Lula tem algumas cartas na manga para usar em um possível segundo turno

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega à reta final do primeiro turno da eleição presidencial de 2026 com um cenário no qual a disputa pelo segundo turno aparece como possibilidade central nas pesquisas mais recentes. Nesse contexto, duas medidas do governo estão previstas para ocorrer durante o intervalo entre as duas etapas da votação, período que terá 21 dias de campanha, entre 4 e 25 de outubro. A estratégia descrita pelo Metrópoles envolve a votação de uma proposta sobre a jornada de trabalho e o início de um novo pagamento do Bolsa Família com reajuste pela inflação.
De acordo com informações publicadas pelo Metrópoles, uma das iniciativas aguardadas é a possível votação, no Senado, da proposta de emenda à Constituição que trata do fim da escala de trabalho 6×1. A expectativa mencionada pela publicação é de que a matéria seja colocada em análise no plenário entre 5 e 9 de outubro, poucos dias depois do primeiro turno. Assim, o tema voltaria ao centro do debate político justamente no começo da campanha para a segunda etapa da eleição.
A segunda medida está relacionada ao Bolsa Família e foi programada para começar em 19 de outubro, apenas seis dias antes do segundo turno. Segundo a reportagem, o benefício deverá incorporar um reajuste pela inflação acumulada nos quatro anos anteriores, chegando a R$ 691. Dessa maneira, a medida será implementada em um momento de intensa disputa pelo eleitorado e poderá se tornar um dos assuntos econômicos e sociais presentes na campanha presidencial.
Lula guarda duas cartas na manga para a reta final da campanha
A possível votação da proposta sobre a escala 6×1 depende do Senado e, portanto, não pode ser tratada como uma medida já aprovada ou definitivamente marcada para votação. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, teria sinalizado a integrantes do PT a possibilidade de que a análise ocorra na primeira semana de outubro, segundo o Metrópoles. Caso seja colocada em pauta, a discussão poderá recolocar uma antiga bandeira defendida por Lula no centro da agenda política nacional.
A proposta que trata da jornada de trabalho ganhou espaço no debate público por envolver uma mudança na organização das horas trabalhadas e dos períodos de descanso. Por isso, sua eventual votação deverá mobilizar parlamentares, setores empresariais, trabalhadores e representantes de diferentes correntes políticas. Entretanto, a tramitação legislativa continuará dependendo das decisões do Congresso Nacional e das regras constitucionais aplicáveis à aprovação de uma PEC.
Paralelamente, o reajuste do Bolsa Família deverá ser incorporado aos pagamentos programados para a segunda metade de outubro. Conforme informado pelo Metrópoles, o novo valor médio citado é de R$ 691, calculado a partir da correção pela inflação dos últimos quatro anos, e o início dos pagamentos foi previsto para 19 de outubro. A proximidade entre essa data e a votação do segundo turno explica por que o benefício passou a ser considerado um dos elementos relevantes do calendário político da reta final.
Segundo turno de 2026 tem disputa acirrada nas pesquisas
O cenário eleitoral, entretanto, não é uniforme entre os institutos de pesquisa e apresenta diferenças importantes conforme a metodologia e a data de realização dos levantamentos. Uma compilação publicada pelo UOL em 21 de setembro mostrou Lula e Flávio Bolsonaro em situação de empate técnico em diferentes simulações de segundo turno, enquanto os resultados do primeiro turno também apresentaram oscilações entre os institutos.
Na pesquisa Quaest divulgada em 21 de setembro, Lula apareceu com 37% das intenções de voto no primeiro turno, contra 33% de Flávio Bolsonaro, enquanto no segundo turno a simulação registrou 41% para Lula e 42% para o candidato do PL, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Já o levantamento BTG/Nexus divulgado na mesma data apresentou Lula com 40% e Flávio com 37% no primeiro turno, enquanto a simulação de segundo turno apontou 46% e 45%, respectivamente. Os levantamentos ouviram pouco mais de 2 mil eleitores e possuem margens de erro que precisam ser consideradas na interpretação dos números.
Antes disso, a pesquisa CNT/MDA divulgada em 15 de setembro havia apresentado outro cenário, com Lula registrando 40,6% no primeiro turno e Flávio Bolsonaro 30,4%. Na simulação de segundo turno feita pelo instituto, Lula aparecia com 47,3% contra 40% de Flávio, enquanto uma parcela dos entrevistados declarou voto em branco, nulo ou indecisão. Portanto, os dados disponíveis naquele período mostravam uma corrida presidencial competitiva, com resultados diferentes de acordo com o instituto e o momento da coleta.
Flávio Bolsonaro também entra no centro da disputa
Além das medidas econômicas e sociais previstas para outubro, a reportagem do Metrópoles cita a possibilidade de que novas informações relacionadas a Flávio Bolsonaro sejam divulgadas durante a campanha do segundo turno. Segundo a publicação, integrantes do PT mencionam a possibilidade de novas denúncias envolvendo o caso Dark Horse e a relação do candidato com Daniel Vorcaro, embora novas informações desse tipo ainda não tivessem sido apresentadas até a publicação da reportagem. Essa possibilidade foi atribuída pela reportagem a integrantes do partido, e não apresentada como um fato já concretizado.
O histórico recente da corrida eleitoral também mostra que informações envolvendo Daniel Vorcaro já haviam provocado alterações nas pesquisas durante a pré-campanha, segundo o Metrópoles. Posteriormente, porém, Flávio Bolsonaro recuperou parte das intenções de voto registradas anteriormente, o que demonstra que oscilações em pesquisas eleitorais podem ocorrer ao longo da campanha. Dessa forma, eventuais novas informações deverão ser analisadas conforme seu conteúdo, origem, comprovação e impacto efetivamente registrado nos levantamentos posteriores.
A campanha de Flávio Bolsonaro, por sua vez, já trabalha com a possibilidade de uma segunda etapa da eleição, segundo informações publicadas pela coluna de Igor Gadelha. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, também afirmou que considera remota a possibilidade de uma vitória já no primeiro turno, declaração que reforça a preparação das estruturas partidárias para um eventual confronto eleitoral em 25 de outubro. Nesse cenário, as semanas seguintes ao primeiro turno deverão ser marcadas por novas alianças, mudanças de estratégia e tentativa de ampliar a votação em segmentos ainda disputados.
O calendário eleitoral torna especialmente relevante a sequência de acontecimentos prevista para outubro, porque a votação do primeiro turno ocorrerá em 4 de outubro e o segundo turno está marcado para 25 de outubro. Entre essas datas, a eventual votação da PEC da escala 6×1 e o início do novo valor médio do Bolsa Família estão previstos para momentos distintos da campanha. Assim, as medidas deverão ser acompanhadas tanto pelo Congresso quanto pelo eleitorado, enquanto os candidatos apresentam suas propostas e buscam ampliar suas respectivas bases de apoio.
A disputa presidencial de 2026, portanto, entra em uma fase na qual decisões do governo, votações no Congresso, calendário de benefícios sociais e novos acontecimentos políticos poderão dividir espaço com as atividades tradicionais de campanha. Ao mesmo tempo, as pesquisas disponíveis até 21 de setembro apresentam resultados diferentes e registram uma disputa apertada em algumas das principais simulações de segundo turno. Por isso, a evolução dos números e a confirmação ou não das medidas previstas para outubro deverão ser acompanhadas separadamente, sem que projeções sejam confundidas com resultados eleitorais já definidos.





