PT denuncia ataques contra mulheres petistas que são candidatas nas eleições deste ano

O Partido dos Trabalhadores (PT) afirmou ter identificado indícios de ataques coordenados contra mulheres que disputam as eleições de 2026 pela legenda. Segundo a direção partidária, os relatos apresentam características semelhantes e envolvem diferentes formas de violência política de gênero. Entre os episódios mencionados estão ameaças de morte, violência sexual, racismo e exposição de dados pessoais.
De acordo com a Secretaria Nacional de Mulheres do PT, novos casos têm sido relatados com frequência durante a campanha eleitoral. Candidatas do Rio Grande do Norte, Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina, Pernambuco e Piauí estão entre as mulheres que relataram ataques. Segundo a secretária nacional de Mulheres, Mazé Morais, em alguns episódios as mensagens teriam sido enviadas pelo mesmo remetente.
O partido atribuiu os ataques, segundo sua própria avaliação, a grupos masculinistas ligados à extrema direita. A legenda afirma que os episódios incluem ainda ameaças contra familiares e tentativas de expor a vida privada das candidatas. Entretanto, a identificação dos responsáveis depende das investigações conduzidas pelas autoridades competentes.
Casos relatados durante a campanha
Um dos casos citados envolve Ana Elisa Santos Silva, candidata do PT a deputada federal por Minas Gerais, de 21 anos. No início de setembro, ela recebeu mensagens por e-mail com conteúdo racista e ameaças de morte e estupro. O autor teria afirmado pertencer a um grupo supremacista branco, além de mencionar dados pessoais da candidata e fazer ameaças contra familiares.
Em outro episódio, a candidata Bella Gonçalves, também do PT e de Minas Gerais, denunciou ter recebido ameaças de morte e estupro. O comitê central de sua campanha, em Belo Horizonte, também foi alvo de vandalismo em setembro, segundo informações divulgadas pela assessoria. As autoridades foram acionadas para investigar os episódios e identificar os responsáveis.
Diante dos relatos, a Secretaria Nacional de Mulheres do PT informou que oferece acompanhamento jurídico às candidatas que enfrentam situações de violência. O partido também declarou manter atuação no ambiente digital e diálogo com órgãos responsáveis pela investigação dos casos e pela adoção de eventuais medidas protetivas. As candidatas ameaçadas ainda são incluídas em grupos de acompanhamento para receber orientações durante a campanha.
TSE registra aumento de processos
Até 22 de setembro, o Tribunal Superior Eleitoral havia registrado 177 processos relacionados à violência política de gênero em 2026. O número representa crescimento de 126,9% em relação aos 78 processos contabilizados durante todo o ano eleitoral de 2024. A violência política de gênero é considerada crime eleitoral desde 2021, com previsão de pena de reclusão de um a quatro anos e multa.
Dos 177 processos registrados pelo TSE neste ano, 63 são da Região Sudeste, 37 da Região Sul e 36 da Região Nordeste. Outros 21 casos foram registrados na Região Norte e 20 na Região Centro-Oeste. Paralelamente, o Ministério Público Federal informou ter registrado outros 34 casos relacionados à violência política de gênero em 2026.
Os dados eleitorais também mostram que as mulheres representam 34,85% das candidaturas registradas neste ano. De aproximadamente 20,5 mil candidatos, cerca de 7,1 mil são mulheres que disputam cargos como Presidência, governos estaduais, Senado, Câmara dos Deputados e Assembleias Legislativas. Nesse cenário, os casos de violência política de gênero passaram a ser acompanhados por diferentes órgãos durante o período eleitoral.
Novas ferramentas foram apresentadas durante a eleição
Na última terça-feira, o TSE apresentou ferramentas voltadas à proteção de candidatas e candidatos contra o uso indevido de imagem e voz. Uma delas, chamada Likeness ID, foi desenvolvida pelo YouTube para auxiliar na identificação de vídeos que utilizem imagens de pessoas sem autorização, inclusive conteúdos manipulados por inteligência artificial. Outra tecnologia, desenvolvida em parceria com a ElevenLabs, busca combater a clonagem não autorizada de vozes.
Também foi lançada a campanha “Política é Substantivo Feminino”, uma iniciativa conjunta do Ministério Público Federal e da Justiça Eleitoral. A campanha tem como objetivo informar e conscientizar a população sobre as diferentes formas de violência política praticadas contra mulheres durante o processo eleitoral. Com isso, os órgãos pretendem ampliar o conhecimento sobre os mecanismos de prevenção e enfrentamento desses casos.





