Lula diz que fim das bets não prejudica futebol e defende clubes

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (28), durante cerimônia realizada na Base Aérea de Brasília, que a medida que restringiu a atuação das casas de apostas esportivas, conhecidas como bets, não deve comprometer o desenvolvimento do futebol brasileiro. A declaração foi feita no ato de sanção de uma lei voltada ao fortalecimento do futebol feminino, ocasião em que o chefe do Executivo rebateu críticas sobre eventuais perdas financeiras para os clubes com a nova regulamentação.
Para embasar seu posicionamento, o presidente lembrou que as maiores conquistas da história do futebol nacional aconteceram sem a presença das plataformas de apostas. “Os melhores momentos da história do futebol brasileiro não existiam bets”, destacou. Ele citou os títulos mundiais da Seleção Brasileira em 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002, além de conquistas de equipes brasileiras em competições internacionais, como prova de que o esporte pode crescer e brilhar sem depender desse tipo de parceria.
Lula apresentou ainda dados sobre a participação das apostas no faturamento dos clubes. Segundo ele, a atividade corresponde, em média, a menos de 7% da arrecadação total das equipes. A avaliação do governo é, portanto, de que o impacto financeiro direto é limitado e pode ser compensado com a reorganização administrativa e a busca por outras fontes de recursos, sem prejuízo à manutenção das atividades esportivas.
O presidente destacou também os efeitos sociais que, em sua visão, justificam a medida. Ele classificou a expansão das apostas como fator de risco para a saúde financeira e emocional da população, mencionando a ludopatia — o comportamento compulsivo relacionado a jogos —, reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um transtorno mental. “A bet estava levando o povo brasileiro a se endividar como jamais foi visto”, afirmou.
Em seu discurso, Lula relatou ter conhecimento de casos concretos em que pessoas comprometeram recursos essenciais, venderam bens e enfrentaram dificuldades graves por causa do envolvimento com apostas. “Ninguém vai tirar mais o dinheiro do leite, do pão, do feijão, da carne, da comida das crianças para apostar”, ressaltou. A decisão de restringir o setor foi apresentada como forma de proteger o orçamento familiar e evitar que verbas destinadas à sobrevivência sejam direcionadas a jogos.
Sobre o futuro dos clubes, o presidente sugeriu a adoção de modelos mais profissionais de gestão. Ele mencionou a possibilidade de transformação das entidades em empresas, conforme já previsto em legislação anterior, e defendeu a contratação de profissionais qualificados para administrar as equipes. “Os clubes que se virem. Agora é preciso colocar gente de competência para fazer empresa”, declarou, indicando que o caminho passa pela modernização e pela diversificação de receitas.
A fala integrou um discurso mais amplo proferido durante a sanção da lei que fortalece o futebol feminino. O presidente articulou os dois temas ao defender que o esporte, em todas as suas modalidades, deve pautar-se por valores saudáveis e sustentáveis, sem depender de atividades que possam trazer prejuízos à sociedade. A expectativa agora é de que os clubes apresentem seus planos de reestruturação e busquem parcerias e patrocínios alternativos nos próximos meses.
O debate sobre o equilíbrio entre saúde pública, economia e esporte segue em pauta. Enquanto alguns setores ponderam sobre a necessidade de ajustes na regulamentação, o governo reafirma que a prioridade é a proteção social e a promoção de um modelo de desenvolvimento que não comprometa o bem-estar das famílias. O acompanhamento dos desdobramentos da medida deverá mostrar como os clubes se adaptarão à nova realidade e quais caminhos serão trilhados para garantir a sustentabilidade do futebol nacional.





