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PF orienta policiais a investigar origem de dinheiro vivo nas eleições

A Polícia Federal elaborou e encaminhou nesta quinta-feira, 24, ao Ministério da Justiça uma cartilha com orientações voltadas a todos os agentes de segurança — policiais federais, militares, civis e demais servidores — para a averiguação criteriosa de grandes quantias em espécie encontradas em abordagens nas proximidades do pleito de 2026. O documento esclarece, desde logo, que portar valores elevados em dinheiro não constitui crime por si só, mas ressalta que a proximidade da votação justifica análise mais detalhada sobre a origem e o destino dos recursos.

A preocupação é fundamentada em dados de eleições anteriores. Constatou-se que a compra de votos figura como o segundo crime eleitoral mais registrado, ficando atrás apenas da propaganda irregular no dia da votação. Nas eleições de 2022 e 2024, esse tipo de ocorrência representou cerca de 18% dos casos registrados pela corporação. Por isso, a cartilha lista elementos que devem chamar a atenção dos agentes: valores escondidos em compartimentos do veículo, explicações inconsistentes ou pouco convincentes sobre a posse do dinheiro, recusa em prestar esclarecimentos e presença de materiais como listas de eleitores ou envelopes com nomes e valores. Em tais hipóteses, a orientação é encaminhar o caso para investigação.

A atenção a esse tipo de movimentação não é nova. Já nas eleições municipais de 2024, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, destacou que o transporte de grandes somas em espécie costuma ser incomum no período eleitoral e deve ser analisado em conjunto com outros indícios. Naquele ano, a corporação chegou ao final do processo com R$ 24,1 milhões apreendidos em operações relacionadas. Em 2026, a preocupação ganhou forma expressa no guia oficial, com critérios claros para guiar a atuação de todos os envolvidos na segurança do processo eleitoral.

Casos recentes reforçam a importância da medida. Na terça-feira, 22, a PF encontrou R$ 500 mil em dinheiro com um candidato em Florianópolis, em Santa Catarina. A corporação informou que apura a origem e o destino do montante, ressaltando que, até o momento, não há conclusão sobre a prática de irregularidade. Uma semana antes, em Belém, no Pará, foram apreendidos R$ 2,5 milhões retirados de uma agência bancária; segundo as investigações, os valores teriam origem em desvio de recursos públicos e seriam destinados ao financiamento irregular de campanha.

A cartilha tem como objetivo padronizar procedimentos e dar transparência à atuação das forças de segurança, de modo que ninguém seja alvo de constrangimento sem motivo, mas também para que nenhuma prática prejudicial à lisura do pleito passe despercebida. O transporte de dinheiro vivo pode ter explicações legais e legítimas, e o documento não sugere tratamento diferenciado sem fundamento. O que se busca é justamente apurar se há ou não algo irregular, com base em critérios técnicos e objetividade.

Faltando dez dias para o primeiro turno, as instituições reforçam o compromisso com a liberdade e a integridade do voto. A sociedade espera que as eleições transcorram de forma pacífica, transparente e justa. Cada cidadão tem o direito de escolher seus representantes livremente, e é dever do Estado garantir que nenhuma influência indevida altere a vontade popular. Que a vigilância seja firme, a lei seja respeitada e a verdade prevaleça para que a democracia saia fortalecida.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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