Santos. Segundo os documentos encaminhados ao MPSP pelo vereador Rui de Rosis Júnior, do PL, teriam sido identificados pagamentos a perfis de redes sociais que publicaram conteúdos favoráveis ao prefeito Rogério Santos e a aliados políticos. As representações também questionam a existência de possíveis serviços de monitoramento de vereadores, influenciadores e páginas consideradas de oposição à administração municipal.
De acordo com os documentos analisados pelo gabinete do parlamentar, R$ 133 mil teriam sido pagos a cinco titulares de páginas do Instagram da Baixada Santista, em 32 notas fiscais. Quatro dos perfis citados seriam de São Vicente, município vizinho a Santos, e as publicações teriam sido apresentadas como parte da comprovação dos serviços contratados pela administração municipal. A representação afirma ainda que não foram localizados, nos documentos analisados, plano de mídia, pesquisa de preços ou critérios relacionados aos resultados esperados das páginas contratadas.
Os materiais questionados incluem publicações com elogios à administração de Rogério Santos e conteúdos favoráveis ao deputado federal Paulo Alexandre Barbosa, apontado na reportagem como aliado do prefeito. Também aparecem críticas direcionadas a parlamentares de oposição, entre eles a deputada federal Rosana Valle e o vereador Alisson Sales, ambos do PL. Segundo a representação, os posts foram incluídos em processos administrativos da Prefeitura de Santos como comprovação dos serviços, sendo posteriormente conferidos e pagos pela Secretaria Municipal de Comunicação.
Prefeitura de Santos contesta acusações sobre os pagamentos
A Prefeitura de Santos negou que tenha realizado pagamentos a perfis de redes sociais com o objetivo de promover críticas contra agentes políticos ou monitorar opositores. Em nota, a administração municipal afirmou que houve uma “falha processual” na documentação apresentada por uma página, que teria incluído espontaneamente todo o relatório de engajamento no Instagram em vez de somente o material relacionado à publicação institucional contratada. A prefeitura informou que a empresa responsável pelo contrato foi notificada para adotar providências nas prestações de contas.
Segundo a gestão municipal, existe contratação de páginas para ampliar a divulgação de serviços institucionais, mas não haveria interferência no conteúdo editorial produzido por esses perfis. A prefeitura afirmou ainda que os serviços executados são considerados regulares e que a Secretaria Municipal de Comunicação está disposta a apresentar os esclarecimentos necessários aos órgãos de controle. Dessa forma, a administração contestou a interpretação de que os pagamentos tenham sido feitos para financiar ataques ou manifestações políticas favoráveis a determinados agentes.
Entre os conteúdos citados na representação está uma publicação sobre a popularidade de Rogério Santos, que exerce o segundo mandato como prefeito de Santos. Outro material foi apresentado como uma pesquisa de intenção de voto e indicava Paulo Alexandre Barbosa na liderança entre eleitores da Baixada Santista para a eleição de 2026. Também foi questionado um conteúdo sobre a chamada PEC da Blindagem, no qual Rosana Valle era apresentada como favorável à proposta e Paulo Alexandre como contrário, publicação que teria registrado 88 mil visualizações e mais de 3,2 mil interações.
Contrato também é questionado por suposto monitoramento
Uma segunda representação encaminhada ao Ministério Público trata de informações relacionadas ao monitoramento e à gestão de redes sociais. Segundo o gabinete do vereador, durante a análise dos documentos foram encontrados elementos que indicariam uma proposta comercial para acompanhar políticos, influenciadores, vereadores e redes consideradas de oposição. A Prefeitura de Santos, porém, negou que esse tipo de serviço tenha sido contratado para monitorar adversários políticos.
A Secretaria de Comunicação e Economia Criativa afirmou que não realiza monitoramento de redes sociais com a finalidade de interferir na linha editorial ou promover ataques contra agentes políticos. A prefeitura explicou que houve uma proposta comercial para monitoramento de temas relacionados à gestão da cidade, mas que esse serviço não chegou a ser contratado. Segundo a administração, a empresa mencionada presta serviços para uma agência de publicidade vencedora de licitação e atua na análise de dados públicos na internet relacionados ao desempenho do turismo de Santos.
A documentação também provocou manifestação da assessoria do deputado Paulo Alexandre Barbosa, que afirmou que ele não participou da contratação mencionada e não teve envolvimento na produção ou na decisão editorial das publicações questionadas. A equipe do parlamentar declarou que a divulgação de ações, votações, posicionamentos e pesquisas em que ele é citado faz parte do trabalho regular de sua assessoria de imprensa. Segundo a nota, as informações são encaminhadas a veículos de comunicação e páginas, que decidem sobre a publicação de acordo com seus próprios critérios editoriais.
Representações agora serão analisadas pelo Ministério Público
As duas representações apresentadas pelo vereador colocam sob análise do MPSP a execução de um contrato de publicidade da Prefeitura de Santos e a documentação utilizada para comprovar parte dos serviços. O Ministério Público deverá avaliar os documentos apresentados, os pagamentos identificados e as explicações fornecidas pela administração municipal para verificar se existem elementos que justifiquem novas providências. Até o momento, as informações divulgadas representam questionamentos apresentados pelo parlamentar e respostas dadas pela prefeitura, sem conclusão definitiva sobre eventual irregularidade.
O caso reúne, portanto, discussões sobre publicidade institucional, pagamentos a páginas de redes sociais, prestação de contas e uso de informações disponíveis na internet. Enquanto o vereador sustenta que os documentos levantam dúvidas sobre a finalidade de determinados pagamentos, a Prefeitura de Santos afirma que não financiou ataques políticos nem contratou monitoramento de opositores. A análise dos órgãos de controle poderá esclarecer a finalidade dos serviços, a regularidade dos pagamentos e a correspondência entre as publicações apresentadas e o objeto efetivamente contratado.





