Geral

Renan Santos, candidato à Presidência, criticou os dois candidatos mais cotados para vencer a eleição

Renan Santos na Globo ganhou destaque na noite de quarta-feira, 26 de agosto de 2026, quando o candidato do partido Missão aproveitou a entrevista para apresentar sua candidatura como uma alternativa ao confronto político entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. Durante a sabatina, realizada pela TV Globo, o empresário e dirigente partidário afirmou que os dois principais projetos atualmente colocados na disputa presidencial teriam fracassado em oferecer uma perspectiva de futuro para o país. Dessa forma, a participação foi utilizada por Renan para reforçar uma estratégia de campanha baseada na crítica simultânea à esquerda e ao bolsonarismo.

A declaração mais contundente ocorreu nas considerações finais da entrevista, quando Renan Santos afirmou que Lula e Flávio Bolsonaro teriam “rifado” o futuro do Brasil e pediu aos eleitores que acreditassem na possibilidade de uma mudança política. Segundo o candidato, sua proposta seria capaz de retirar o país da polarização e conduzi-lo a um período de crescimento, desenvolvimento e recuperação da confiança nacional. A fala ocorreu em um momento no qual as pesquisas eleitorais ainda apontavam Lula e Flávio como os principais nomes da corrida presidencial, enquanto os demais candidatos buscavam ampliar seu espaço.

Nesse contexto, a presença de Renan Santos na Globo teve importância estratégica para uma candidatura que ainda apresenta números menores nas pesquisas, mas tenta conquistar visibilidade por meio de discursos mais contundentes. O Datafolha divulgado em agosto apontou Lula com 39% das intenções de voto no primeiro turno, seguido por Flávio Bolsonaro, com 33%, enquanto Ronaldo Caiado tinha 5%, Renan Santos aparecia com 4% e Romeu Zema registrava 3%.

Renan Santos na Globo reforçou discurso contra Lula e Flávio Bolsonaro

Durante a entrevista, Renan Santos procurou se apresentar como um candidato que não estaria comprometido com nenhum dos dois grandes polos que dominam a disputa presidencial. Em sua avaliação, tanto o projeto político de Lula quanto o de Flávio Bolsonaro estariam desgastados, razão pela qual uma parcela dos eleitores poderia buscar uma terceira alternativa. Assim, a candidatura do Missão foi colocada como uma tentativa de romper a lógica de uma eleição concentrada exclusivamente na disputa entre petistas e bolsonaristas.

O posicionamento também foi acompanhado por uma apresentação de propostas voltadas para segurança pública, infraestrutura e desenvolvimento regional. Renan afirmou que pretendia declarar guerra ao crime organizado, transformar favelas em bairros estruturados, estimular o desenvolvimento do Nordeste e fazer do Brasil um grande “canteiro de obras”. Ao mesmo tempo, suas declarações sobre segurança e soberania nacional chamaram atenção, pois, em outra parte da entrevista, o candidato defendeu que o Brasil desenvolvesse armas nucleares como instrumento de soberania, uma proposta que enfrenta restrições constitucionais e compromissos internacionais assumidos pelo país.

A estratégia adotada por Renan não surgiu apenas durante a sabatina da Globo, mas vinha sendo construída desde os primeiros debates e aparições públicas da campanha. Antes da entrevista, ele havia sinalizado que pretendia atacar tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro, inclusive utilizando temas relacionados a investigações envolvendo o entorno do governo petista e episódios associados ao grupo político ligado à família Bolsonaro. Como sua candidatura não dispõe de uma estrutura equivalente à dos partidos maiores, a exposição em debates, entrevistas e redes sociais passou a ser utilizada como uma das principais ferramentas para ampliar sua presença eleitoral.

Renan Santos tenta ocupar espaço entre os dois principais candidatos

A tentativa de Renan Santos de se apresentar como alternativa à polarização ocorre em um cenário eleitoral no qual Lula e Flávio Bolsonaro concentram a maior parte das intenções de voto. No Datafolha, divulgado em 21 de agosto, Lula tinha 39% no primeiro turno, enquanto Flávio aparecia com 33%, e Renan registrava 4%; em um eventual segundo turno contra Renan, o petista aparecia com 47% contra 37%.

Por outro lado, levantamentos mais recentes mostraram que a distância entre Lula e Flávio permanecia suficientemente estreita para manter aberta a disputa pelo segundo turno. Na pesquisa PoderData/Aya divulgada em 27 de agosto, Lula apareceu com 38% e Flávio Bolsonaro com 35% no primeiro turno, enquanto Renan Santos, Ronaldo Caiado e Augusto Cury registraram 4% cada. Portanto, embora a candidatura do Missão ainda estivesse distante dos dois líderes, o ambiente de forte polarização poderia abrir espaço para candidatos que buscassem atrair eleitores insatisfeitos com os grupos dominantes.

A trajetória de Renan também ajuda a explicar o discurso adotado na campanha presidencial de 2026. Ele foi um dos nomes ligados à formação do Movimento Brasil Livre, organização que ganhou projeção nacional durante as mobilizações pelo impeachment de Dilma Rousseff, e posteriormente participou da criação do partido Missão, registrado pelo Tribunal Superior Eleitoral em novembro de 2025. A legenda se apresenta como uma sigla de direita de perfil pragmático, com defesa do liberalismo econômico e do empreendedorismo, e Renan passou a representar a primeira candidatura presidencial do partido.

O que a fala de Renan Santos pode representar na eleição de 2026

A declaração de que Lula e Flávio Bolsonaro teriam “rifado” o futuro do Brasil deve ser compreendida, portanto, dentro de uma estratégia eleitoral que procura diferenciar Renan dos dois candidatos mais competitivos. Em vez de buscar somente uma aproximação com um dos lados da polarização, o candidato tenta conquistar eleitores que rejeitam o PT, mas também não desejam votar no grupo político liderado atualmente por Flávio Bolsonaro. Esse posicionamento, contudo, impõe um desafio considerável, porque a campanha precisa transformar visibilidade e discurso de ruptura em crescimento efetivo nas pesquisas.

Além disso, as propostas apresentadas durante a entrevista provocam discussões que ultrapassam a disputa eleitoral imediata e envolvem temas institucionais, econômicos e de segurança nacional. Renan também defendeu medidas duras contra o crime organizado e apresentou uma visão de Estado marcada pela busca de maior soberania e por grandes investimentos em infraestrutura, enquanto outras declarações feitas na mesma sabatina, como a defesa de armas nucleares e a possibilidade de descumprimento de decisões judiciais consideradas ilegais por sua equipe, ampliaram a repercussão de sua participação.

Assim, Renan Santos na Globo terminou funcionando como uma vitrine para uma candidatura que tenta crescer justamente questionando a predominância de Lula e Flávio Bolsonaro na eleição presidencial. O discurso de que os dois principais adversários teriam comprometido o futuro do país foi apresentado como parte de uma mensagem maior, segundo a qual os brasileiros deveriam abandonar a disputa entre grupos tradicionais e apostar em um novo projeto político. Resta saber, entretanto, se a exposição obtida na televisão será suficiente para converter o discurso de ruptura em votos, especialmente em uma eleição na qual a polarização continua sendo o principal eixo da disputa.

Mostrar mais

Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *