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Campanha de Lula teme repercussão da ausência dele no debate da Globo

Em um cenário de empate técnico nas projeções tanto de primeiro quanto de segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não participará do debate presidencial realizado pela TV Globo nesta quinta-feira (1º). O evento, tradicionalmente visto como um dos momentos de maior impacto da campanha, é conhecido por ter influenciado resultados em eleições anteriores. A ausência foi definida após divergências internas sobre a conveniência da presença do candidato no confronto, em decisão que pode redefinir a dinâmica dos últimos dias antes do pleito de domingo (4).

A avaliação interna foi dividida. O presidente nacional do PT, Edinho Silva, e o ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Sidônio Palmeira, defenderam a participação, argumentando que o horário nobre e a ampla audiência ofereceriam espaço privilegiado para apresentar propostas, reverter intenções de voto e conquistar eleitores ainda indecisos. Já a primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, posicionou-se contra a ida. Ao final, Lula decidiu recusar o convite, com a avaliação de que teria pouca oportunidade de expor suas ideias e seria alvo de críticas concentradas dos demais participantes.

A composição do palco do debate pesou na escolha. Todos os outros candidatos convidados são vinculados a agrupamentos de direita ou, como no caso de Augusto Cury, são nomes que chegam à disputa fazendo críticas à gestão federal. A campanha petista avaliou que o ambiente seria desfavorável, com o foco direcionado de forma recorrente sobre o presidente, sem espaço equivalente para apresentar realizações e projetos. A decisão reflete, portanto, uma estratégia de evitar confronto direto em condições consideradas desiguais.

A ausência, porém, traz preocupações à equipe de Lula. O principal temor é que Flávio Bolsonaro aproveite o espaço vazio para consolidar a preferência de eleitores que apoiam outros candidatos do campo conservador, estimulando o chamado “voto útil” em sua favor. Se conseguir agrupar essas intenções, o senador poderá demonstrar força expressiva, ainda antes da divulgação dos resultados. Para a campanha petista, trata-se de um risco real de perda de terreno decisivo nas horas que antecedem a votação.

Embora possam fazer observações sobre o candidato do PL, os demais concorrentes têm, ao longo da campanha, evitado confrontá-lo de forma mais incisiva. Muitos pouparam críticas mais duras a Flávio Bolsonaro, e circulam especulações sobre convites para compor um eventual governo seu. O ex-governador Ronaldo Caiado, que aparece em terceiro lugar nas pesquisas, por exemplo, é mencionado como possível nome para a pasta da Segurança. Essa proximidade pode resultar em um debate com poucos embates entre os participantes, favorecendo a imagem do senador como líder do grupo.

No cenário mais desfavorável para a campanha petista, a transmissão desta noite, sem a presença de Lula, contribui para impulsionar a migração de votos para Flávio Bolsonaro. O efeito poderia ser suficiente para colocá-lo à frente no primeiro turno, alterando completamente a dinâmica da disputa para a etapa seguinte. É essa possibilidade que mantém a equipe de Lula atenta aos desdobramentos, ciente de que cada hora conta e de que a ausência no debate pode ter consequências diretas sobre o resultado das urnas.

A decisão de comparecer ou não a um evento público é prerrogativa de cada candidato, mas também é avaliada pelo eleitor como parte do perfil que se quer levar ao governo. O debate da Globo, que reuniu a maior parte dos concorrentes, será acompanhado com atenção por milhões de brasileiros. A forma como cada um se posicionar, as propostas que apresentar e as alianças que sugerir dirão muito sobre o que está em jogo neste domingo. O eleitor terá a última palavra — e fará sua escolha com base em tudo o que viu, ouviu e avaliou ao longo de toda a campanha.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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