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Malafaia chama Lula de ‘canalha’ e acusa presidente de alimentar mentira

O pastor Silas Malafaia, figura conhecida e aliada da família Bolsonaro, se pronunciou com firmeza sobre a controvérsia que envolve o nome de Flávio Bolsonaro (PL) e a imagem de Nossa Senhora Aparecida. Em entrevista ao jornal Correio, classificou como inteiramente infundada a informação de que o candidato à Presidência pretende retirar o título de Padroeira do Brasil da santa, e atribuiu a circulação dessa versão a uma estratégia política. Para Malafaia, a narrativa falsa tem por objetivo atingir o candidato e, ao mesmo tempo, criar desentendimento entre católicos e evangélicos no país.

“A mentira que está sendo espalhada não encontra respaldo em nenhuma iniciativa de Flávio Bolsonaro”, destacou o pastor. Ele explicou que a suposta proposta remontaria a um projeto apresentado em 2007 pelo então deputado Victorio Galli, arquivado já em 2008, sem qualquer vínculo com a atual candidatura. Ainda assim, a informação ganhou ampla circulação nas redes sociais e em eventos de campanha, sendo levada inclusive a instâncias judiciais. Malafaia avalia que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem se beneficiado diretamente dessa confusão, ao dar continuidade a uma narrativa que, segundo ele, visa provocar divisão religiosa.

O pastor também abordou a declaração de Flávio Bolsonaro de que, se eleito, um dos primeiros atos de seu governo seria proclamar: “O Brasil é do Senhor Jesus Cristo”. A fala gerou questionamentos entre lideranças religiosas, entre elas o bispo dom Roberto Francisco Ferreira Paz, da Diocese de Campos, que pediu esclarecimentos e levantou preocupações sobre a liberdade religiosa e a laicidade do Estado. Malafaia rebateu essas críticas, explicando que a afirmação não visa privilegiar nenhum grupo, mas sim reconhecer a centralidade de Jesus Cristo para a fé cristã.

“A expressão máxima do cristianismo, tanto para católicos quanto para evangélicos, é Jesus”, afirmou. Para embasar seu raciocínio, citou o capítulo 2 da Carta aos Filipenses, presente tanto na Bíblia católica quanto na evangélica, segundo a qual Cristo está acima de tudo. “Não há contradição nenhuma. Jesus é a figura central da nossa fé, e isso não diminui nem ofende a devoção a Nossa Senhora, que é amada e venerada por milhões de cristãos”, argumentou. Na visão do pastor, a menção a Jesus não exclui ninguém, mas expressa um sentimento partilhado por grande parte da população brasileira.

Sobre a manifestação do bispo de Campos, Malafaia disse considerar que a observação não corresponde ao sentido real da declaração. “Não há nenhuma palavra que dê privilégio a um grupo sobre outro. O que se disse é uma afirmação de fé, não uma medida de governo”, esclareceu. Ressaltou ainda que a convivência entre católicos e evangélicos no Brasil é, em regra, pacífica e frutífera, e que essa harmonia não deveria ser utilizada como moeda de troca em disputa eleitoral. “Ainda bem que somos um povo que convive bem na fé. Que isso não seja manchado por interesses políticos”, acrescentou.

A polêmica ganhou também contornos judiciais nas últimas semanas. O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a remoção de publicações que apresentassem como fato verdadeiro a notícia sobre a suposta alteração do título de Nossa Senhora Aparecida. O caso chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde houve decisões distintas entre os ministros Flávio Dino e Luiz Fux. O próprio TSE iniciou nesta quarta-feira (30) o julgamento sobre a manutenção da medida. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) também se pronunciou, negando qualquer participação na disseminação de conteúdos enganosos.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, tem negado reiteradamente qualquer intenção de alterar o reconhecimento de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do país e acusado adversários de se aproveitarem da confusão para prejudicar sua imagem. A disputa evidencia como símbolos religiosos, caros à identidade nacional, têm sido mobilizados na campanha, exigindo de eleitores e lideranças atenção para separar crença de manipulação. O desafio, agora, é garantir que o debate político prossiga respeitando a diversidade de fé que faz parte da própria essência do Brasil.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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