Senador Flávio Bolsonaro ergueu uma imagem de Nossa Senhora Aparecida para acabar de vez com fake news

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) recuou nesta segunda-feira (28) das críticas feitas à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) durante a campanha eleitoral. Em agenda em São Paulo, o senador afirmou que a entidade esclareceu um mal-entendido envolvendo a informação de que ele pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. A declaração ocorreu um dia depois de Flávio acusar pessoas de dentro da CNBB de terem ajudado a disseminar a informação, sem apresentar provas dessa participação.
Durante o ato desta segunda-feira, Flávio afirmou que aguardava uma manifestação da CNBB e considerou esclarecedora a nota divulgada pela entidade. Segundo ele, o documento confirmou que a informação sobre a retirada do título de Nossa Senhora Aparecida era falsa e que o assunto havia sido utilizado politicamente durante a campanha. A CNBB, porém, havia negado anteriormente ter produzido, autorizado ou participado da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas ao processo eleitoral.
A mudança de tom aconteceu durante uma atividade política em São Paulo que contou também com a participação do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e outros aliados. No evento, uma imagem de Nossa Senhora Aparecida foi entregue a Flávio, que a ergueu diante do público ao lado de Tarcísio. O gesto ocorreu depois de dias de controvérsia envolvendo o candidato, a CNBB e publicações nas redes sociais sobre a Padroeira do Brasil.
Flávio muda o tom em relação à CNBB
Na declaração desta segunda-feira, Flávio agradeceu à CNBB pela manifestação e afirmou que a entidade teria esclarecido a controvérsia sobre Nossa Senhora Aparecida. O candidato voltou a dizer que a informação sobre uma suposta intenção de retirar o título da santa era falsa e atribuiu a circulação do conteúdo a adversários políticos. Ele também afirmou que a informação teria sido compartilhada por integrantes da esquerda, citando nominalmente Janja e Simone Tebet.
No domingo (27), entretanto, o discurso de Flávio havia sido diferente durante uma agenda em Goiânia. Na ocasião, ele afirmou que o PT teria conseguido levantar a informação com a ajuda de “gente de dentro” da CNBB, acusação que provocou uma resposta da entidade católica. A CNBB declarou que não integra estruturas político-partidárias e afirmou que atribuir à instituição participação na disseminação de desinformação sem fatos e provas a atingiria injustamente.
A entidade também afirmou que repudia a produção e a utilização de informações falsas, independentemente de sua origem ou de quem elas possam beneficiar ou prejudicar. Em sua manifestação, a CNBB declarou que “a mentira não se combate com outra mentira” e defendeu o compromisso com a verdade, o diálogo e a paz. A resposta foi divulgada depois das declarações de Flávio sobre uma suposta participação de integrantes da instituição na circulação do conteúdo.
Imagem de Nossa Senhora foi erguida no ato
A presença da imagem de Nossa Senhora Aparecida marcou a agenda de Flávio em São Paulo nesta segunda-feira. O candidato recebeu a imagem durante o evento e, em seguida, a levantou junto com Tarcísio de Freitas diante das pessoas que acompanhavam a atividade. O episódio ocorreu enquanto Flávio procurava reforçar sua posição de respeito às diferentes religiões.
Flávio afirmou também que é evangélico, mas disse respeitar todas as religiões e também as pessoas que não possuem religião. Segundo o candidato, o Estado não deveria interferir nas regras internas das instituições religiosas. A declaração foi apresentada durante a mesma agenda em que ele voltou atrás nas críticas feitas anteriormente à CNBB.
A controvérsia envolvendo Nossa Senhora Aparecida começou depois da circulação de informações que associavam Flávio a uma suposta intenção de retirar da santa o título de Padroeira do Brasil. O conteúdo passou a ser alvo de decisões judiciais após uma publicação de Antonio Tabet, e o ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a retirada do post e de outros conteúdos relacionados ao tema. Posteriormente, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), derrubou a determinação e liberou as publicações alcançadas pela mesma decisão.
Caso também chegou ao Supremo Tribunal Federal
A decisão de Dino aumentou a disputa judicial em torno das publicações sobre Nossa Senhora Aparecida durante a campanha eleitoral. O ministro afirmou que não havia elementos suficientes para justificar uma restrição ampla à liberdade de expressão e determinou o restabelecimento da publicação de Tabet e de outros conteúdos retirados pelo mesmo fundamento. Nesta segunda-feira, Dino também encaminhou sua decisão para análise do plenário do STF.
A controvérsia ocorre na reta final do primeiro turno das eleições de 2026, marcado para 4 de outubro. Flávio tem intensificado as agendas de campanha e, nos últimos dias, o tema religioso passou a ocupar espaço em declarações do candidato e de seus adversários. A discussão também envolveu diferentes manifestações públicas sobre liberdade religiosa, liberdade de expressão e circulação de informações durante o período eleitoral.
O recuo de Flávio em relação à CNBB aconteceu, portanto, um dia depois de ele ter acusado integrantes da entidade de ajudar na disseminação da informação que considerava falsa. Ao receber e erguer a imagem de Nossa Senhora Aparecida ao lado de Tarcísio, o candidato reforçou publicamente a declaração de que respeita a fé católica e as demais religiões. A disputa sobre as publicações e sobre a atuação da CNBB, entretanto, continua inserida no contexto das discussões judiciais e eleitorais da reta final da campanha.





