Conselho Superior do MPF se reúne na manhã desta sexta-feira (25), para decidi rse Gonet será investigado

O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) se reúne nesta sexta-feira (25) para analisar a atuação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, nas apurações relacionadas ao Banco Master. O colegiado avaliará se existem elementos suficientes para justificar a abertura de uma investigação sobre a conduta do chefe do Ministério Público Federal. A sessão está prevista para começar às 10h e será realizada sem a participação de Gonet na votação, já que o procedimento envolve sua própria atuação.
A análise teve origem em uma representação apresentada por parlamentares do Partido Novo após a divulgação de mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. O material reúne referências a Gonet em conversas de Vorcaro e também registros de contatos intermediados pelo advogado Ciro Soares. Os parlamentares pediram que o procurador-geral fosse afastado dos casos relacionados ao banco e que outro integrante da PGR assumisse a condução dos procedimentos.
Entre os possíveis resultados está o arquivamento da representação, caso os conselheiros entendam que não existem elementos suficientes para prosseguir. Outra possibilidade é a designação de um subprocurador-geral da República para analisar os fatos e, se encontrar fundamento, adotar as medidas cabíveis. A eventual abertura de investigação não significaria, por si só, que Gonet tenha cometido crime nem representaria automaticamente seu afastamento do cargo de procurador-geral da República.
Conselho Superior do MPF analisa atuação de Gonet
O procedimento está relacionado principalmente à atuação de Gonet em duas petições que tramitam no Supremo Tribunal Federal e envolvem as investigações sobre o Banco Master. O Conselho deverá avaliar se as mensagens e outros elementos reunidos no material encaminhado pela Polícia Federal são suficientes para justificar uma apuração sobre a conduta do procurador-geral. A decisão também poderá envolver a discussão sobre eventual suspeição ou impedimento de Gonet para continuar atuando nos casos.
As mensagens analisadas incluem referências feitas por Vorcaro a Gonet e registros de conversas intermediadas por Ciro Soares. Em março de 2025, segundo a CNN Brasil, o advogado enviou a Vorcaro uma fotografia ao lado do procurador-geral e informou que Gonet queria falar com o então banqueiro, sendo registradas posteriormente ligações telefônicas. O material também inclui mensagens atribuídas ao advogado com referências a contatos entre Gonet e Vorcaro.
Outro elemento citado na representação é uma fotografia de Gonet ao lado de Vorcaro durante um evento jurídico realizado em Londres, em abril de 2024. O encontro ocorreu durante uma programação que teve patrocínio do Banco Master, segundo as informações divulgadas pela CNN e pelo próprio MPF. Gonet afirma que aquele foi seu único encontro presencial com Vorcaro e nega ter mantido relação de amizade ou proximidade com o ex-banqueiro.
O que Gonet diz sobre as acusações
Em manifestação encaminhada ao Conselho Superior do MPF, Gonet afirmou que não possui relação de amizade com Vorcaro e negou ter interesse pessoal nos processos relacionados ao ex-banqueiro. O procurador-geral também classificou como breve e banal a ligação telefônica intermediada por Ciro Soares. Segundo Gonet, o contato não envolveu assuntos relacionados às suas atribuições profissionais.
Durante uma sessão do Supremo Tribunal Federal, Gonet voltou a afirmar que não teve relacionamento de proximidade com Vorcaro. Ele declarou que o único encontro presencial ocorreu em Londres, em abril de 2024, na presença de outras autoridades, e que a ligação intermediada pelo advogado foi breve. Em documento enviado ao Conselho, o procurador-geral também afirmou considerar-se juridicamente apto a continuar atuando nos procedimentos envolvendo o Banco Master.
A Agência Brasil informou que o Conselho não analisa, neste procedimento, um processo administrativo destinado a aplicar punições a Gonet. O foco da sessão é verificar se as informações disponíveis levantam elementos que justifiquem uma investigação sobre sua atuação ou questionem sua condição para continuar nos casos do Banco Master. O próprio Ministério Público Federal confirmou que o procedimento está fundamentado no artigo 57, inciso X, da Lei Complementar nº 75 de 1993.
Decisão poderá definir próximos passos sobre Gonet
A sessão será presidida pelo vice-presidente do Conselho Superior do MPF, Nicolao Dino, que substituirá Gonet durante a análise do procedimento. O relator é o subprocurador-geral da República Francisco de Assis Vieira Sanseverino, responsável por apresentar o relatório e seu voto aos demais integrantes. Depois dessa etapa, os conselheiros deverão votar seguindo a ordem inversa de antiguidade.
Durante a sessão, qualquer conselheiro poderá pedir vista do procedimento para obter mais tempo para analisar o conteúdo. Nesse caso, a deliberação será interrompida e deverá ser retomada posteriormente, conforme as regras do Conselho Superior do MPF. Também poderão ocorrer sustentações orais, caso sejam solicitadas dentro do rito previsto para a sessão.





