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Durante campanha em Minas Gerais, no Alto Paranaíba, Nikolas Ferreira retrucou as críticas de Lula e Janja

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) reagiu nesta terça-feira, 29 de setembro de 2026, aos ataques feitos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela primeira-dama Janja da Silva durante um ato de campanha em Salvador, na Bahia. O confronto ocorreu depois que Nikolas publicou nas redes sociais um vídeo criticando uma declaração de Lula sobre exames preventivos e a resistência dos homens ao exame de próstata. Em resposta, o presidente chamou o deputado de “canalha”, enquanto Janja utilizou a expressão “piá de bosta” para se referir ao parlamentar mineiro.

A origem da discussão está em uma fala de Lula realizada na segunda-feira, 28 de setembro, durante um evento em Belém, no Pará. Na ocasião, o presidente abordava a realização da primeira cirurgia robótica de próstata pelo Sistema Único de Saúde na região Norte e comentava a importância do diagnóstico e do tratamento do câncer de próstata. Ao falar sobre a resistência masculina ao exame, Lula afirmou que “as mulheres aprendem a tomar toque desde quando são pequenas”, frase que posteriormente provocou forte repercussão nas redes sociais.

Nikolas utilizou um trecho da declaração para questionar publicamente a fala do presidente e publicou um vídeo com críticas ao conteúdo apresentado. O deputado associou a frase à possibilidade de uma interpretação envolvendo crianças e afirmou que a declaração era inadequada, enquanto também questionou a ausência de uma explicação mais precisa por parte de Lula. A campanha presidencial, por outro lado, sustentou que a declaração havia sido feita dentro de uma discussão sobre prevenção e que o trecho estava sendo apresentado de maneira diferente do contexto original.

Nikolas reage a Lula após ser chamado de “canalha”

A resposta de Lula ocorreu durante um ato de campanha realizado em Salvador, quando o presidente retomou o assunto e explicou que estava falando sobre a dificuldade de muitos homens em procurar atendimento médico para investigar o câncer de próstata. Segundo Lula, a intenção era fazer uma comparação entre a resistência masculina ao exame e a disposição das mulheres para realizar consultas e procedimentos preventivos. Na sequência, o presidente afirmou que havia utilizado uma palavra ou frase equivocada, mas acusou Nikolas de ter inventado uma interpretação sobre sua declaração e o chamou de “canalha”.

O presidente também relacionou sua fala ao contexto do evento realizado em Belém, onde havia sido apresentada a primeira cirurgia robótica de próstata pelo SUS na região Norte. Durante aquele discurso, Lula mencionou a preocupação com o câncer de próstata e também recordou a morte de sua mãe, Dona Lindu, vítima de câncer uterino. Dessa forma, a explicação apresentada posteriormente por Lula procurou recolocar a declaração dentro de uma discussão sobre saúde pública, prevenção e resistência masculina aos exames médicos.

A campanha de Lula também levou a controvérsia ao Tribunal Superior Eleitoral, pedindo providências contra publicações que, segundo a representação, atribuíam sentido diferente à fala presidencial. A Secretaria de Comunicação Social da Presidência afirmou ao Estado de Minas que Lula se referia a políticas de saúde pública e à prevenção do câncer, especialmente à resistência cultural de homens em realizar o exame de próstata. Enquanto isso, Nikolas manteve sua crítica e continuou utilizando o episódio como parte de sua comunicação política nas redes sociais.

Janja chama Nikolas de “piá de bosta” e deputado responde

Depois da manifestação de Lula, Janja também tomou a palavra durante o ato de Salvador e direcionou críticas a Nikolas Ferreira. A primeira-dama explicou que, no Paraná, estado onde nasceu, a palavra “piá” é utilizada para designar meninos e que a expressão “piá de bosta” seria usada quando um menino faz algo considerado errado. Em seguida, ela afirmou que o deputado mineiro precisava “lavar a boca” para falar sobre Lula e também disse que não acreditava que um vídeo publicado por Nikolas retiraria das mulheres a confiança no presidente.

Nikolas respondeu poucas horas depois, durante um ato de campanha realizado em Patos de Minas, no Alto Paranaíba, em Minas Gerais. Em cima de um carro de som, o deputado devolveu a expressão utilizada por Lula e afirmou que, para ele, ser chamado daquela maneira representava um “elogio”, além de fazer novas acusações contra o presidente e sua família. O vídeo da manifestação foi publicado pelo próprio parlamentar nas redes sociais e mostrou uma multidão acompanhando o discurso e reagindo às declarações.

Na resposta, Nikolas também afirmou que “canalha” seria, segundo sua própria declaração, quem tivesse cometido determinadas ações que ele atribuiu ao presidente. O deputado ainda criticou Lula por, em sua avaliação, não assumir integralmente o que havia dito sobre as mulheres e afirmou que o presidente teria reagido de maneira intensa à crítica feita por um deputado federal. Ao final, Nikolas voltou a se dirigir a Janja e agradeceu pelo ataque, dizendo novamente que considerava a expressão utilizada pela primeira-dama um elogio.

Confronto entre Lula e Nikolas ganha espaço na campanha de 2026

A troca de declarações ocorreu em um momento de intensa movimentação da campanha eleitoral de 2026 e rapidamente ultrapassou a discussão original sobre exames médicos. Lula apresentou sua explicação em Salvador, Janja reforçou a defesa do presidente no mesmo palanque e Nikolas respondeu posteriormente em Minas Gerais, fazendo com que o episódio fosse levado para diferentes atos de campanha em poucas horas. As manifestações passaram a circular em vídeos nas redes sociais, onde os trechos das falas são reproduzidos diretamente pelos próprios envolvidos e por seus apoiadores.

O episódio também mostra como declarações realizadas durante eventos políticos podem ganhar novos significados quando são transformadas em vídeos curtos e compartilhadas nas plataformas digitais. Neste caso, a discussão começou com um comentário de Lula sobre a resistência masculina ao exame de próstata, mas rapidamente passou a envolver a interpretação da expressão utilizada pelo presidente, a reação de Nikolas e as respostas de Lula e Janja. Ao mesmo tempo, a controvérsia foi levada ao TSE pela campanha presidencial, acrescentando uma dimensão jurídica à disputa que já estava sendo travada publicamente.

A sequência de acontecimentos também colocou em evidência a importância do contexto completo de discursos políticos, principalmente quando são abordados temas relacionados à saúde e posteriormente são utilizados em disputas eleitorais. Lula afirmou que seu objetivo era falar sobre prevenção do câncer de próstata e sobre a resistência de homens aos exames, enquanto Nikolas concentrou sua crítica na forma como a declaração foi formulada e divulgada. Com a entrada de Janja e a resposta posterior do deputado, o caso passou a reunir declarações sobre saúde pública, comunicação política, redes sociais e disputa eleitoral em um intervalo de pouco mais de um dia.

A repercussão do caso deve ser compreendida, portanto, a partir da sequência dos fatos: primeiro ocorreu a declaração de Lula em Belém, depois veio a publicação de Nikolas, seguida pela explicação do presidente e pela manifestação de Janja em Salvador. Na sequência, o deputado respondeu em Minas Gerais e retomou as críticas, enquanto a campanha presidencial buscou medidas no TSE contra conteúdos que considerou descontextualizados. O confronto entre Lula, Janja e Nikolas permanece inserido no ambiente eleitoral de 2026, no qual declarações, vídeos e respostas são utilizados rapidamente na disputa política e alcançam grande público pelas redes sociais.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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