Últimas Notícias

Candidato do PL, Flávio Bolsonaro fez live com alguns líderes e defendeu a liberdade religiosa

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República nas eleições de 2026, promoveu uma transmissão ao vivo com representantes de diferentes tradições religiosas em meio à repercussão de uma controvérsia envolvendo Nossa Senhora Aparecida. A live foi realizada no sábado, 26 de setembro, pelo canal TV Celular Flávio Bolsonaro, com início por volta das 15h, e teve como tema central a defesa da liberdade religiosa e o papel das instituições de fé. A iniciativa ocorreu depois que publicações nas redes sociais passaram a associar o candidato a uma proposta que previa a retirada do título de Padroeira do Brasil atribuído a Nossa Senhora Aparecida.

Entre os participantes estavam Padre Kelmon, que disputou a Presidência em 2022, o pastor evangélico Ramon Lima, o reverendo anglicano Aldo Quintão e Sérgio Pina, pai de santo ligado à cantora Anitta e candidato a deputado federal pelo Rio de Janeiro. Também participou o padre Salathiel de Souza, da Diocese de Jundiaí, sendo ele o único sacerdote católico identificado entre os convidados da transmissão. Flávio Bolsonaro não participou pessoalmente da live, que foi conduzida como uma iniciativa de comunicação da campanha durante a crise política e religiosa.

A controvérsia começou depois que uma proposta legislativa apresentada em 2007 passou a ser relacionada ao atual candidato nas redes sociais, embora o projeto não tenha sido apresentado por Flávio Bolsonaro. O texto havia sido apresentado pelo então deputado federal Professor Victório Galli e acabou arquivado pela Câmara dos Deputados em 2008, quase duas décadas antes da atual campanha presidencial. Flávio negou ter apoiado a proposta e afirmou publicamente que não existe intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.

Campanha de Flávio reage à polêmica sobre Nossa Senhora Aparecida

A transmissão foi organizada justamente quando o assunto já havia alcançado grande repercussão nas redes sociais e passado a integrar o debate eleitoral. Segundo levantamento citado pelo UOL, a live reuniu diferentes representantes religiosos em um dos blocos, no qual foi discutida a importância das instituições religiosas como espaços de apoio social e espiritual. Dessa maneira, a campanha procurou apresentar uma mensagem de defesa da liberdade de fé e de convivência entre diferentes tradições religiosas.

A participação de Padre Kelmon também chamou atenção porque ele não possui vínculo com a Igreja Católica Apostólica Romana, conforme informação atribuída à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Durante a transmissão, ele se apresentou como representante da Igreja Ortodoxa, enquanto o padre Salathiel de Souza foi identificado como sacerdote católico pertencente à Diocese de Jundiaí. A composição do grupo, portanto, reuniu diferentes referências religiosas em uma mesma transmissão, em uma tentativa de ampliar o debate para além de uma única denominação.

Paralelamente, a controvérsia passou a envolver decisões da Justiça Eleitoral relacionadas ao conteúdo publicado nas plataformas digitais. Na sexta-feira, 25 de setembro, o ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a remoção de milhares de publicações que apresentavam como verdadeira a informação de que Flávio pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. Na decisão, a informação foi classificada como “notoriamente inverídica”, enquanto o debate continuou sendo alimentado por diferentes grupos políticos nas redes sociais.

Live com Padre Kelmon amplia resposta da campanha

O episódio ganhou força após uma fala feita no programa Em Pauta, da GloboNews, na quinta-feira, 24 de setembro, relacionar o debate sobre a padroeira a um suposto movimento envolvendo setores evangélicos e o projeto antigo. Posteriormente, a emissora corrigiu a informação e pediu desculpas, esclarecendo que a proposta mencionada havia sido apresentada em 2007 e arquivada no ano seguinte. Mesmo após a correção, entretanto, a associação entre Flávio e o projeto continuou circulando nas redes sociais e passou a ser utilizada no contexto da disputa eleitoral.

A repercussão também levou outros nomes da política nacional a se manifestarem sobre o assunto, aumentando a dimensão eleitoral da discussão. Publicações de políticos de diferentes campos passaram a tratar da relação entre religião, liberdade de crença e a posição de Flávio Bolsonaro, enquanto o vice-presidente Geraldo Alckmin declarou que as tradições religiosas seriam protegidas e preservadas em seu governo. Assim, um projeto legislativo arquivado em 2008 acabou sendo retomado no debate público de 2026 por meio de uma associação que o candidato nega.

A dimensão alcançada pela controvérsia também foi medida por levantamentos sobre a movimentação nas redes sociais. Segundo dados divulgados pelo Instituto Democracia em Xeque e publicados pelo UOL, o episódio envolvendo Nossa Senhora Aparecida chegou a quase 1 milhão de publicações e se tornou uma das maiores controvérsias políticas do ano até aquele momento. O levantamento mostra como uma discussão inicialmente relacionada a uma proposta antiga ganhou novas proporções depois de ser incorporada à disputa eleitoral e ao debate sobre desinformação.

O que está confirmado sobre a controvérsia

Até o momento, os dados disponíveis distinguem claramente a autoria do projeto de 2007 e a candidatura de Flávio Bolsonaro em 2026. A proposta que previa alteração relacionada ao título de Nossa Senhora Aparecida foi apresentada pelo então deputado Professor Victório Galli, não por Flávio, e posteriormente arquivada pela Câmara dos Deputados. A campanha afirma que o candidato não apoiou a medida e nega qualquer intenção de alterar o reconhecimento de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil.

A live com Padre Kelmon e os demais representantes religiosos foi, portanto, realizada dentro desse cenário de intensa circulação de informações e disputas políticas nas plataformas digitais. Ao reunir católicos, evangélicos, anglicanos e representantes de religiões de matriz africana, a campanha apresentou a liberdade religiosa como eixo da resposta pública à controvérsia. Enquanto isso, a discussão sobre as publicações removidas pela Justiça Eleitoral e sobre os limites da circulação de informações políticas continuou sendo acompanhada por diferentes setores da sociedade.

O caso mostra como informações relacionadas à religião podem ganhar rapidamente dimensão eleitoral quando associadas a candidatos que disputam cargos nacionais. Neste episódio específico, um projeto apresentado e arquivado muitos anos antes das eleições de 2026 foi relacionado ao nome de Flávio Bolsonaro, provocando uma sequência de negativas, correções públicas, decisões judiciais e manifestações de diferentes grupos políticos. A campanha respondeu com uma transmissão que reuniu lideranças de várias tradições religiosas, enquanto a controvérsia sobre Nossa Senhora Aparecida permaneceu no centro do debate político e digital.

A repercussão também evidencia a importância de verificar autoria, data e situação legislativa de propostas antes de atribuí-las a candidatos ou partidos durante uma campanha eleitoral. No caso analisado, esses elementos são especialmente relevantes porque o projeto citado foi apresentado em 2007 e arquivado em 2008, enquanto Flávio Bolsonaro nega qualquer vínculo com a iniciativa. Com a proximidade das eleições de 2026, a disputa em torno da informação passou a envolver não apenas religião, mas também desinformação, liberdade de expressão e atuação da Justiça Eleitoral nas redes sociais.

Mostrar mais

Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *