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Lula nega que fim das bets e reajuste do Bolsa Família sejam eleitoreiros

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) negou nesta quinta-feira (1º), durante entrevista ao Flow Podcast, que a proibição das apostas de quota fixa e o reajuste dos valores do Bolsa Família tenham sido adotados com fins eleitorais. As duas medidas foram anunciadas nas semanas que antecedem o primeiro turno, marcado para domingo (4), e receberam críticas de adversários, que classificaram as iniciativas como manobras voltadas para angariar apoio nas urnas. O petista, porém, defendeu o conteúdo e a oportunidade das decisões, explicando os motivos que o levaram a assiná-las.

Sobre a proibição das chamadas bets, oficializada por medida provisória em 25 de setembro, Lula afirmou que a decisão resultou do diagnóstico sobre o impacto das apostas na vida das famílias brasileiras. “Tomei a decisão de acabar com essa prática porque está empobrecendo o povo e gerando endividamento”, declarou. O presidente relatou ter conhecido uma pessoa a quem havia emprestado dinheiro para quitar dívidas e depois descobriu que os débitos se originavam justamente de apostas. Segundo ele, o fenômeno retira recursos destinados à alimentação e ao sustento dos lares, o que tornou a intervenção urgente e necessária.

Lula reconheceu que a proximidade da eleição influenciou o momento da publicação, mas negou motivação política. “Não há nenhuma prova de que isso me deu voto. A questão é outra: decidi não permitir que o povo seja prejudicado, que venda o dinheiro do feijão, do leite, do pão dos filhos para apostar”, afirmou. Em seguida, acrescentou: “E foi por ter eleição que acabei com isso agora. Se não fizesse isso e não ganhasse, talvez jamais fosse feito”. A fala sinaliza consciência sobre a relevância do tema e a oportunidade de enfrentá-lo enquanto no exercício do mandato.

Já sobre o reajuste do Bolsa Família, anunciado em setembro, o presidente explicou que a recomposição de 15,04% corresponde à reposição da inflação acumulada pelo INPC entre março de 2023 e agosto de 2026. O valor mínimo passou de R$ 600 para R$ 691, e o valor médio estimado subiu de R$ 675 para R$ 777, com vigência na folha de pagamento de outubro. “Não dei aumento, recuperei o que a inflação consumiu. Sobrou espaço fiscal, o orçamento permitiu, e eu repus”, justificou.

O presidente revelou ainda ter cobrado da equipe econômica a atualização, que considerou devida há muito tempo. “Fiquei insatisfeito porque o benefício não havia sido ajustado desde o início do nosso mandato”, contou. Para ele, a medida não representa ganho real, mas simples reposição de perdas, e a disponibilidade de recursos permitiu que a correção fosse feita sem prejuízo às contas públicas. “O que eu deveria fazer? Deixar de repor? Repus”, resumiu.

As declarações vêm em resposta a críticas de diversos candidatos adversários. Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) classificaram o reajuste do Bolsa Família como medida de caráter eleitoreiro. Flávio Bolsonaro (PL) chamou a decisão de “ato de desespero”. Zema também avaliou conjuntamente as duas iniciativas, qualificando-as como “aberração eleitoral”. O presidente rebateu essas afirmações ao apresentar dados técnicos e a motivação social que, segundo ele, norteou cada medida.

A disputa eleitoral chega aos últimos dias com intensa troca de avaliações sobre as ações de governo. Cada medida anunciada é analisada sob a ótica política, mas também sob o impacto que traz à vida da população. Cabe ao eleitor comparar as diferentes visões apresentadas, avaliar os argumentos de cada lado e decidir no domingo qual caminho considera mais adequado para o país. A escolha nas urnas será, em última instância, a manifestação da soberania popular sobre o que se espera das políticas públicas e de quem as conduz.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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