Cury afirma que Lula “destruirá” Flávio no 2º turno

Durante sabatina na Veja TV, realizada na terça-feira, 22 de setembro de 2026, o candidato do Avante à Presidência da República, Augusto Cury, fez uma análise franca sobre o cenário eleitoral e os possíveis caminhos do segundo turno. O escritor e postulante afirmou que, caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encontre Flávio Bolsonaro na etapa decisiva, a disputa será acirrada e desigual. “Tudo o que o Lula quer é pegar Flávio Bolsonaro no 2º turno. Ele vai enfrentá-lo com toda força”, declarou, classificando como esgotados os modelos de governo representados pelos dois concorrentes principais.
Cury avaliou ainda que a trajetória eleitoral da família Bolsonaro aponta para continuidade de resultados. “Se o pai não conseguiu permanecer, o filho também terá grandes dificuldades”, observou, sem detalhar especificamente quais fatores embasam a projeção. A visão faz parte de uma postura crítica que o candidato tem adotado em relação às duas maiores forças políticas do país, buscando apresentar-se como alternativa a ambos os grupos.
Ao ser questionado sobre sua própria estratégia para o segundo turno, Cury foi direto: “Eu quero Lula no 2º turno porque nós vamos aposentá-lo”. Ressaltou, no entanto, que a afirmação não significa apoio a Flávio Bolsonaro. “Em hipótese alguma apoio o Flávio. Vou conduzir o país com meu próprio projeto”, esclareceu. O candidato deixou claro que não pretende alinhar-se a nenhum dos dois adversários, e que eleitores que esperam seu respaldo a um dos nomes citados não encontrarão essa postura.
O candidato também avaliou que o atual presidente não deseja enfrentá-lo diretamente na etapa final. “Tudo o que Lula não quer é disputar comigo no segundo turno”, disse, sugerindo que sua proposta de governo e sua forma de diálogo com a população representam um perfil difícil de ser combatido. Cury repetiu que pretende “aposentar” o presidente, não por rivalidade pessoal, mas por considerar necessário renovar as práticas e as prioridades da administração pública.
Sobre a variação de seus índices nas pesquisas, Cury ponderou que os números estão dentro da margem de erro e destacou o acolhimento que recebe em eventos públicos. “O que tenho visto de pessoas me abraçando e dizendo que vão votar em mim é surpreendente”, relatou, referindo-se a encontros em feiras e mercados de São Paulo. Ele previu uma “grande surpresa” no resultado do primeiro turno, marcado para 4 de outubro, confiando em uma mobilização que ainda não aparece plenamente nas medições.
Dados recentes apontam movimentação nas preferências do eleitorado. Levantamento da Real Time Big Data, no início de setembro, atribuía a Cury 10% das intenções de voto, chegando a 11% em cenário sem o candidato Pablo Marçal. Já o estudo mais recente, do PoderData/Aya, realizado entre 20 e 23 de setembro, mostra Lula com 41%, Flávio Bolsonaro com 39% e Cury com 6%. A diferença entre as medições reflete a dinâmica da campanha, em que a apresentação de propostas e o confronto de ideias continuam a influenciar a decisão dos brasileiros. O cenário segue em definição, e cada candidato busca consolidar sua base até o dia da votação.





