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Em São Paulo, Flávio Bolsonaro se encontrou com vários influenciadores para alinhar melhor a campanha

O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, reuniu influenciadores digitais em Barueri, na Grande São Paulo, nesta terça-feira, 20 de outubro, para ampliar a divulgação de conteúdos nas redes sociais durante a reta final da campanha eleitoral. O encontro foi organizado pelo empresário Pablo Marçal, que orientou os participantes a evitar críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao Supremo Tribunal Federal (STF), defendendo uma mudança na abordagem das mensagens políticas. Segundo reportagem do G1, a estratégia inclui a produção de vídeos com o candidato, enquanto Marçal destacou o papel das emoções na disputa e afirmou que o Partido dos Trabalhadores sabe explorar o medo para conquistar votos.

A declaração de Marçal sobre vender o medo ganhou destaque porque revela a importância atribuída às emoções na comunicação eleitoral, especialmente quando faltam poucos dias para os eleitores decidirem o voto no segundo turno, marcado para 25 de outubro. Durante a orientação aos influenciadores, o empresário afirmou que o PT consegue vender uma ideia pela esperança ou pelo prazer e, quando essas estratégias não funcionam, pela dor, apresentando essa avaliação como parte de sua análise sobre a comunicação política adversária. A fala também expôs uma contradição aparente na estratégia apresentada por ele, pois, embora tenha recomendado evitar ataques diretos a Lula, reconheceu que mensagens baseadas em sentimentos negativos podem desempenhar um papel importante na mobilização eleitoral.

A reunião contou com personalidades conhecidas nas redes sociais, entre elas o empresário Renato Cariani, o ex-participante do Big Brother Brasil Artur Aguiar e a jornalista Mônica Salgado, conforme informações publicadas pelo UOL. Os participantes gravaram vídeos ao lado de Flávio, mas a orientação de Marçal era que o material fosse publicado apenas na quinta-feira, 22 de outubro, concentrando a divulgação na reta final da campanha. Além disso, a iniciativa procurou aproveitar o alcance dos perfis individuais dos influenciadores para levar mensagens favoráveis ao candidato a públicos que nem sempre acompanham diretamente os canais oficiais do PL.

Vender o medo: a estratégia emocional defendida por Marçal

Ao explicar sua visão sobre a disputa eleitoral, Pablo Marçal afirmou que a campanha precisava compreender como os sentimentos são utilizados para influenciar as escolhas dos eleitores, citando a esperança, o prazer, a dor e o medo como elementos relevantes da comunicação política. O empresário mencionou a eleição presidencial de 2002, quando Lula venceu pela primeira vez, para ilustrar o que considera a capacidade do PT de construir uma mensagem baseada na expectativa de mudança. Na avaliação apresentada por Marçal, a campanha adversária também utiliza o receio de determinados acontecimentos para mobilizar eleitores, embora essa interpretação represente sua leitura política e não uma comprovação de que todos os votos sejam motivados pelo medo.

A expressão vender o medo descreve, nesse contexto, o uso de ameaças percebidas, riscos futuros ou consequências negativas para convencer o público a apoiar uma candidatura ou rejeitar outra. Na comunicação eleitoral, esse recurso pode aparecer em mensagens que alertam sobre possíveis perdas de direitos, insegurança econômica, aumento da violência ou mudanças institucionais consideradas prejudiciais por determinado grupo político. Entretanto, é importante distinguir a exploração emocional de informações falsas, pois alertas sobre riscos podem estar fundamentados em fatos verificáveis, enquanto alegações sem evidências podem desinformar os eleitores e distorcer o debate público.

Marçal também defendeu que os influenciadores evitassem mencionar Lula durante quatro dias, argumentando que o grupo não deveria concentrar a comunicação em ataques pessoais ao adversário. Segundo a reportagem do UOL, ele considerou contraproducente insistir em críticas ao STF e ao presidente, propondo que as mensagens fossem direcionadas especialmente aos eleitores indecisos. A orientação indica uma tentativa de alterar o tom da campanha de Flávio nos últimos dias antes da votação, substituindo parte do confronto direto por conteúdos planejados para despertar identificação e apresentar a candidatura de maneira mais favorável.

Flávio Bolsonaro aposta em influenciadores para ampliar alcance digital

A reunião em Barueri integrou uma estratégia que utiliza personalidades com audiências próprias para multiplicar a circulação de mensagens políticas na internet. Em vez de depender apenas de entrevistas, discursos e publicações nos perfis oficiais, a campanha pode alcançar diferentes grupos por meio de vídeos divulgados por influenciadores de áreas como entretenimento, comunicação e atividade física. Dessa forma, a produção conjunta de conteúdos permite diversificar os formatos da propaganda, embora a quantidade de visualizações e o engajamento não garantam, necessariamente, mudanças na intenção de voto.

A participação de Marçal na campanha de Flávio começou na semana do primeiro turno e passou a incluir orientações sobre comunicação e preparação para compromissos eleitorais, como o debate presidencial da Band realizado em 18 de outubro. Agora, o empresário atua também na organização de ações digitais, procurando coordenar a divulgação de vídeos em um período no qual cada dia representa uma oportunidade de contato com os eleitores. Ao mesmo tempo, a recomendação de evitar ataques a Lula mostra que a equipe busca controlar o tom das mensagens e reduzir a exposição a confrontos que possam desviar a atenção dos objetivos definidos para a reta final.

Durante o encontro, Marçal também alertou os participantes sobre os riscos da divulgação de informações falsas, citando um vídeo de uma mulher usando drogas que havia sido atribuído incorretamente a uma manifestação favorável a Lula, segundo a reportagem do UOL. O episódio foi mencionado em meio a orientações sobre o cumprimento de determinações da Justiça Eleitoral, que pode ordenar a retirada de conteúdos irregulares e aplicar sanções quando há descumprimento de suas decisões. Assim, a ofensiva digital precisa conciliar o objetivo de ampliar o alcance das publicações com a verificação das informações divulgadas e o respeito às regras da propaganda eleitoral.

Medo e esperança entram na disputa pelo voto no segundo turno

A discussão sobre vender o medo também evidencia como as campanhas procuram mobilizar sentimentos diferentes para convencer o eleitorado, seja por meio de alertas sobre riscos, seja pela promessa de mudanças positivas. No caso de Flávio Bolsonaro, a orientação apresentada por Marçal foi evitar ataques diretos ao adversário e investir em mensagens capazes de alcançar indecisos, enquanto o empresário descreveu a esperança e o medo como recursos utilizados na comunicação política do PT. A declaração permite compreender a lógica defendida pelo organizador do encontro, mas não demonstra, isoladamente, que essa estratégia produzirá determinado resultado nas urnas.

Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, a divulgação dos vídeos gravados com influenciadores deve integrar as ações finais da campanha de Flávio, em uma disputa na qual as redes sociais têm papel relevante na circulação de informações e na mobilização de apoiadores. A fala de Marçal sobre vender o medo colocou em evidência a tentativa de compreender e utilizar as emoções como parte da estratégia eleitoral, ao mesmo tempo que ele recomendou evitar críticas diretas a Lula e ao STF. Os conteúdos preparados no encontro estavam previstos para publicação em 22 de outubro, três dias antes da votação que definirá o próximo presidente da República.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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