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Polêmica sobre Nossa Senhora Aparecida ganha novo capítulo após vídeo de 2023 voltar a ser compartilhado na web

Um vídeo de 2023 do pastor Lucinho Barreto, da Igreja Batista da Lagoinha, voltou a circular nas redes sociais e ganhou grande repercussão nesta terça-feira, 29 de setembro de 2026. Na gravação, o religioso faz comentários sobre Nossa Senhora Aparecida e afirma que o Brasil não pertenceria à santa, mas a Jesus Cristo. A retomada do conteúdo ocorreu em meio à polêmica eleitoral envolvendo a padroeira do Brasil e declarações relacionadas à religião.

Durante a pregação, Lucinho Barreto relatou a história do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida por pescadores no rio Paraíba do Sul, em São Paulo. Segundo ele, a imagem teria sido encontrada coberta de lodo e, posteriormente, teria sido identificada como originalmente branca, afirmação feita pelo pastor durante o vídeo. Na sequência, ele declarou que a imagem havia sido transformada em padroeira do Brasil, antes de afirmar que o país pertenceria ao Senhor Jesus Cristo.

O conteúdo voltou a ganhar destaque poucos dias depois de declarações políticas envolvendo Nossa Senhora Aparecida e a relação entre religião e Estado. A repercussão também ocorreu após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticar a Igreja Batista da Lagoinha e o pastor André Valadão durante um evento em Belém, no Pará. Ao mesmo tempo, Flávio Bolsonaro passou a se manifestar sobre os conteúdos que o associavam a uma suposta intenção de retirar da santa o título de Padroeira do Brasil.

O que aparece no vídeo do pastor Lucinho Barreto

No vídeo que voltou a circular, Lucinho Barreto menciona a história da imagem encontrada no rio Paraíba do Sul em 1717. A narrativa apresentada pelo pastor inclui a afirmação de que a imagem teria sido considerada negra por causa do lodo acumulado e que posteriormente teria sido identificada como branca. Em seguida, ele questiona a relação entre a imagem e o título de padroeira nacional, afirmando que o Brasil pertenceria a Jesus Cristo.

Historicamente, a imagem de Nossa Senhora Aparecida foi encontrada por pescadores em 1717, no rio Paraíba do Sul, e a devoção se espalhou pelo país ao longo dos séculos. Em 1930, Nossa Senhora Aparecida foi proclamada oficialmente Padroeira do Brasil, enquanto o dia 12 de outubro foi estabelecido como feriado nacional em sua homenagem. Esses elementos históricos foram mencionados pelo Estado de Minas ao contextualizar a repercussão do vídeo.

A retomada da gravação também ocorreu em um momento em que declarações sobre a presença da religião na política brasileira passaram a receber atenção durante a campanha eleitoral. O vídeo de Lucinho não foi produzido durante a atual disputa presidencial, mas sua circulação em 2026 fez com que declarações antigas fossem associadas ao debate recente sobre Nossa Senhora Aparecida. Por isso, o conteúdo passou a ser compartilhado novamente justamente quando a questão religiosa ganhou espaço no cenário eleitoral.

Polêmica sobre Nossa Senhora Aparecida voltou ao debate eleitoral

A repercussão do vídeo ocorreu depois de circularem nas redes sociais publicações que atribuíam a Flávio Bolsonaro uma intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. O candidato negou essa intenção e afirmou que não pretendia promover qualquer mudança desse tipo caso fosse eleito presidente. A origem da controvérsia foi relacionada a um projeto apresentado em 2007 por outro político, que acabou arquivado, sem registro de que Flávio tenha apresentado ou apoiado uma proposta para retirar o título da santa.

Em meio à repercussão, Flávio explicou uma declaração anterior na qual havia afirmado que, se eleito, decretaria que o Brasil seria do Senhor Jesus. Segundo nota divulgada por sua campanha em 29 de setembro, a frase se referia a uma oração simbólica antes da cerimônia de posse, e não a uma alteração da estrutura religiosa ou jurídica do Estado. A equipe também afirmou que o candidato defende o respeito a todas as religiões e expressões de fé.

A declaração foi questionada pelo bispo Dom Roberto Francisco Ferreira Paz, da Diocese de Campos, no Rio de Janeiro, e integrante da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Segundo o religioso, um presidente poderia manifestar sua fé pessoal, mas decisões de Estado precisariam considerar cidadãos de diferentes religiões e também pessoas que não seguem nenhuma crença. A discussão passou, dessa maneira, a envolver não apenas Nossa Senhora Aparecida, mas também os limites entre manifestações religiosas pessoais e atuação institucional do poder público.

Vídeo antigo ganhou repercussão em meio à disputa política

A circulação do vídeo de Lucinho Barreto também ocorreu depois de Lula abordar a controvérsia durante um comício em Belém. O presidente afirmou que ninguém deveria desrespeitar Nossa Senhora Aparecida enquanto estivesse na Presidência e defendeu o respeito a todas as religiões, incluindo as religiões de matriz africana. No mesmo discurso, Lula criticou a Igreja Batista da Lagoinha e o pastor André Valadão, citando ainda questões relacionadas ao caso Banco Master.

O episódio envolvendo a Lagoinha ganhou espaço adicional na política depois que informações sobre relações entre integrantes da igreja e pessoas investigadas no caso Banco Master passaram a ser divulgadas. André Valadão também foi citado em reportagens sobre uma intermediação de conversa entre o deputado Nikolas Ferreira e o banqueiro Daniel Vorcaro, situação que o pastor apresentou como uma tentativa de aproximar as partes. A existência dessas relações e as investigações envolvendo pessoas ligadas ao caso passaram a fazer parte do contexto político em que o vídeo antigo voltou a circular.

Assim, o vídeo de Lucinho Barreto, embora tenha sido gravado em 2023, passou a ser utilizado nas discussões que envolvem religião e política durante a campanha de 2026. A gravação recuperou uma fala específica do pastor sobre Nossa Senhora Aparecida e ganhou repercussão justamente quando a disputa eleitoral passou a ser acompanhada por declarações de candidatos, líderes religiosos e autoridades sobre o papel da fé no país. O conteúdo, portanto, voltou ao centro das redes sociais por causa da coincidência entre uma declaração antiga e uma controvérsia política atual.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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