Flávio Bolsonaro não contou com a presença de Michelle durante ato na Avenida Paulista

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) afirmou, nesta segunda-feira (7), que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro não participou dos atos de 7 de Setembro por causa de uma decisão que, segundo ela, ainda não havia sido tomada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com a parlamentar, a defesa de Jair Bolsonaro havia solicitado autorização para que outros familiares pudessem assumir os cuidados do ex-presidente durante eventuais ausências de Michelle. O pedido, conforme relatado por Damares, não teria sido analisado pelo ministro até o momento em que ocorreram as manifestações.
A presença de Michelle era esperada por integrantes do PL nos atos realizados em Brasília e em São Paulo durante o feriado da Independência. Entre as pessoas indicadas pela defesa para auxiliar nos cuidados com Bolsonaro estava Geovanna Lima, meia-irmã de Michelle, que teria sido incluída na solicitação para permanecer na escala de acompanhamento. Dessa maneira, a ausência da ex-primeira-dama foi relacionada por Damares à necessidade de permanecer em Brasília para acompanhar o marido.
Em entrevista ao jornal Valor Econômico, Damares afirmou que uma eventual participação de Michelle nos protestos poderia exigir muitas horas de afastamento da residência onde Bolsonaro cumpre prisão domiciliar. Segundo a senadora, esse período poderia gerar preocupação para a defesa quanto ao cumprimento das condições estabelecidas para o ex-presidente. As declarações representam a avaliação de Damares e de aliados de Michelle, enquanto o STF foi procurado pela reportagem e não apresentou manifestação sobre a alegação.
Pedido da defesa e permanência de Michelle em Brasília
A defesa de Bolsonaro havia buscado ampliar a possibilidade de familiares auxiliarem nos cuidados do ex-presidente, justamente para permitir que Michelle pudesse se ausentar em determinadas situações. A preocupação apresentada por aliados era de que uma ausência prolongada poderia ser interpretada como descumprimento das obrigações relacionadas à prisão domiciliar. Segundo o relato publicado pela Gazeta do Povo, a equipe jurídica considerava especialmente relevante o limite de tempo que Michelle poderia permanecer fora da residência sem que houvesse questionamentos sobre a assistência prestada a Bolsonaro.
Damares afirmou ainda que Michelle permaneceu em Brasília durante o 7 de Setembro e que esteve com a ex-primeira-dama em uma igreja na manhã daquela segunda-feira. A previsão apresentada por aliados era de que Michelle continuasse na capital nos dias seguintes, conciliando o acompanhamento do marido com compromissos relacionados ao partido. A ex-primeira-dama também era apontada como uma das figuras aguardadas nas manifestações realizadas naquele feriado.
A ausência ocorreu em um cenário de mobilizações políticas realizadas em diferentes cidades brasileiras durante o feriado da Independência. Em Brasília e em São Paulo, manifestações reuniram apoiadores da direita e tiveram entre suas pautas críticas ao STF e pedidos de impeachment de ministros da Corte, com Alexandre de Moraes como um dos principais alvos dos protestos. Michelle, por sua vez, não esteve presencialmente nos atos e permaneceu na capital, de acordo com as informações divulgadas por aliados.
Bolsonaro cumpre prisão domiciliar e Michelle mantém rotina em Brasília
Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar por razões relacionadas à sua condição de saúde, após ter sido condenado a 27 anos e três meses de prisão no processo relacionado à tentativa de golpe de Estado. Nesse contexto, a permanência de Michelle ao lado do ex-presidente passou a integrar a rotina estabelecida para o cumprimento da medida. A defesa, segundo as informações divulgadas, buscou alternativas para que outros familiares pudessem assumir parte desse acompanhamento quando necessário.
A discussão sobre a ausência de Michelle também ocorreu em meio a um período de forte tensão política envolvendo decisões do STF e integrantes do grupo político ligado ao ex-presidente. Damares atribuiu diretamente a Alexandre de Moraes a situação que teria impedido Michelle de participar das manifestações, mas essa interpretação não foi apresentada como uma decisão judicial formal que proibisse a ex-primeira-dama de comparecer aos atos. O ponto central relatado foi a falta de análise, até aquele momento, do pedido para ampliar a relação de familiares autorizados a acompanhar Bolsonaro.
Michelle publica mensagem de oração pelo Brasil
Mesmo sem comparecer às manifestações, Michelle se pronunciou nas redes sociais durante o feriado e compartilhou uma mensagem do religioso Robson Rodovalho com orientações para orações pelo Brasil. O conteúdo recomendava pedidos relacionados à união do país, à superação de divisões e à busca por sabedoria diante de conflitos políticos e sociais. A publicação permitiu que Michelle participasse indiretamente do debate público do 7 de Setembro, embora ela tenha permanecido em Brasília.
O episódio mostrou como as condições da prisão domiciliar de Bolsonaro passaram a influenciar também a agenda pública de Michelle em um período de intensa movimentação política. A versão apresentada por Damares colocou a decisão sobre o pedido de acompanhamento familiar como um dos fatores que explicariam a ausência da ex-primeira-dama nos atos, mas a responsabilidade atribuída a Moraes permanece como uma declaração política, já que o ministro não apresentou manifestação sobre a acusação. Enquanto isso, Michelle permaneceu em Brasília durante o feriado, dividindo a rotina entre os cuidados com Bolsonaro e seus compromissos políticos.





