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Celular no esgoto e R$ 87 mil: o que a PF encontrou na operação contra deputado

PF mira deputado, apreende R$ 87 mil e acha celular escondido em esgoto

A Polícia Federal voltou a realizar buscas relacionadas ao deputado federal Antônio Doido (MDB-PA), desta vez em uma investigação que apura possíveis crimes eleitorais durante as eleições de 2026. A ação ocorreu no domingo (27), em Belém, no Pará, e chamou atenção pelo volume de dinheiro em espécie encontrado e pela localização incomum de um aparelho celular. Ao todo, quatro mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços ligados ao parlamentar, que é candidato à reeleição. Além disso, uma pessoa foi presa em flagrante sob suspeita de corrupção eleitoral. Durante as diligências, foram recolhidos R$ 87.475 em dinheiro vivo, documentos, equipamentos eletrônicos e três veículos. Parte das cédulas estava distribuída em envelopes identificados com nomes de pessoas e acompanhada por listas que continham registros de assinaturas. Por enquanto, entretanto, os materiais apreendidos ainda serão analisados e não permitem, isoladamente, concluir que os envolvidos tenham cometido os crimes investigados.

PF mira deputado em investigação eleitoral no Pará

A operação foi determinada pela Justiça Eleitoral paraense e está diretamente relacionada ao período eleitoral de 2026. Segundo as informações divulgadas pela Polícia Federal, os agentes procuram esclarecer a origem e a finalidade dos valores encontrados, além de verificar se existe conexão entre o dinheiro, os documentos e os equipamentos recolhidos e eventuais ilícitos eleitorais. Nesse contexto, a presença de dinheiro em espécie e de listas com nomes e assinaturas passou a ser considerada um elemento relevante para a investigação, mas o significado exato desse material ainda dependerá da perícia e da análise dos documentos. Afinal, a posse de dinheiro vivo, por si só, não caracteriza automaticamente corrupção eleitoral. É necessário verificar a origem dos recursos, sua destinação e eventual relação com compra de votos ou outras práticas proibidas pela legislação. Portanto, a investigação deverá reconstruir a movimentação dos valores e identificar quem teria recebido ou administrado as quantias.

Dinheiro foi encontrado em envelopes identificados

Um dos pontos que mais despertou a atenção dos investigadores foi a forma como parte dos R$ 87.475 estava organizada. Conforme o relato da operação, alguns valores foram localizados dentro de envelopes que apresentavam nomes de pessoas e relações acompanhadas de registros de assinaturas. A partir desse material, poderá ser investigado se os nomes correspondem a eleitores, colaboradores, prestadores de serviço ou outras pessoas relacionadas à campanha. No entanto, essa identificação ainda precisa ser confirmada pelas autoridades. Da mesma forma, as listas não significam, automaticamente, que pagamentos ilegais tenham sido realizados. Para que uma eventual irregularidade eleitoral seja comprovada, deverão ser cruzados documentos, depoimentos, dados eletrônicos e movimentações financeiras. Além disso, os investigadores poderão verificar se os valores encontrados possuem origem declarada e compatível com a legislação eleitoral. Assim, o dinheiro apreendido constitui uma das principais frentes de análise da operação, mas sua interpretação dependerá do conjunto de provas que será produzido durante a investigação.

Celular escondido em esgoto também será periciado

Outro elemento peculiar da operação foi a localização de um telefone celular escondido em uma estrutura de esgoto nas proximidades de duas sacolas que continham dinheiro em espécie. O aparelho foi recolhido pelos agentes e deverá passar por procedimentos de perícia, caso seja tecnicamente possível extrair os dados armazenados. Mensagens, registros de chamadas, arquivos e outros dados digitais podem ser confrontados com os documentos e valores encontrados durante as buscas. Entretanto, qualquer conteúdo eventualmente recuperado precisará ser interpretado dentro do contexto da investigação e submetido às regras de validade da prova. O episódio ganhou ainda mais repercussão porque Antônio Doido já havia sido relacionado a uma situação semelhante durante uma operação anterior da PF. Em dezembro de 2025, investigadores encontraram celulares na área externa do prédio funcional onde o parlamentar morava em Brasília. Segundo testemunhas ouvidas pela polícia naquela ocasião, os aparelhos teriam sido jogados pela janela durante o cumprimento da ordem judicial. Dessa vez, porém, o celular foi localizado em outro contexto e os investigadores ainda precisam esclarecer quem o colocou no local e por qual razão.

Investigação eleitoral busca esclarecer origem dos recursos

A investigação atual ocorre poucos dias antes do primeiro turno das eleições de 2026, marcado para 4 de outubro, o que aumenta a relevância eleitoral da apuração. Antônio Doido é deputado federal pelo Pará e disputa novamente uma vaga na Câmara dos Deputados. Nesse cenário, a Polícia Federal busca identificar se os valores encontrados possuem alguma relação com práticas destinadas a influenciar ilegalmente o eleitorado. A prisão em flagrante de outra pessoa por suspeita de corrupção eleitoral também deverá ser esclarecida durante o procedimento. Contudo, a prisão não significa condenação, assim como a condição de investigado não equivale a uma declaração de culpa. Ao longo da apuração, os elementos recolhidos deverão ser analisados para determinar se houve efetivamente uma infração e quem poderia ser responsabilizado. Além disso, eventuais conclusões poderão ser encaminhadas às autoridades competentes da Justiça Eleitoral. Dessa maneira, o principal objetivo da operação, neste momento, é reunir evidências suficientes para esclarecer a origem, a circulação e a possível finalidade eleitoral do dinheiro encontrado em Belém.

Operação anterior amplia o contexto do caso

A nova operação ocorre depois de outra investigação de grande dimensão envolvendo Antônio Doido. Em dezembro de 2025, a Operação Igapó foi deflagrada pela Polícia Federal para investigar suspeitas de desvio de recursos públicos por meio de fraudes em licitações, além de corrupção, lavagem de dinheiro, crimes eleitorais e organização criminosa. Na ocasião, 31 mandados de busca e apreensão foram cumpridos no Pará e no Distrito Federal, mediante autorização do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal. Segundo a investigação divulgada à época, foram identificados saques em espécie que somavam mais de R$ 48 milhões realizados entre 2023 e 2024 por pessoas investigadas. Também foram apreendidos celulares, dinheiro e outros bens. É importante, porém, separar os dois episódios: a operação de setembro de 2026 possui foco em possíveis crimes eleitorais relacionados ao pleito atual, enquanto a Operação Igapó investigava um conjunto diferente de suspeitas. O histórico, contudo, ajuda a explicar por que a nova ação passou a receber atenção pública.

O que acontece agora com Antônio Doido

A partir de agora, o material recolhido pela Polícia Federal deverá ser submetido a análises técnicas e documentais. Os celulares poderão ser periciados, os documentos serão confrontados com informações financeiras e eleitorais e os veículos e demais objetos apreendidos poderão ser examinados conforme sua relevância para o inquérito. Além disso, os nomes encontrados nas listas e nos envelopes poderão ser comparados com pessoas ligadas à campanha ou com eventuais movimentações identificadas pelos investigadores. Caso sejam encontrados elementos suficientes, novas diligências poderão ser solicitadas à Justiça Eleitoral. Por outro lado, se os materiais não confirmarem as suspeitas inicialmente levantadas, a investigação poderá ter outro desfecho. Portanto, o fato de a PF mirar deputado, apreender R$ 87 mil e encontrar um celular escondido em esgoto representa uma etapa da apuração, e não uma conclusão sobre responsabilidade criminal ou eleitoral. A situação deverá ser definida a partir das provas produzidas no processo. Até o momento, a defesa de Antônio Doido não havia apresentado manifestação à reportagem da CNN, que informou manter o espaço aberto para esclarecimentos.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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