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Ex-banqueiro Daniel Vorcaro fez uma revelação sobre o senador Jaques Wagner em proposta de delação

O fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou em uma proposta de delação premiada que realizava pagamentos mensais de R$ 3 milhões a um grupo ligado ao senador Jaques Wagner (PT-BA). Segundo informações divulgadas pelo Poder360 e pelo UOL, o relato fazia parte de uma proposta de colaboração que foi rejeitada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal. O documento atribui os pagamentos a uma operação relacionada à empresa PKL One, que explorava o Credcesta, modalidade de crédito consignado voltada a servidores públicos da Bahia.

De acordo com o relato atribuído a Vorcaro, R$ 2 milhões mensais seriam repassados por meio de um contrato entre o Banco Master e a PKL One. Outros R$ 1 milhão seriam pagos em espécie a aliados do senador, segundo o conteúdo da proposta de delação obtido pelo UOL e reproduzido pelo Poder360. O ex-banqueiro teria afirmado que a estrutura de pagamentos foi estabelecida em 2018, depois que o Master desembolsou R$ 30 milhões por uma participação na PKL One.

A proposta também cita Augusto Ferreira Lima, conhecido como Guga, como um dos personagens centrais da operação descrita por Vorcaro. Segundo o relato, Lima e Wagner seriam sócios ocultos relacionados à PKL One, enquanto Guilherme Henrique Sodré Martins, conhecido como Guiga, seria apontado como operador do senador. As informações, contudo, integram uma proposta de delação que não foi aceita pelas autoridades e cujos relatos foram contestados pelas defesas dos envolvidos.

Pagamentos estariam ligados ao Credcesta na Bahia

O Credcesta estava relacionado à operação de empréstimos consignados para funcionários públicos baianos e teve origem em uma operação envolvendo a Empresa Baiana de Alimentos, a Ebal. Segundo a reportagem, após a estatal ser arrematada em leilão pela NGV Empreendimentos, a operação dos consignados teria sido transferida para a PKL One. Vorcaro afirmou que a NGV também pertenceria a Augusto Lima, embora essa atribuição faça parte do relato apresentado na proposta de colaboração.

Ainda segundo o documento, os pagamentos mensais em espécie seriam direcionados a Guilherme Sodré e teriam continuado até a liquidação do Banco Master, em novembro de 2025. A participação de Sodré em estruturas relacionadas à operação teria passado, a partir de 2019, para um fundo da Entre Investimentos, empresa pertencente a Antônio Carlos Freixo Júnior. O material também menciona João Carlos Falbo Mansur, apontado como operador financeiro, em operações que, segundo Vorcaro, teriam ajudado a levantar dinheiro em espécie para pagamentos ilícitos.

A proposta de delação também fez referências ao ex-governador da Bahia e ex-ministro Rui Costa, atual ministro da Casa Civil, embora o relato não tenha esclarecido diretamente qual seria sua participação nos pagamentos descritos. Vorcaro citou dois decretos assinados por Costa quando governador, 16 dias depois do leilão da Ebal, que teriam ampliado as possibilidades de exploração do Credcesta. A reportagem ressalta, porém, que a delação não esclareceu qual ato concreto Jaques Wagner teria praticado como contrapartida pelos pagamentos nem como teria interferido no leilão ou nas decisões do governo baiano.

Defesa contesta acusações apresentadas na proposta

As defesas de Jaques Wagner e Augusto Lima rejeitaram as alegações apresentadas no documento. Segundo o Poder360, os advogados afirmaram ao UOL que a proposta de delação não apresentou provas suficientes para sustentar os relatos atribuídos a Vorcaro. A defesa de Lima também classificou as informações como falsas e afirmou que o contrato entre a PKL One e o Banco Master correspondia a serviços efetivamente prestados.

A defesa de Augusto Lima também questionou a divulgação de trechos de uma proposta de colaboração que já havia sido recusada pelas autoridades. Os advogados sustentaram que o material não teria valor probatório e que a divulgação de informações que deveriam permanecer sob sigilo deveria ser investigada. A defesa ainda negou que Lima tenha praticado qualquer ato ilícito e afirmou confiar que as investigações poderão esclarecer os fatos.

O caso também envolve outras apurações da Polícia Federal sobre a relação entre Wagner e integrantes do antigo Banco Master. Em junho de 2026, a PF realizou uma fase da Operação Compliance Zero que teve o senador como alvo de mandados de busca e apreensão, enquanto investigadores analisavam suspeitas relacionadas a um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões e a repasses financeiros ligados a pessoas próximas ao parlamentar. Relatórios posteriores da investigação passaram a analisar mensagens e operações financeiras que, segundo a PF, poderiam indicar vantagens econômicas indevidas, alegações que são contestadas pela defesa.

Investigações sobre relações com o Banco Master continuam

As informações sobre a proposta de delação precisam ser diferenciadas dos elementos obtidos diretamente pela Polícia Federal durante as investigações do caso. A própria reportagem do Poder360 informa que a proposta de colaboração foi rejeitada pela PF e pelo Ministério Público, que avaliaram, segundo o UOL, que os relatos não estavam acompanhados de elementos de corroboração suficientes. Portanto, as declarações atribuídas a Vorcaro na proposta não equivalem a uma conclusão das autoridades sobre a ocorrência dos pagamentos ou sobre eventual responsabilidade criminal dos citados.

As investigações sobre o Banco Master, entretanto, continuam analisando documentos, mensagens e movimentações financeiras relacionadas aos antigos controladores e a pessoas que mantinham relações empresariais ou políticas com o grupo. No caso de Jaques Wagner, relatórios da PF já mencionaram outros elementos além da proposta de delação, incluindo transferências para empresas ligadas a familiares e a investigação sobre um imóvel em Salvador. O senador nega relação com Daniel Vorcaro e afirma que não pode ser responsabilizado por conversas de terceiros ou por informações cujo contexto desconhece.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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