Presidente do PT ameaça punir quem omitir Lula e majoritários em material de campanha

O presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, Edinho Silva, determinou na noite de sexta-feira, 18, que todos os candidatos proporcionais da legenda insiram o nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e das candidaturas majoritárias apoiadas pelo partido em seus materiais de campanha. A medida foi aprovada pela Executiva Nacional e vem acompanhada de advertência: em caso de descumprimento, a direção partidária poderá acionar a devolução de valores recebidos do Fundo Eleitoral, além de abrir procedimento por infidelidade partidária. A cobrança surge em meio a relatos de peças de divulgação que não citam nomes de peso da chapa.
A preocupação foi levantada com a circulação de materiais conhecidos como “colinhas”, que reproduzem a ordem de votação, sem menção a Lula ou a candidatos ao governo e ao Senado em alguns estados. Em mensagem distribuída à militância, Edinho classificou a situação como prejudicial à força da campanha. “Não há prioridade maior do que a reeleição do presidente Lula. Se não expressamos isso claramente em tudo o que produzimos, falhamos na nossa tarefa de apresentar ao eleitorado o projeto que defendemos”, declarou em gravação compartilhada na rede interna do partido.
A resolução aprovada pela Executiva Nacional, por 20 votos a favor e uma abstenção, estabelece que a presença do presidente e das candidaturas majoritárias deve constar de panfletos, faixas, conteúdos para redes sociais, materiais de rua e demais peças de divulgação. O texto ressalta que a orientação vale tanto para materiais novos quanto para a atualização de peças já impressas, sempre que possível. A abstenção registrada foi de um deputado que não apoia o candidato do PT ao governo de seu estado.
Edinho reconheceu que a própria existência da norma revela dificuldades de unidade interna. “O ideal seria que não precisássemos estabelecer isso por determinação formal. Mas, diante da realidade, a medida se faz necessária para reafirmar o que foi decidido coletivamente”, justificou. Segundo ele, a unidade partidária se constrói também pela coerência entre o que se aprova nas instâncias e o que se leva ao público. A ausência de alinhamento nos materiais é vista como sinal de desarticulação que pode enfraquecer a campanha em todo o país.
A determinação já provocou discussões em grupos de militantes e dirigentes, onde foram compartilhadas imagens de materiais que não atendem à orientação. A direção nacional sinalizou que vai acompanhar o cumprimento e que contará com a colaboração das bases para identificar eventuais descumprimentos. Caso sejam confirmados, os candidatos poderão ser notificados e, persistindo a irregularidade, poderão ser acionados para devolver recursos públicos aplicados em desacordo com as diretrizes partidárias.
O episódio mostra como a coesão interna segue sendo um dos desafios da campanha petista nas semanas que antecedem o pleito. A expectativa agora é de que os materiais sejam ajustados e que a mensagem chegue unificada ao eleitorado. A sociedade acompanha os desdobramentos, na certeza de que a clareza sobre alianças e projetos é direito de cada cidadão. A reta final da campanha deverá mostrar se a determinação consegue restabelecer a sintonia desejada ou se novas divergências ainda virão à tona.





