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Partido de Flávio Bolsonaro acredita que será prejudicial para ele ir ao debate na Globo se Lula não for

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) avalia com cautela a participação do candidato no último debate presidencial do primeiro turno, marcado pela TV Globo para 1º de outubro. Segundo informações do jornalista Gustavo Uribe, da CNN Brasil, integrantes da campanha consideram que Flávio poderá ficar mais exposto caso Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não participe do encontro. A avaliação ocorre a poucos dias da votação e em um cenário no qual as campanhas analisam os efeitos que uma exposição maior na televisão poderá produzir sobre a disputa.

Flávio havia sinalizado que pretende comparecer ao debate caso Lula também esteja presente. O raciocínio da campanha é diferente daquele adotado pelos aliados do presidente, que veem no confronto uma oportunidade para Lula responder às críticas feitas pelos adversários e apresentar sua administração. No caso de Flávio, a ausência de Lula poderia alterar completamente a dinâmica do encontro e fazer com que o candidato do PL se tornasse o principal alvo dos demais participantes.

A preocupação ganhou força porque o debate da Globo deverá reunir candidatos que disputam diretamente o eleitorado de Lula e de Flávio. Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante) já haviam dado sinais de que pretendiam participar, enquanto a presença de Lula e Flávio permanecia em avaliação. As regras divulgadas posteriormente pela emissora também passaram a prever perguntas dirigidas a candidatos ausentes, aumentando a relevância eleitoral da decisão de comparecer ou não ao programa.

PL avalia riscos de um debate sem Lula

Dentro da campanha de Flávio Bolsonaro, a principal preocupação está relacionada à possibilidade de o candidato enfrentar uma sequência de questionamentos sem ter Lula no mesmo ambiente para dividir a atenção dos demais concorrentes. A avaliação apresentada por integrantes do grupo é que Flávio poderia se transformar no alvo preferencial dos participantes que permanecerem no debate. Dessa maneira, a ausência do petista mudaria o equilíbrio do confronto e poderia obrigar o senador a responder a diferentes adversários durante a noite.

A análise também considera o momento da campanha e a proximidade do primeiro turno. Em um debate realizado apenas três dias antes da votação, declarações feitas pelos candidatos podem ganhar repercussão nas redes sociais e ser transformadas em vídeos curtos para circulação digital. Por isso, a decisão sobre participar passou a ser tratada pela equipe de Flávio não apenas como uma questão de presença, mas também de exposição pública durante os últimos dias da campanha.

Apesar das preocupações, a campanha de Flávio também identificou uma possível utilidade eleitoral no confronto. Segundo a apuração de Gustavo Uribe, aliados consideravam que valeria assumir o desgaste de imagem caso a participação ajudasse a consolidar a polarização com Lula e estimulasse uma concentração de votos já no primeiro turno. O objetivo citado pela campanha seria manter o candidato no centro da disputa, ainda que isso significasse enfrentar ataques dos demais concorrentes.

Presença de Lula influencia decisão de Flávio

A participação de Lula tornou-se um dos principais fatores para a definição da estratégia de Flávio. O candidato do PL indicou que compareceria ao debate caso o presidente também estivesse presente, enquanto a campanha petista avaliava os efeitos de uma eventual participação diante das pesquisas eleitorais. A decisão dos dois principais candidatos passou, portanto, a ser analisada de maneira relacionada pelas respectivas equipes.

No lado de Lula, auxiliares vinham defendendo a presença do presidente no debate da Globo. Segundo a CNN Brasil, integrantes do governo avaliavam que a participação permitiria responder às críticas de Flávio e dos demais candidatos, além de apresentar argumentos em defesa da administração federal. Lula, entretanto, vinha criticando o modelo tradicional dos debates, que considera excessivamente concentrado em acusações e na produção de cortes para as redes sociais.

A campanha petista também considera que o formato dos debates poderá ser diferente em um eventual segundo turno. Caso Lula e Flávio avancem para essa etapa, integrantes das duas campanhas avaliam que os confrontos diretos terão outra característica, com maior espaço para comparação de propostas e trajetórias políticas. A possibilidade de encontros entre os dois candidatos também havia sido considerada pelas equipes diante da indefinição do cenário eleitoral.

Debate da Globo ocorre na reta final da eleição

O debate da TV Globo está marcado para 1º de outubro, três dias antes do primeiro turno das eleições, previsto para 4 de outubro. Pelas regras divulgadas pela emissora, os candidatos presentes poderão fazer perguntas direcionadas a um concorrente que esteja ausente, e uma cadeira vazia identificará o espaço reservado ao candidato que não comparecer. A mudança torna a ausência um elemento visível durante a transmissão e pode fazer com que os candidatos ausentes sejam mencionados diretamente pelos participantes.

A composição do debate também passou por mudanças em razão dos critérios estabelecidos pela emissora. Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Augusto Cury estavam entre os candidatos com participação prevista, enquanto Lula ainda não havia confirmado presença na ocasião das primeiras avaliações. A definição final de quem participaria passou a depender das decisões das próprias campanhas e das regras utilizadas para preencher eventuais vagas.

A campanha de Flávio, portanto, precisava considerar dois cenários diferentes para o último debate do primeiro turno: a presença de Lula ou a realização do confronto sem o presidente. Em caso de participação dos dois, a disputa poderia concentrar parte importante das atenções no confronto direto entre os principais nomes, enquanto uma ausência de Lula poderia deixar Flávio mais exposto aos questionamentos dos outros candidatos. A decisão final estava inserida nas estratégias de campanha para os últimos dias antes da votação.

Pesquisas serão consideradas pelas campanhas

As pesquisas eleitorais também foram apontadas como um fator importante para a decisão de Lula e Flávio sobre a presença no debate. A CNN Brasil informou que os levantamentos divulgados na semana anterior à votação seriam analisados pelas duas campanhas antes de uma definição definitiva. As equipes pretendiam observar as oscilações registradas entre os candidatos e avaliar o impacto potencial de uma aparição televisiva tão próxima da eleição.

Até aquele momento, Lula e Flávio não haviam participado dos confrontos eleitorais promovidos por emissoras de televisão no primeiro turno. O último debate da Globo, portanto, poderia representar a primeira participação dos dois em um evento desse tipo durante a campanha presidencial de 2026. A decisão sobre comparecer ou não passou a ser tomada em meio a uma disputa eleitoral marcada por mudanças nas estratégias dos candidatos e pela importância crescente dos debates na reta final.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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